O Racismo Causa Sofrimento Psíquico Devido a Estes Fatores

O Racismo Causa Sofrimento Psíquico Devido a Estes Fatores

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Racismo

Olá pessoal,

Hoje quero tocar em um tema delicado, delicado porque falar de sofrimento nunca é fácil ou simples, envolve muitos sentimentos e às vezes muita dor, mas é preciso falar e nomear as coisas, para que possamos elaborar e enfrentar.

Jurandir Freire Costa (1984) diz que o racismo esconde sua verdadeira face, pois acontece de forma velada e causa o sofrimento no sujeito negro das mais variadas formas.

Leva o sujeito negro a desejar, projetar um futuro baseado na história a qual não pertence, se “embranquecendo” e vivendo uma vida que não é a sua, o faz idealizar uma identidade e corpo que nunca o pertencerá.

Nesse sentido qual a definição de racismo?

De acordo com o manual de referências técnicas para atuação do psicólogo: relações raciais (2017).

O racismo é uma ideologia de abrangência ampla, complexa, sistêmica, que penetra e participa da cultura, da política, da economia, da ética…

Enfim, da vida subjetiva, vincular, social e institucional das pessoas.

Trata-se de uma estratégia de dominação que estrutura a nação e cada um de nós e é pautada na presunção de que existem raças superiores e inferiores.

Sendo o racismo uma ideologia de abrangência ampla e que atravessa diversas esferas da vida, o mesmo se torna causador de sofrimento psíquico para aqueles que são considerados inferiores, como a população negra.

Jurandir Freire diz que o racismo é velado e faz com que o negro deseje ser algo que ele não pode ser.

Racismo  O negro acaba sofrendo porque vive constantemente tentando se encaixar em um padrão socialmente imposto para que seja aceito e acaba se “embranquecendo” para se enquadrar neste padrão.

Além de vários outros fatores que são perpassados pelo racismo.

A falta de representatividade é algo que gera muita angústia.

Olhar e não se ver, seja na universidade, na mídia ou nos espaços de poder.

Isso aos poucos está sendo mudado, mas ainda falta muito para que o negro se sinta representado e se sinta pertencente aos locais.

A dor de não pertencer é capaz de deprimir o sujeito, não se sentir parte, ser um estranho onde deve ser e estar.

O racismo como expressão de violência é um ato de terror, suas ameaças aterradoras provocam perturbações cotidianas no(a) negro(a).

Mesmo que se acredite que as ameaças racistas não se cumprirão, isso não faz com que desapareça o pavor de viver a humilhação, pois seu corpo carrega o significado do execrável, que incita e justifica a violência racial.

O racismo sobrevive num “vir a ser” interminável.

Você dorme e acorda, e ele está presente.

A psicóloga negra Maria Lucia da Silva fala do racismo como sendo essa experiência que causa terror, que assusta, o negro está sujeito a sofrer uma violência por simplesmente ser.

Racismo A cor de sua pele chega antes da sua voz.

Racismo

Racismo

Antes de falar a cor da pele ecoa e já diz o que ainda não foi dito em palavras.

O “vir a ser” ou a possibilidade de sofrer é gerador de angústia, viver tendo que se colocar a prova, se auto-afirmar, tendo que provar que é capaz muitas vezes causa tristeza e dor.

Desde a libertação do cativeiro o negro carrega um estigma, e sofre toda sorte de discriminação, que tem como base ideias de serem inferiores, portanto não merecedores de possibilidades sociais iguais.

Vivem a margem da sociedade em péssimas condições de moradia, saúde e escolaridade.

Os resquícios da escravidão ecoam na vida do sujeito negro, é como diz a frase da escritora Esmeralda Ribeiro “Aboliram a escravidão, não a condição”.

A condição de ser inferior, não merecedor ainda permanece, mesmo que inconscientemente, fazendo com que o processo de pertencimento e reconhecimento de suas próprias forças e capacidades seja prejudicado.

Nesse sentido a psicoterapia é uma grande aliada para promover auto-conhecimento e ajudar o negro a se libertar dessas crenças enraizadas e poder existir sendo o que é e sendo protagonista de sua própria existência.

O estudo das relações raciais na psicologia vem tentando entender como o racismo opera na psique humana e quais são seus efeitos na saúde mental do sujeito negro.

Há vários trabalhos sobre temas nesse sentido, mas a produção acadêmica ainda é pouca nessa área, e muitas vezes fica restrita apenas a população negra, fazendo com que outros não tenha esse conhecimento sobre o que o racismo causa.

A psicologia ainda tem um grande caminho a percorrer para incluir as relações raciais como disciplina de estudo dos psicólogos e reconhecendo que o racismo é gerador de angústia e atravessa a subjetividade das pessoas negras.

O trabalho do psicólogo deve ser de acolhimento e compreensão dessas dores, reconhecendo que o racismo existe e que cada dor é legitima, não desqualificando o que a pessoa negra traz ao consultório, como temos visto atualmente.

Acolha, respeite, procure entender e o benefício será para todos.

Recomendo que leia também: Relações Raciais e a Psicologia: Saiba Mais Sobre Este Tema

Até a próxima e gratidão por ler até aqui, Gabriel Basilio.

Gabriel Basilio é negro, tem 21 anos, é morador da periferia do Grajaú em São Paulo,  estudante de psicologia na FMU/SP sendo bolsista pelo ProUni. Estuda as relações raciais e como o racismo afeta a população negra. Está desenvolvendo uma iniciação científica sobre Os efeitos psicossociais do racismo no sujeito negro. É administrador da página A Psicologia Contra o Racismo. Participa das reuniões abertas do núcleo de psicologia e relações étnicorraciais do CRP-SP. Foi palestrante no Seminário Estadual de Psicologia e Violências Estruturais: 130 anos de abolição. E também foi representante dos estudantes do sudeste no encontro nacional em Brasília sobre a revisão das diretrizes do curso de psicologia. Gabriel acredita que para eliminar o racismo é preciso falar e debater sobre ele e que só através do conhecimento e da informação é possível superar esse problema atual e social.

Contatos: Tel/Whatsapp (11) 95847-8321

E-mail: Gabriel.basilio.barbosa@hotmail.com

Instagram: @apsicologiacontraoracismo

Facebook: A Psicologia Contra o Racismo

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