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violência contra a mulher

Violência Contra a Mulher: A Indescritível Sensação de Ser um Pedaço de Carne!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Violência Contra a Mulher

Cantadas, assovios, grunhidos, mulheres com corpos expostos e associados à venda de cervejas, carros e perfumes, olhares intimidadores, puxões de braço e cabelo no meio da balada para um beijo forçado, mãos bobas, retorno de piadas com cheiro de mofo sobre o que é ser mulher e seu suposto lugar, assédio nos transportes públicos, violência sexual e moral nas universidades e nenhuma providência cabível para punir os agressores…. a lista de agressões contra as mulheres é imensa. Violência Contra a Mulher

Mas a sensação é uma só:

O sentimento de ter menos ou igual valor que um pedaço de carne no açougue. Violência Contra a Mulher

Este texto é um alerta para os abusos que muitas mulheres são vítimas no cotidiano em espaços públicos e privados.

Muitas não conseguem ou têm medo de reagir as práticas de assédio. Assim, ficam a tristeza, a indignação, a humilhação, o desespero e a raiva que são vivenciados de forma solitária.

No entanto, já estão sendo esboçadas reações frente à esta realidade. Nas universidades e nos transportes públicos, mulheres se uniram para denunciar e criar ações para coibir este tipo de prática. Violência Contra a Mulher

Dentro de transportes públicos superlotados, as mulheres se tornam vítimas de sussurros, encochadas e mãos bobas.

De acordo com pesquisa realizada pelo Data Folha em outro de 2015, foi constatado que a maior parte das vítimas de assédio são mulheres. Violência Contra a Mulher

Para coibir este tipo de prática, foram realizados protestos em estações de metrô e distribuição de alfinetes. As universidades também são locais de prática de assédio contra mulheres.

Segundo pesquisa do DataPopular realizada no final de 2015, cerca de 72% das entrevistadas conhecem casos de agressão psicológica que englobam humilhações praticadas por alunos e professores, xingamentos por rejeitar investidas, músicas de cunho ofensivo cantadas por torcidas acadêmicas, imagens das universitárias distribuídas sem autorização e elaboração de ranking para classificar mulheres por beleza, atributos sexuais, dentre outros.

Dentro deste universo, cerca de 52% das mulheres foram vítimas das práticas citadas acima. Em relação aos comentários com apelos sexuais indesejados, cantada ou abordagem agressiva, mais da metade das entrevistadas foram vítimas destas violências. Violência Contra a Mulher

Dentro desta situação, uma das grandes questões a ser superada é o medo da denúncia uma vez que cerca de 63% das vítimas de assédio sexual não denunciaram o problema.

Violência contra a mulher
Violência contra a mulher: a grande maioria das mulheres não denunciam os abusos sofridos!

Assim, voltamos a antiga questão de que muitas mulheres sentem medo de retaliação, vergonha e confusão quanto a realizar a denúncia da violência nos órgãos competentes.

Também precisamos frisar que, apesar dos avanços com a instalação e construção de Delegacias de Proteção à Mulher (DPM), alguns profissionais não estão preparados para acolher e tratar das denúncias sem um viés machista e violento. Violência Contra a Mulher

Você que está lendo este artigo deve estar perguntando: o que pode ser feito diante desta realidade?

Em nível coletivo, cada vez mais ganham força e espaço os coletivos de mulheres em diferentes espaços o que traz força, unidade e proteção para as vítimas de abusos emocionais, físicos e sexuais.

Além disso, estes grupos procuram realizar campanhas de combate ao assédio e pressionam os representantes das instituições no sentido de promover ações, campanhas e outros movimentos de combate a violência contra à mulher. Violência Contra a Mulher

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Em nível pessoal, cabe reconhecer a violência, por mais dolorido que seja este processo, para que a denúncia seja efetivada. Os coletivos/grupos de mulheres são grandes facilitadores e apoiadores neste momento. Violência Contra a Mulher

No início deste texto, fiz uma rápida comparação entre pedaço de carne e mulher. Para esquadrinhar e preencher as lacunas da sensação que não cabe em palavras, trago o pequeno fragmento abaixo:

Pedaços de carne são variáveis na textura, no tamanho, na forma e na cor. 

Mulheres são seres variáveis em sua visão de mundo, sentimentos, emoções, pensamentos (para fica bem claro), escolhas, valores, crenças, hábitos, sotaques, profissão, formação profissional, origem familiar, social, econômica e cultural, estado civil, na relação com o corpo, na construção de suas relações sociais e, principalmente, não gostam de ser humilhadas, torturadas, assediadas e perseguidas em qualquer espaço da sua vida. Violência Contra a Mulher

Pedaços de carne podem ser de primeira e de segunda. Mulheres não são seres sujeitos à classificação. Pedaços de carne podem ser fatiados, moídos, apalpados, manejados ao bel-prazer, tocados e embrulhados para serem levados para qualquer lugar para livre consumo. Mulheres têm direito à autonomia e liberdade para permitir a maneira e quem elas deixam tocá-las.

Pedaços de carne estão expostos em vitrine de açougue para livre apreciação e escolha do freguês.

Mulheres são pessoas que não estão expostas em vias públicas, universidades, praias, transportes públicos, locais de trabalho e até em ambiente privados para livre degustação de homens.

Pedaços de carne estão disponíveis para o primeiro que a escolhe. Violência Contra a Mulher

Mulheres não estão necessariamente disponíveis para o primeiro que tenha vontade de tocá-las.

Infelizmente, o conceito do que é ser mulher em nosso convívio social está muito próximo ao que foi conceituado como pedaços de carne: iguais, sem liberdade e autonomia.

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violência no relacionamentoKarine David Andrade Santos – Psicóloga CRP-19/2460 realiza atendimentos individuais para adultos e adolescentes em Aracaju/SE e orientação psicológica via Skype (http://www.karineandradepsi.com.br/). Membro da Cativare (https://www.facebook.com/cativarepsi/). Idealizadora do Projeto De Bem com Você em parceria com a psicóloga Eanes Moreira.(Informações via whatsapp (79)99922-8130)

Contatos: E-mail: psimulti@gmail.com; Facebook – https://www.facebook.com/KarineAndradepsi/

Instagram –https://www.instagram.com/karine.andrade_psiaju/; YouTube – Psicologia Aracaju

2 thoughts to “Violência Contra a Mulher: A Indescritível Sensação de Ser um Pedaço de Carne!”

  1. Boa noite, Antônio! Nos casos de violência contra a mulher, a atribuição de uma suposta culpa é uma das características encontradas no atendimento de funcionários nas delegacias de atendimentos da mulher(DEAMs), nas delegacias comuns, nos tribunais e em outros órgãos da Justiça. Informo que é justamente este tipo de comportamento que faz com que muitas( são muitas mesmo) não denunciem a violência seja de qual for natureza e assim, continuem dentro de relacionamentos violentos, aguentem as piadinhas e gracinhas no trabalho, o assédio no transporte público e na universidade , etc. Não é incomum que muitas se questionem se não fizeram algo pois, assimilam este pensamento social e cultural de que elas devem ter alguma culpa nestes casos. Além, são os julgamentos de cunho moralista sobre o vestir, o falar, o pensar e o agir da mulher que também criam justificativas para os abusos e violências:”Ela estava de short curto e por isso, mereceu ser violentada”, “Ela falou demais e por isso bati nela”,” “Ela não faz nada direito e por isso, eu falava aquelas piadinhas.”, etc Aliás, são estes tipos justificativas que apoiam qualquer tipo de violência. Nenhum ser humano pode ter seu espaço físico e psicológico invadidos. Quero esclarecer que existem casos de agressões praticadas por mulheres mas em uma escala bem menor.Também gostaria de sinalizar que percebo uma revolta generalizada não só contra à mulher que denuncia mas para as demais também. Fique à vontade para corrigir minha impressão.
    Em relação aos colegas da Psicologia, não posso tecer comentários sobre os casos relatados,pois não sei quais eram as condições de trabalho e suas atribuições no local visto que o senhor comentou sobre os milagres efetuados por alguns. A presença do psicólogo é de extrema importância para acolhimento de vítimas e agressores(as), análise, acolhimento, avaliação e encaminhamento do caso à luz de teorias psicológicas, fatores culturais, sócias, culturais e econômicos presentes em cada caso. Em um outro momento, cabe um tratamento psicoterapêutico para ambos em muitos casos.
    Estou à disposição para dúvidas e sugestões.

  2. Concordo que a mulher é “vítima” de abusos de vários tipos. Mas a mulher não será também culpada ? Ela gosta, ela adora, que façam dela uma boneca. Ela sente-se importante assim. Ela adora mostrar as mamas e o rabo. O limite do decote são os imostráveis mamilos. Compreende-se que sobretudo em sítios de aperto como os transportes públicos, às vezes superlotados, haja mãos menos bem formadas que se aproveitem. Mas neste campo, serão as mulheres “bem formadas” ? Els são já preparadas pelas próprias mães. “Credo, vais sair assim tão tapada? Assim os rapazes nem olham para ti”. De pequenina se “induca”. Pelas próprias mães! Depois, nem sempre é possível ter uma conversa normal com uma mulher. Só elas é que sabem e só a opinião delas é que está certa. Quando não se concorda, mostram um revirar de olhos que mais parece uma hilariante alienígena dos confins do irreal. A partir de uma determinada idade, talvez por volta dos cinquenta, reforçam o cabotismo natural delas. Os maridos são uns “pobres coitados, não se pode confiar muito no que eles dizem”. Procurando evidenciarem-se perante familiares, vizinhos, amigos, ou até perante estranhos, deixam, quantas vezes, os maridos ficar mal. Por outro lado os que já as conhecem, riem-se e gozam com essa palermice feminina. Elas não têm noção do ridículo. Trabalhei em tribunais onde havia muitos processos de divórcio litigioso e de violência doméstica. E acho absurdo que se atribua a culpa, de um modo geral, apenas ao marido. Acho que os violadores e os autores de violência doméstica deviam ser severamente punidos. Severamente ! Mas devia ser também averiguada a culpa da mulher. Disse isso uma vez a uma advogada, que concordou comigo, mas depressa mudou de conversa. Eu nesse campo não vejo muito bem o papel, ou melhor, a utilidade de um psicólogo. Pelo menos na prática, não se vê nada. Limitam-se, nas instituições onde é obrigatório um psicólogo, praticamente a entrar e a sair do gabinete. Claro que há raríssimos casos de psicólogos extremamente dedicados, e que até têm operado verdadeiros milagres. Mas quantos são ? Em geral mais me parecem vendedores de banha da cobra. À semelhança dos “ilustres” formados em Economia e Finanças. Quando uma crise está a formar-se ninguém diz nada. Mostram-se cegos, surdos e mudos. Depois da crise instalada, é um regalo vê-los, cabotinamente, a “botar faladura” nos jornais, em revistas, na televisão … como se tivessem a solução dos problemas nas mãos. E antes tão caladinhos que eles estavam !

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