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Willy Wonka

Willy Wonka: O Chapeleiro Maluco da Fantástica Fábrica de Chocolates!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Willy Wonka

willy wonka

“Somos os compositores da música.

E somos os autores dos sonhos”

(Willy Wonka and the Chocolate Factory)

Willy Wonka Para a Psicologia Analítica os contos de fadas espelham a psique humana, desse modo, compreende-se que o tema central desses enredos é a totalidade (Self).

A todo instante damos passos rumo à nossa totalidade. Esse caminhar envolve desafios, reflexões, ganhos e perdas.

Nos contos de fadas essas etapas são descritas perfeitamente.

Embora, o tema principal seja o Self, cada conto aborda também um estágio específico, uma parte da psique, como: ego, persona, sombra, anima, animus, entre outros.

Em qualquer conto, mito, literatura, a jornada do herói também está presente.

Recomendo que você leia também: O Arquétipo do Herói Nos Contos de Fadas: Uma Visão Junguiana

Ou seja, as narrativas têm um início, um desenrolar e um final.

O autor Joseph Campbell é quem descreve em detalhes essa jornada.

Além disso, é comum, tanto nos contos como em nossa vida, depararmo-nos com vilões, não é mesmo?

Bom, todos esses aspectos que mencionei nos dois primeiros parágrafos são para evidenciar que na famosa história “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, essas características não são diferentes.

Esse enredo foi escrito por Roald Dahl em 1964, tendo a primeira adaptação cinematográfica em 1971 e a segunda em 2005.

Ao reassistir a primeira versão chamou-me muito a atenção o fato de Willy Wonka, proprietário da fábrica, assemelhar-se ao personagem Chapeleiro Maluco do conto Alice no País das Maravilhas.

Ambos usam chapéu, falam por meio de enigmas e estão inseridos em um mundo fantástico.

O chapéu representa um símbolo do Self, da totalidade. Para Jung (1990, OC, XII; §53).

O chapéu, sendo aquilo que cobre a cabeça, significa em geral o que simboliza a cabeça.

Assim como numa expressão idiomática alemã diz-se que “se coloca todas as ideias debaixo de um chapéu”, o chapéu recobre toda a personalidade como uma representação principal outorgando-lhe sua significação.

Do mesmo modo que o Chapeleiro Maluco, Willy Wonka possui mil e uma ideias fantásticas, as quais, em um primeiro momento, parecem fugir do real.

Talvez aí, o grande fascínio que o público sente por esses personagens, eles criam e recriam, brincando e mesclando fantasia com pitadas de realidade.

A aventura começa quando é anunciado que Willy Wonka estará abrindo os portões da fábrica para cinco crianças que encontrarem os tickets dourados escondidos na embalagem de chocolate.

Todos têm a curiosidade de conhecer o local, o qual está fechado há algum tempo, por isso, a procura pelos tickets torna-se desenfreada.

Charlie, um garoto humilde, sonha com a possibilidade de ser um dos sortudos, mas a sua esperança se esvai à medida que um bilhete atrás do outro começa a ser encontrado.

De repente, a sorte muda para Charlie e ele é a última criança a fazer parte do seleto grupo que visitará a famosa fábrica.

Cada criança, ao encontrar o ticket, recebe a visita de um misterioso homem.

Ele apresenta-se como rival de Willy Wonka e pede a cada criança que descubra a receita do mais novo doce de Wonka.

Caso consigam essa façanha ele dará uma recompensa generosa em dinheiro.

Ao longo da visita uma a uma das crianças acabam corrompendo-se, e, diferente do esperado, não é pela receita, mas sim, por seus próprios aspectos sombrios.

Isto é, eles caem em suas próprias armadilhas, como: gula, competitividade, avareza e arrogância.

De acordo com Franz (2003, p.13), “é um ato de grande coragem enfrentar e aceitar uma qualidade que não nos é agradável, que se escolheu esconder por muitos anos. Mas se a pessoa decidir não aceitá-la, acabará sendo apanhada pelas costas”.

O único a não ceder, a não ser “apanhado pelas costas”, é Charlie.

Antes de prosseguirmos, é interessante destacar o ambiente em que acontece toda a história, um lugar típico de contos de fadas, com muitas cores, charadas, mocinhos, “vilões” e paisagens e personagens incomuns, como os Oompa Loompas.

Os vilões aqui no enredo, nada mais são do que o oposto presente em cada personagem.

Cada um deles, assim como cada um de nós, possui características que estão imersas, escondidas, nas profundezas do inconsciente.

Apesar de Charlie ser considerado o personagem principal, é Willy Wonka quem se destaca. É ele o grande herói e o grande vilão, justamente por perceber que em cada um de nós habita tanto a luz como a sombra.

Willy Wonka
Willy Wonka

Willy Wonka é perspicaz e instiga cada um a pensar; e o mesmo faz o Chapeleiro Maluco, ele também confronta Alice.

E é quando refletimos sobre algo que podemos enxergar com mais clareza e perceber tanto o todo como a nós mesmos.

Alice percebe-se após seu encontro com o Chapeleiro. Charlie percebe-se após o tempo que passou com Willy Wonka.

Outra semelhança entre Willy Wonka e o Chapeleiro Maluco é que ambos falam sobre o tempo e a importância que este tem em nosso conto de vida.

Wonka menciona às crianças que: “Tempo é algo precioso. Não o desperdicem”.

Enquanto o Chapeleiro diz a Alice que se ela conhecesse o tempo tão bem quanto ele, falaria dele com mais respeito. 

O tempo faz parte da nossa história, ele nos cerca, nos invade, nos convida e, até mesmo, nos paralisa.

Para saber mais a respeito do tempo nos contos de fadas basta acessar o meu artigo Jung, o Tempo e os Contos de Fadas, aqui na coluna.

Charlie poderia ter cedido, afinal, de todas as crianças, ele é o que não possuía bens materiais.

Entretanto, ele possuía um dos bens mais preciosos, aquele que está dentro do coração: a integridade.

Por ser fiel a quem ele realmente é, que ele chegou até o final da visita e ganhou o grande prêmio, toda a fábrica de chocolate.

O garoto é um herói porque enfrentou todas as provas que lhe foram propostas, mesmo que indiretamente.

Ele é um herói por refletir cada um de nós. Ele é um herói por ter confrontado a sua sombra.

Igual ao Charlie, quantas vezes não nos sentimos tentados a algo, mas sabemos, no fundo, que o melhor caminho é seguir a voz do nosso coração?

Charlie e Willy Wonka complementam-se. Ambos são duas faces de uma mesma moeda.

O garoto aprende com Wonka a persistir, a acreditar em si mesmo e em seus ideais.

Já o dono da fábrica aprende com Charlie a manter viva a sua criança artista.

Há um ditado popular que diz: “É brincando que se aprende”.

Willy Wonka age mais ou menos dessa maneira, é por meio de suas falas e atitudes malucas que ele compartilha a verdade, a qual está bem embaixo dos nossos olhos, mas teimamos em enxergar.

Como o personagem coloca, “somos os compositores da música. E somos os autores dos sonhos”.

Com isso fica a reflexão, de que maneira você está compondo e escrevendo o seu conto de vida?

Um beijo e uma (re)descoberta,

Juliana.

julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575).

Tem Especialização em Psicologia Analítica.

Atua na área clínica atendendo jovens e adultos.

Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas.

É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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