Relacionamentos abusivos dentro do contexto familiar e como isso afeta o indivíduo

Não só as mulheres sofrem com essa questão, por isso desta vez vamos refletir sobre os relacionamentos abusivos no contexto familiar
Woman and Man Fights While Sitting on Bed at Home

Como já disse anteriormente, relações abusivas podem ocorrer independente do sexo, da idade, da escolaridade, do ambiente…

Não só as mulheres sofrem com essa questão, por isso desta vez vamos refletir sobre os relacionamentos abusivos no contexto familiar…Quais as conseqüências eles podem trazer para os envolvidos? Tanto os agredidos como os agressores.

Não é raro vermos diariamente no noticiário casos envolvendo abusos entre familiares. Um idoso que sofreu abuso, uma criança que foi abusada pelo tio, primo, ou o próprio pai, o marido que espancou a esposa ou vice-versa…

Vemos com muita frequência esse tipo de notícia. Sim, o abusador (que tem perfil inseguro e controlador) pode ser quem menos esperamos alguém que primeiro conquista a confiança da vítima e depois, aos poucos, vai conseguindo tudo que quer dela, a chantageia emocionalmente, a faz sentir culpada pelo abuso que sofre.

A posição de poder que o abusador ocupa perante o abusado, o desejo de controle da situação e da pessoa, isso tudo trás sofrimento, independente do tipo e grau de relação que há entre os dois.

Os ciúmes, as atitudes, a possessividade, faz o abusador querer tomar para si o controle da vida do abusado, chegando à violência verbal ou física. As relações abusivas entre casais heterossexuais ou homossexuais têm mais visibilidade, no entanto não é raro encontrarmos casos onde um idoso sofreu abuso de um familiar ou da pessoa que era para zelar e cuidar de sua saúde e bem estar. Não podemos fechar os olhos e nos calar para esse tipo de situação.

Quantos casos temos visto ultimamente de idosos abusados em asilos, ou no contexto familiar? Aquela pessoa que está fragilizada por alguma doença e que muitas vezes não consegue mais responder por si só, que ao invés de ser cuidada, tratada com carinho é agredida violentamente.

É triste e até revoltante ver casos assim, que podem levar à morte do idoso, como vimos recentemente acontecer em cidade de Minas Gerais. Por isso é necessário toda cautela em relação aos lugares aonde deixamos nossos familiares, verificando quem são as pessoas que estão encarregadas de cuidar deles.

Tudo bem quando não podemos (por algum motivo) cuidar de nossos idosos, mas quando colocamos alguém para zelar por eles, seja fora de nossas casas ou dentro delas, temos que observar os comportamentos dos envolvidos. Se o idoso muda o comportamento, para mais agitado, mais retraído, se aparece com marcas estranhas no corpo…

Com as crianças o mesmo ocorre, o abusador, que pode estar na família, age de forma mais velada e faz ameaças à mesma, para que ela não fale à ninguém sobre as agressões. Nesses casos o abusador oferece brinquedos, usa de artifícios que “atraem” a criança e depois ainda a fazem acreditar que são responsáveis pelos abusos.

Na maioria das vezes os pequenos nem se questionam porque aquilo ocorre. Isso pode durar por anos…e ao contrário do que geralmente ocorre com o idoso, permanecer encoberto. E onde estão as leis para protegê-los, crianças, adultos e idosos abusados? Em comum, o que temos entre esses abusos é que há o poder sobre o outro e o prazer em ver o sofrimento dele.

Um outro fragilizado e que não consegue sequer tentar se proteger sozinho das agressões. Já nos abusos em relações entre casais o abusado (homens ou mulheres) sente medo, muitas vezes até de perder sua condição econômica, emocional, afetiva, por ser dependente do abusador e no fim acaba por perder a vida. 

Em qualquer um dos casos o apoio especializado é fundamental, com assistentes sociais, psicólogos, advogados, pois só assim a pessoa terá coragem e força para perceber e reconhecer que está vivendo uma relação abusiva e que precisa de ajuda para se libertar.

O apoio de pessoas amigas, que transmitam confiança, acolhimento, com as quais novos laços sociais e afetivos podem se formar ou fortalecer alguns já existentes, também é importantíssimo. A vítima precisa ser ouvida, seguir em frente e voltar a confiar em alguém, é tarefa difícil para pessoas que foram abusadas, seja crianças, adultos, ou idosos.

Alguns grupos específicos também podem ajudar muito na fase recuperação, quando o abusado já foi afastado do abusador. Na recuperação da autoestima e no trabalho das crenças que essa pessoa traz ao longo de sua vida, principalmente em relação a si mesma e aos relacionamentos que viveu.  

Por outro lado, o abusador deve igualmente cuidar de suas emoções e comportamentos, pois as conseqüências para ele podem ser gravíssimas, principalmente quando essas atitudes não são cessadas. A depressão, isolamento, ou até doenças físicas, podem atingir tanto o abusado quanto o abusador (quando cessam os abusos) e pode levar em casos extremos ao suicídio ou homicídio.

Para sair desses ciclos viciosos é necessário, para ambas as partes, tomar consciência da situação e entender que o que se vive não é saudável. Geralmente é uma repetição de padrões abusivos ao longo da vida e que devem ser rompidos para uma retomada da saúde mental, emocional e física dos envolvidos. 

Portanto, para nosso bem, vamos sempre tentar nos cercar de pessoas que amamos e relações saudáveis!

Leia também: Que tipo de relacionamentos você quer para sua vida? Tenho certeza que não são os abusivos!

 

Mellina (Mell) Mesquita é graduada em Comunicação Social e Psicologia (CRP 04/41155 e atua na cidade de Belo Horizonte. Trabalha como Psicóloga Clínica e Coach, com foco em relacionamentos, desenvolvimento pessoal e autoestima, de adultos (mulheres e homens).Idealizadora dos projetos “Expressão Corporal e Habilidades Sociais” e “Café com Mell”.

Contatos:
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Insta: @mellmesquitapsi
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