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Violência Sexual

Violência Sexual: Entenda como Ela Ocorre e o Que Você Deve Fazer!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Olá leitorxs! Violência Sexual

Hoje eu te convido para uma conversa íntima e muito pessoal.

Daqueles papos que costumamos fazer com uma amiga muito próxima ou a depender da situação, nem queremos falar sobre isso.

Adivinhou o que estou querendo falar: é sobre sexo sim mas sobre algo muito constrangedor e que causa muito conflito: a violência sexual. 

Mas você pode pensar: “Eu nunca fui estuprada e costumo ter um parceiro fixo nas minhas relações sexuais. Nunca fui pressionada por estranhos a ter uma relação sexual forçada.”

Ah, isto é justamente o X da questão!

E o texto a seguir pode ser sim do seu interesse e serve como alerta para muitas mulheres

Para você perceber como este assunto pode te chamar atenção, por favor, responda a seguinte questão: quantas vezes você teve relação sexual com o seu parceiro só por que ele queria? 

Ou mesmo quantas vezes você permitiu (ou melhor foi forçada de alguma maneira) a ter relação sexual com o seu parceiro sem uso de nenhum tipo de preservativo? 

Ou melhor quantas vezes você teve uma relação (mesmo contra a sua vontade) porque acreditava e acredita que é seu dever como namorada, esposa ou companheira?

Para começo de conversa, vamos trazer uma definição deste assunto pela OMS (Organização Mundial de Saúde): violência sexual é qualquer ato sexual ou tentativa de obter ato sexual, investidas ou comentários sexuais indesejáveis, ou tráfico ou qualquer outra forma, contra a sexualidade de uma pessoa usando coerção. 

A lei Maria da Penha também acrescenta que qualquer prática “que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação.” Também se configura como violência sexual.

Violência Sexual Em linhas gerais, quem é vítima deste tipo de violência costuma sentir que os seus limites corporais e psíquicos são desrespeitados, seus desejos e necessidades são ignorados e uma sensação de se tornar um mero objeto de desejo dos outros. 

Violência Sexual
A mulher sente que de alguma forma foi desrespeitada!

Na realidade, o sexo ou outras posturas com este tipo de conotação é utilizado como ferramenta de controle, domínio, poder, submissão da vítima e de manifestação de sentimentos de superioridade normalmente machistas e patriarcais.

Muitas mulheres costumam ceder seus corpos, mesmo sem desejo, aos seus parceiros motivadas por uma ideia de que é um dever satisfazer seu marido, medo de que ele procure outras mulheres ou mesmo uma maneira de evitar agressões físicas ou o emprego da força física durante a relação sexual caso ela demonstre resistência.

Um dos aspectos que eu gostaria de chamar a atenção é que boa parte dos agressores sexuais são constituídos pelos próprios parceiros e membros próximos da família.

Aquela cena de uma mulher sendo molestada por um homem em um beco escuro não compõe grande parte dos casos.

Além do mais, como o ofensor é conhecido da vítima, muitas costumam silenciar a ocorrência temendo retaliações ou atitudes culpabilizadoras oriundas de pessoas que façam parte do círculo familiar ou de amigos. 

Violência Sexual Com isso, elas se tornam mais fragilizadas pois uma suposta zona de proteção/segurança não está presente nestes momentos

Não será incomum que muitos encarem esta denúncia com desdém pois afinal ela precisa cumprir com suas obrigações de parceira/esposa.

Ou ainda uma outra fala: você não está com outro não é mesmo???

Diante de tudo o que eu falei, a ideia de consentimento real é que vai definir a violência sexual.

E por ser algo que violenta o que há, digamos, de mais íntimo, as consequências psíquicas e físicas são: 

  • angústia,
  • medo,
  • ansiedade,
  • culpa,
  • vergonha,
  • depressão,
  • reações somáticas,
  • contágio com DSTs,
  • problemas ginecológicos, dentre outros. 

Muitas costumam desenvolver transtorno de estresse pós-traumático e normalmente, os agressores podem fazer uso de facas ou armas de fogo para forçar a relação sexual caso a vítima resista.

Ainda como consequência psicológica desta violência, muitas vítimas deste tipo de violência costumam desenvolver algumas reações tais como: negação, dissociação e autoacusação. 

Na negação, a mulher não crê no acontecido, nega e busca explicações para o comportamento do agressor.

Na dissociação, a mulher se afasta mentalmente do que está acontecendo para que sua capacidade de resposta à agressão seja bloqueada ou diminuída.

Já na autoacusação, muitas se culpam pelo que está acontecendo e por isso, não costumam procurar assistência jurídica, realizar denúncias ou ir em busca de apoio de familiares ou amigos com receio de que eles a culpem da mesma maneira que ela se culpa. 

Após a violência sexual, muitas mulheres tendem a ficar muito irritadiças por não terem se empenhado na própria defesa.

Violência Sexual Além de tudo isto que foi posto aqui, muitas não querem realizar as denúncias seja pela fragilidade do seu estado psíquico ou não acreditam na efetividade da justiça e no tratamento adequado por parte dos profissionais de saúde.

Violência Sexual
Violência Sexual

Para que você, leitxr, tenha uma ideia da situação traçada neste texto, uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão no ano de 2016 denominada Percepções e comportamentos da violência sexual no Brasil trouxe números que revelam aspectos relacionados a esta prática violenta.

28% das mulheres pesquisadas já sofreram algum ato sexual indesejado em relação não consentida e 49% afirmam que já presenciaram ou ficaram sabendo de alguma mulher que foi vítima de algum ato sexual indesejado em relação não consentida.

E a maioria da população pesquisada reconhece como violência sexual os seguintes atos a seguir:

  • ter fotos ou vídeos íntimos divulgados sem a sua autorização,
  • ser seguida na rua ou em outros lugares por um homem que demonstrou interesse sexual,
  • ser procurada insistentemente por telefone ou rede social por um homem que demonstrou interesse sexual
  • ou ouvir comentários ou cantadas que a deixem com medo.

Um dos dados mais curiosos é sobre a relação entre violência e sexual.

89% do público pesquisado afirmam que estar bêbado não é justificativa para um homem abusar de uma mulher, mas 20% acham que transar com uma mulher alcoolizada não é violência sexual.

Diante do cenário traçado, mesmo com os recursos legais, jurídicos e de saúde pública disponíveis para as vítimas de violência sexual, infelizmente, muitos agressores não são punidos e a revitimização é frequente.

Violência Sexual A ajuda psicoterapêutica é fundamental tanto para fortalecimento emocional da vítima como tratamento das consequências psicológicas oriundas da agressão. 

Violência Sexual
Uma psicóloga pode te ajudar!

E mesmo com a realidade de um judiciário moroso e uma assistência duvidosa, não deixe de exercer seus direitos!

Recomendo que leia também: Violência Psicológica: Conhecendo os Limites Entre Brincadeiras e Ofensas

Karine

Karine David Andrade Santos – Psicóloga CRP-19/2460 realiza atendimentos individuais para adultos e adolescentes em Aracaju/SE e orientação psicológica via Skype (http://www.karineandradepsi.com.br/).

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Facebook: Karine Andrade Psicóloga

Instagram: @Karineandrade_psiaju

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