Relações Raciais e a Psicologia: Saiba Mais Sobre Este Tema

relações raciais

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Olá,

É com muito prazer que inicio esta coluna, falando sobre a psicologia e as relações raciais, com o objetivo de dialogar e informar sobre tudo que envolve as relações raciais e a saúde da população negra.

E para falar sobre as relações raciais, precisamos falar sobre raça e racismo.

E o que é raça?

O conceito de raça surge como algo biológico e é difundido no século XIX com as teorias eugenistas que falavam que um fenótipo era superior aos outros, tanto moralmente, intelectualmente ou esteticamente e apesar de o projeto Genoma ter acabado com este conceito, dizendo que não existem raças e sim a raça humana, esse conceito já havia se cristalizado e se tornou uma construção social e cultural, ideia que perdura até os dias de hoje, quando o fenótipo branco é tratado como sendo superior aos outros.

E o que é racismo?

relações raciais Racismo é uma maneira de discriminar as pessoas baseada em motivos raciais ou cor da pele.

É um conjunto de ideias que defende a superioridade de uma população e inferioridade da outra; no caso a superioridade da raça branca e a inferioridade de negros e indígenas.

E como a psicologia dialoga com tudo isso?

A psicologia sendo uma ciência e profissão que estuda a subjetividade da pessoa humana e como os fenômenos culturais e sociais têm impacto no comportamento e nas relações entre as pessoas.

É preciso levar em conta que os conceitos de raça e racismo afetam uma determinada população, principalmente a população negra.

Esses conceitos precisam ser abordados e estudados e há diversos trabalhos de teóricos negros tratando sobre o tema, como a psicanalista Neusa Santos, as psicólogas Maria Lúcia da Silva, Maria Aparecida Silva Bento, o psiquiatra Franz Fanon e muitos outros.

relações raciais Desde a década de 2000 o Conselho Federal de Psicologia vêm pautando o tema das relações raciais e como a psicologia pode ajudar no enfrentamento ao racismo.

Sendo os psicólogos formadores de opinião e agentes de transformação social, devem agir nesta luta contra o racismo.

Em 2002 o Conselho Federal de Psicologia lançou uma resolução que fala que a atuação do psicólogo deve ser pautada na eliminação do racismo.

A resolução nº 018/2002 diz no artigo 2º que:

“Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a discriminação ou preconceito de raça ou etnia”.

E no artigo 3º “Os psicólogos, no exercício profissional, não serão coniventes e nem se omitirão perante o crime de racismo”.

Entretanto, ainda hoje há psicólogos que desqualificam os efeitos do racismo para a psique humana e dizem que o racismo não existe, causando ainda mais dor a pessoas que procuram o serviço psicológico como forma de aliviar o sofrimento fazendo com que a pessoa negra não se sinta acolhida e negando a legitimidade de seu sofrimento.

relações raciais Somente quem sofre com o racismo sabe quais são seus efeitos para a saúde mental.

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Só quem sofre racismo sabe os efeitos.

O racismo causa diversos efeitos psicossociais no sujeito negro e dentre eles a depressão e o suicídio são os que mais afetam a população negra.

As micro-agressões que o racismo causa no dia a dia da pessoa negra são capazes de levar o sujeito a:

  • Depressão;
  • Causar ansiedade;
  • Angústias;
  • Isolamento;
  • Culpa;
  • Medo;
  • Vergonha;
  • Solidão;
  • Desconfiança;
  • Dificuldades nas relações sociais e afetivas;
  • Dificuldades de aprendizagem;
  • Baixa autoestima;
  • Entre outros.

relações raciais A população negra é a que mais é assassinada no Brasil.

As mulheres negras são as que mais sofrem com a violência.

As mulheres negras são as que mais sofrem com discursos de ódio nas redes sociais.

As mulheres negras são as que mais são estupradas.

A população negra é a que mais é encarcerada.

Os negros são os que menos ocupam espaços de poder em cargos como juízes, promotores, psicólogos, médicos e outros.

Esses são alguns dos efeitos psicossociais que o racismo causa no sujeito negro.

Os psicólogos, principalmente os brancos, precisam reconhecer que o racismo é causador de sofrimento psíquico e agir contra o racismo.

relações raciais A filósofa negra Angela Davis diz que “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É preciso ser antirracista”.

Os psicólogos precisam adotar posições antirracistas, fazendo com que sua prática profissional seja pautada na luta contra todos os tipos de discriminações, incluindo a racial.

Os cursos de psicologia ainda não tratam efetivamente sobre o racismo e falta representatividade no corpo docente das instituições.

Os estudantes negros e negras não se sentem representados, não se vêem nem em seus professores nem em seus colegas, pois mesmo com as ações afirmativas ainda são pequenos os números de estudantes negros na universidade.

E falando em cotas, é preciso ter cotas?

Sim, porque ainda são poucos os negros que conseguem obter o diploma de ensino superior.

Estar na universidade é extremamente difícil para a população negra, pois os mesmos enfrentam diversos desafios depois de conseguirem entrar.

A questão da permanência é muito relevante para discutirmos.

Os estudantes não se sentem representados, não se vêem dentro das instituições, sofrem com a solidão e muitas vezes não se encaixam ao novo ambiente, pois na maioria das vezes vêm de periferias e estão acostumados com um mundo totalmente diferente, lutando assim para permanecerem no curso e se formarem.

relações raciais Ainda são muitos os desafios para eliminação do racismo na sociedade brasileira, que sim reconhece que é uma sociedade racista, mas não identifica quem são as pessoas racistas.

Mas o primeiro passo estamos dando agora, falando abertamente sobre o racismo.

Há muito que ser debatido, observado e estudado a cerca da psicologia e as relações raciais e falaremos disso em breve, no nosso próximo encontro.

Leia também o artigo sobre respeito as diferenças e fortalecimento da autoestima coletiva: https://opsicologoonline.com.br/respeito-as-diferencas/

Gratidão por ler até aqui, Gabriel Basilio.

[captura]

Gabriel Basilio é negro, tem 21 anos, é morador da periferia do Grajaú em São Paulo,  estudante de psicologia na FMU/SP sendo bolsista pelo ProUni. Estuda as relações raciais e como o racismo afeta a população negra. Está desenvolvendo uma iniciação científica sobre Os efeitos psicossociais do racismo no sujeito negro. É administrador da página A Psicologia Contra o Racismo. Participa das reuniões abertas do núcleo de psicologia e relações étnicorraciais do CRP-SP. Foi palestrante no Seminário Estadual de Psicologia e Violências Estruturais: 130 anos de abolição. E também foi representante dos estudantes do sudeste no encontro nacional em Brasília sobre a revisão das diretrizes do curso de psicologia. Gabriel acredita que para eliminar o racismo é preciso falar e debater sobre ele e que só através do conhecimento e da informação é possível superar esse problema atual e social.

Contatos: Tel/Whatsapp (11) 95847-8321

E-mail: Gabriel.basilio.barbosa@hotmail.com

Instagram: @apsicologiacontraoracismo

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Carlos Costa

Carlos Costa

Psicólogo há 3 anos (CRP-06/122657), coach, empreendedor, músico, poeta e escritor. CEO e fundador do portal e plataforma “O Psicólogo Online”. Através de seus cursos e materias vem contribuindo com a psicologia e com os profissionais psicólogos para uma melhor prática da psicologia online no Brasil e com a valorização da profissão. É criador da plataforma de atendimento online “O Psicólogo Online” que auxilia psicólogos a agendarem e receberem por suas sessões de forma simples e segura.

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