Ser adolescente ou não ser? Eis a questão!

Muito se fala sobre certo e errado e sobre o que nós, profissionais da área, podemos milagrosamente oferecer e todos que precisam de auxílio.
adolescentes

Por Ellen Moraes Senra

Muito se fala sobre como o adolescente deve ou não ser, sobre o que o mesmo deve ou não fazer, sobre como os responsáveis devem ou não ceder ou se tornarem excessivamente inflexíveis.

Muito se fala sobre certo e errado e sobre o que nós, profissionais da área, podemos milagrosamente oferecer e todos que precisam de auxílio.

Se nós somos excelentes mediadores de conflitos: Não tenha dúvidas de que alguns de nós de fato o são, mas não há resolução de conflitos completa se não há comprometimento.

Isso mesmo, comprometimento, de todos os lados, de todos os envolvidos, principalmente quando o que se está em pauta é o ouvir, mas também falar.

Atualmente, nossos adolescentes sofrem danos diariamente de todos os lados, seja por subestimá-los em demasia, seja por menosprezá-los na mesma proporção. 

Fato é que as pessoas têm preguiça de tecer questionamentos e quando falamos adolescentes procuramos mais rotular do que compreender, mas é aí que lhes pergunto:

Você compreende os danos psicológicos que um adolescente pode sofrer?

Compreende a gama de demandas emocionais e sociais que o mesmo pode estar encubando, apertando, esmagando dentro de si mesmo?

Você é capaz de vislumbrar que nem tudo o que vemos como frescura de fato o é?

Nesse último final de semana, estava em uma reunião social onde acabou surgindo o assunto sobre a minha profissão, até que um dos convidados que estavam no local me vira e fala:

“Eu não acreditava em depressão, pânico, bipolaridade, essas coisas todas aí!”

Nesse momento uma enxurrada de pensamentos e emoções perpassaram minha mente e minha vontade era perguntar se o mesmo já havia vislumbrado a realidade dos transtornos psicológico.

Mas me segurei, mantive minha calma e apenas o elucidei sobre o triste fato de que nós seres humanos somos seres de pouca fé, sempre nos inclinando a crer somente naquilo que vemos, naquilo que vivenciamos, naquilo que sentimos na pele.

Confesso que não quis mais saber da sua história, pois outros diálogos no decorrer da noite já haviam me deixada bem inclinada a descer do salto.

Mas não tinha acabado, eis que o indivíduo fala diante de dois filhos adolescentes:

“Esses moleques não sabem nada da vida e se acham no direito de impor sua opinião!”

Sabe aquela vontade de revirar os olhos?

Pois é, eu a matei pois os revirei sem pudores e sem medo de parecer rude, afinal ele já havia tirado de mim qualquer esperança de fosse apenas um discurso de repetição, era opinião chancelada por ele mesmo e contra aquilo eu não poderia lidar, mas com vocês eu posso, e é o que farei.

O que nos adoece de maneira geral são fatores socioemocionais, falta de validação familiar, ausência da escuta ativa, os “Você não faz mais do que sua obrigação!”, os “8,5?

Você precisa melhorar seu desempenho, pois com o que eu pago para você não aceito menos de 10”, os “filha(o) você está acima do peso, precisa emagrecer!”

Mas daí vem o questionamento: Já pensou que existe uma maneira de orientar seu filho sem rotulações injustas e reprodução do que a mídia nos diz ser o correto?

Experimente as seguintes frases:

“Você sabe que tem tarefas a cumprir, quando acabar as mesmas pode fazer outras coisas, mas lembre- se que pode contar comigo se algo se mostrar difícil.”

“Espere 10 minutos filhos, preciso concluir meu trabalho no celular ou computador para que eu possa te dar atenção integral.”

“sei que está sofrendo, sei que dói, mas justamente por já ter estado em sua posição, sei que pode e deve sofrer agora, mas depois conte comigo para te ajudar a superar e não para te julgar.”

“Meu filho, vamos cuidar da saúde, se alimentar melhor. Pode ser que esteja acima do peso, mas a sua saúde deve vir em primeiro lugar.”

Percebem a sutileza no diálogo?

Os mesmos assuntos foram abordados, as mesmas coisas foram ditas, mas na primeira versão eu deixo de ser escutada na primeira fase e me torno a chata de galocha que não ser descontraída.

Já na segunda versão eu sou a acolhedora com quem o adolescente pode contar, nos fazendo sanar quaisquer dúvidas que venham a ter, isso quando não nos tornamos os pais ou responsáveis descolados que brigam quando necessário, mas que auxilia ao buscar uma solução por se preocuparem com os seus.

Pense nisso!

Nos vemos na coluna do próximo mês, Forte abraço.

Leia também: Desvendando a Adolescência: Você Esqueceu Que já Foi Adolescente ?

Ellen de Oliveira Moraes Senra – CRP 05/42764

Psicóloga especialista em Terapia  Cognitivo Comportamental, autora do livro digital Adolescer sem Vacilo: Compreendendo o Universo Adolescente

Experiência no atendimento clínico a Crianças e Adolescentes individual ou em grupo.

Contatos: Tel/Whatsapp (21)97502-4033

Email: ellenmsenra@gmail.com

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Carlos Costa

Carlos Costa

Psicólogo há 5 anos (CRP-06/122657), coach, empreendedor, músico, poeta e escritor. CEO e fundador do portal e plataforma “O Psicólogo Online”. Através de seus cursos e materias vem contribuindo com a psicologia e com os profissionais psicólogos para uma melhor prática da psicologia online no Brasil e com a valorização da profissão. É criador da plataforma de atendimento online “O Psicólogo Online” que auxilia psicólogos a agendarem e receberem por suas sessões de forma simples e segura e Co-Fundador do Instituto de Terapia Online, que capacita e certifica profissionais para atuarem online de acordo como o CFP.

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