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Especial de Páscoa – Um Estudo Histórico Sobre Anorexia Nervosa

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Para que tenhamos uma melhor compreensão a respeito da doença (Anorexia Nervosa), é fundamental visitarmos a história da mesma.

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Tenho percebido cada vez mais pessoas falando sobre anorexia nervosa. Pessoas contando as suas experiências com a doença e, fazendo campanhas preventivas.

Sabemos que há uma influencia enorme da mídia e uma cobrança da sociedade, que leva as pessoas a se sentirem mal com seus corpos. anorexia nervosa

Mas de onde isso vem? Sempre foi assim? Resolvi ir além, buscando nos anais da história, de onde ela surgiu. Aproveito para convidar vocês nessa jornada de descobertas!  

Quando leio a respeito de transtornos alimentares, no geral, percebo que existem em vários lugares, afirmações de que anorexia nervosa é uma doença da modernidade. E eu ficava pensando comigo: Será mesmo?

Tenho aprendido muito sobre o desenvolvimento cognitivo e físico do ser humano. Somos seres biológicos, sociais, culturais, históricos, relacionais e portanto, altamente influenciáveis pelo ambiente em que vivemos. anorexia nervosa

Vivemos assim, desde a época das cavernas, onde o homem precisava ser aceito pelas pessoas, para conseguir fazer parte de um grupo e assim, sobreviver.

Isso explica inclusive, essa nossa mania que querermos aprovação dos outros (mas isso é história para outro post, continuemos); Sigam a minha lógica:

Como seres biológicos e sociais, altamente influenciados pelo ambiente em que vivemos, não é nenhuma novidade em falarmos que um quadro de anorexia é, da mesma forma, influenciado, certo?

Se vocês começarem a ir além, perceberão que anorexia é um quadro que ultrapassa séculos da nossa existência. anorexia nervosa

Na idade média ocidental, as mulheres já jejuavam em nome da religião. No geral, quem jejuava mais tempo era mais pura, mais temente à Deus e se morria com a prática, era santificada pela igreja Católica.

Historicamente, muda-se o contexto do jejum. A prática não era feita pelo “corpo perfeito”; mas os comportamentos, comparados aos comportamentos de pacientes com anorexia, são semelhantes.

E não digo de semelhança apenas no que diz respeito ao jejum… Mas comportamentos que levavam a pessoa uma vida marcada por restrições alimentares e conflitos internos. anorexia nervosa

Rudolph Bell (1985), historiador americano, estudando as condições sociais do aparecimento e declínio do que chamou de “Anorexia Santa” (Holy Anorexia) no século XIV na Toscana, entendeu que esse tipo de anorexia seria uma reação face às estruturas patriarcais do mundo medieval.

Ele pode observar, através de sua pesquisa, que desde o século XIII, havia um número notável de casos de morte por anorexia santa. anorexia nervosa

Para além da religião, havia uma porcentagem de mulheres que executavam a prática do jejum como forma de reivindicação pelas obrigações da mulher perante a sociedade que tentava domina-las.

Grande parte dessas mulheres, jejuavam na esperança de não serem submetidas à casamentos arranjados contra a sua vontade.

Elas praticavam a recusa alimentar de maneira a conservarem sua virgindade perante o homem que ela não desejava. anorexia nervosa

Temos exemplos como Clara de Assis, que pertencia a uma família nobre e era dotada de grande beleza. Teve de praticar jejum por muitas semanas, para conseguir enfrentar a oposição da família, que pretendia arranjar-lhe um casamento vantajoso aos dezoito anos.

Outro exemplo de resistência à autoridade patriarcal, foi o caso de Santa Wilgefortis (do latim virgo fortis ou virgem forte), também conhecida na Península Ibérica como Santa Liberata, que viveu provavelmente na região correspondente hoje a Portugal, entre os séculos VIII e X.

Seu pai, um tirano pagão, conhecido por sua crueldade e rudeza, decidiu casá-la com o rei sarraceno da Sicília.

Vilgefortis ficou horrorizada quando soube desses planos e, para preservar sua virgindade e escapar do casamento, submeteu-se a um rigoroso jejum, emagrecendo até perder seus contornos femininos e crescer-lhe uma penugem sobre o corpo, decorrente da desnutrição.

O rei da Sicília, assustado diante de tamanha magreza, desistiu do casamento e seu pai, encolerizado, mandou crucificá-la.

Segundo um artigo do blog “Sob Nossa Visão Distorcida”, as histórias de Santa Clara de Assis (1193 – 1253), Santa Catarina de Siena (1347 – 1380), Santa Maria Magdalena de Pazzi (1566 – 1670), Santa Rosa de Lima ( 1586 – 1617 ), Santa Veronica Giuliani (1660-1727) parecem confirmar essa tese.

Ao escrever este texto, me dou conta de que desde o início, a desigualdade entre os sexos, desarmonizavam a vida das mulheres.

Concluo que, enquanto houver essa cobrança excessiva em relação à forma física da mulher, à perfeição que se espera dela, ao olhar que de certa forma a “objetifica”, o problema existirá. anorexia nervosa

Encerrando esse mês de março, que é um mês significativo tanto para a mulher, quanto para a religião, gostaria de descrever o meu desejo para todas nós!

Eu desejo que todas nós, consigamos reproduzir o sentido dos almoços em família.

Desejo que vocês não sintam mais culpa por ser quem são, que não sintam culpa ao comer e que acima de tudo, tenham a chance de manterem vivas as memórias de momentos tão preciosos quanto confraternizar comendo e não se sentir mal por isso.

Com amor, Cintia Milanese.

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Cíntia MilaneseCíntia Milanese é Empreendedora Digital, Consultora de Negócios e Graduanda em Psicologia. Adora dividir seus aprendizados e trocar experiências à respeito de autoconhecimento

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