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Transtorno da Esquizofrenia

É Possível Ter Um Relacionamento Com Alguém Que Tem o Transtorno da Esquizofrenia?

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Transtorno da Esquizofrenia

Muitas pessoas me procuram com essa dúvida: Daniela é possível namorar alguém com esquizofrenia?

Ou ainda, como eu faço para lidar com os comportamentos do meu marido?

Ele/a tem um ciúme excessivo, vê coisas no relacionamento que não existem, como eu posso agir?

Eu fiz um vídeo falando sobre isso, de uma olhada: 

Realmente não é fácil conviver com alguém que tem esquizofrenia, para os pais já é uma barra, imagine namorar, casar ou ter filhos com uma pessoa que pode ficar instável do nada, que tem alguns comportamentos complicados.

Porém é possível sim ter um relacionamento com uma pessoa que tem esquizofrenia. Transtorno da Esquizofrenia

Será preciso muita paciência, muito amor e que o parceiro busque muitas informações sobre o transtorno.

Que essa pessoa aprenda a como lidar com as dificuldades e barreiras de conviver com quem tem esquizofrenia.

Conheço muitos casos de relações entre pessoas que têm esquizofrenia, casais onde ambos têm o transtorno e casais onde somente um tem a esquizofrenia.

Transtorno da Esquizofrenia É uma relação fácil? Não, com certeza não será fácil, mas possível e real.

Transtorno da esquizofrenia
Transtorno da esquizofrenia

Haverá momentos de tensão, de desconfianças, medos e inseguranças, mas também momentos ótimos, agradáveis, prazerosos e felizes ao lado da pessoa que se ama.

Então a resposta a uma das perguntas que mais recebo, sobre ser possível namorar com alguém que tem esquizofrenia, é sim.

Com algumas dificuldades, mas qual o casal que não as tem? Transtorno da Esquizofrenia

Outra importante pergunta que me fazem é sobre como lidar com os comportamentos do parceiro, como as desconfianças, o ciúmes?

Então vamos conhecer algumas dicas para lidar com esses comportamentos e fazer essa relação ser possível e harmoniosa.

  1. Infelizmente ciúmes, desconfiança, medos, insegurança são características comuns de quem tem esquizofrenia e para que esse relacionamento prossiga será preciso aprender a lidar com esses comportamentos;
  2. Será preciso muita paciência para lidar com esses comportamentos, para entender que o que acontece é consequência do transtorno e não um simples querer, uma mania;
  3. Leia, se informe muito sobre a esquizofrenia, sobre como lidar e agir com a pessoa que tem o transtorno. A informação será sua melhor arma para lidar e vencer as dificuldades na esquizofrenia;
  4. Incentive, motive sempre o seu parceiro. Fale sobre a importância de se manter o tratamento, de não parar os remédios, de como ele/a fica bem e estável quando está fazendo o tratamento corretamente;
  5. Aprenda a como agir, o que fazer na hora de uma crise, pois ela pode acontecer e você precisará estar preparado para lidar com esse momento, e quanto melhor preparado você estiver, menor serão os danos e mais rápida a e estabilização;
  6. Respeite o tempo, o espaço do seu namorado (a) ou marido (esposa). Muitas vezes eles precisarão ficar sozinhos, não estarão bem e precisam de um tempo, respeite esse momento. Entenda que não é fácil conviver 24 horas por dia com vozes na cabeça, e que ás vezes será preciso se afastar;
  7. Converse muito com o seu par. Demonstre que o entende, que está ao lado dele, entende o que acontece e estará ali para ajudar no que for preciso;
  8. Não pressione demais. Pressão para quem tem esquizofrenia nunca é bom, pois pode levar a uma crise. Procure não exigir mais do que eles podem dar, do que podem fazer na relação ou em casa;
  9. Entenda que eles têm limitações e podem não ser tão afetivos, carinhosos como você espera. A esquizofrenia faz com que muitas pessoas não consigam expressar o que sentem, não demonstrem muito afeto, entenda que isso faz parte do transtorno e não quer dizer que a pessoa não lhe ame;
  10. Nas horas de crises, do ciúme ou acusações, procure manter a calma, não fique tentando se explicar, rebater as acusações, pois não vai adiantar, lembre-se que para eles é real. Tente apenas ouvir e não responder e em um momento que ele estiver mais calmo, mais lúcido converse sobre o assunto e procure mostrar que não era como ele estava vendo;
  11. Ouço muito de quem tem uma relação com alguém que tem esquizofrenia que o amor supera tudo e concordo. Não, não será fácil, mas o amor é a motivação mais forte para fazer com que dê certo, é a forca para lutar e vencer a cada dia;
  12. Nunca desista, acredite, tenha fé, lute pelo seu amor e por essa pessoa. Vista-se todos os dias de coragem e amor e tenha certeza que aos poucos tudo vai se ajeitando, e cada dia que você entender mais o seu parceiro, melhor serão as chances da relação de vocês dar certo.

Bom, é claro que nem sempre as relações dão certo, mas muitas se concretizam.

Assim como para algumas pessoas essas dicas podem funcionar melhor do que para outras e tudo bem, como eu sempre digo, cada pessoa é única.

Entretanto sempre é possível adaptar, mudar algo aqui ou ali, pensar diferente, fazer diferente e fazer com que dê certo.

Para finalizar vou compartilhar um relato lindo que recebi de uma seguidora, para mostrar como é possível ter uma relação com alguém que tem esquizofrenia e que o amor pode vir de onde menos esperamos!!

Confira!!

“ Boa Tarde! Me chamo L. tenho 39 anos, e estou no 4° Ano de Serviço Social, em SP, gostei muito dos comentários e respostas, me esclareceram muitas dúvidas em relação aos comportamentos e como devemos lidar com pessoa com este diagnóstico.

Em 2015 conheci uma pessoa em situação de rua, antes mesmo de iniciar a faculdade, ele estava em um ponto de ônibus próximo da minha casa, e chamou a atenção pelo estado, olhar perdido como se estivesse pedindo socorro.

Resolvi descer do ônibus, na intenção de levar algo para ele se alimentar, e de certa forma tentar ajuda-lo ou procurar meios em abrigos enfim de alguma forma tentar ajuda lo.

A princípio com um pouco de medo, mas o ponto estava cheio, me aproximei com um salgado e um refrigerante, que de prontidão ele aceitou, chegando próximo, vi que se tratava de um jovem, bastante sujo, porém dentes brancos, e gentil porém de pouca fala, ao ser interrogado o porquê estava ali, disse que queria ficar um pouco sozinho.

Resumindo, desci ali algumas vezes, com um alimento e procurando oferecer ajuda, ele se recusava em sair dali.

Um dia após 02 meses ao passar, ele não estava mais, fiquei preocupada, e triste, tinha escrito uma carta com a letra de um louvor ” Raridade” do cantor Andersom Freire e atrás o número do meu celular.

Para minha surpresa, um certo dia, um enfermeiro do Caps, próximo onde ele estava, o recolheu, e encontrou a carta, e entrou em contato, para saber se eu era parente e se estava disposta a ajudá-los a encontrar os parentes dele.

Prontamente me disponibilizei, indo até lá me surpreendi ao vê lo limpo parecia outra pessoa, fiquei muito feliz em revê lo e ele pareceu feliz em me ver também.              

A partir dali o acompanhei, foram encontrados os seus familiares, mãe, pai e irmãs.

Estamos juntos a dois anos, e 03 Meses estamos morando juntos, sou muito feliz com ele, porém devido ao uso de drogas, há alguns anos ele foi diagnosticado com Esquizofrenia, e internado outras vezes antes de o conhecer.

Hoje ele está com 28 anos, começou a estudar, e está tentando entrar no mercado de trabalho, no momento ele faz o uso do Haldol injetável de 15 em 15 dias, e tem uma consulta agendada com psiquiatra em 04/08.

Fui casada 20 anos, e estava em processo de divórcio quando o conheci.

Ele é uma pessoa maravilhosa, doce e muito carinhoso, quer muito ter um filho.

Estou lutando por ele, vivendo uma conquista a cada dia. Faço faculdade a noite e trabalho durante o dia.

Estou feliz, embora as vezes vem uma certa insegurança, e a dúvida será que vou conseguir.

Já acompanhei algumas crises dele, quando ele estava com a mãe, e nesses 03 Meses morando com ele.

Quero dizer que estou feliz por ter encontrado este meio de comunicação, para colher informações, que já estão sendo muito uteis, pois precisamos sim de orientação, para fazer com que nós e eles possam viver de forma saudáveis e felizes…”.

Recomendo que você leia também: A Importância da Família Para Pessoas Com Esquizofrenia!

Abraço,

Psicóloga Daniela da Silva

DTranstorno mentalaniela da Silva – Psicóloga com Orientação Psicanalítica (CRP 07/23218). Atua nas cidades de Cachoeirinha e Gravataí/RS, como Psicóloga Clínica e também palestrante.

Atendimento direcionado para familiares de pessoas que tem esquizofrenia; relações familiares- pais e filhos.

Email: danipsicologa@outlook.com;

Facebook: Psicóloga Daniela da Silva

Instagram: psicologa_danieladasilva;

Tel / WhatsApp: 51-84059491;

Blog: www.alemdaesquizofrenia.com

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