Quando a dor foi se transformando em amor…

Sofrer por um relacionamento...todos nós, que nos permitimos viver o que sentimos, já passamos por isso, infelizmente!

Sofrer por um relacionamento…todos nós, que nos permitimos viver o que sentimos, já passamos por isso, infelizmente!

É algo doído, uma dor que não conseguimos nem ao menos descrever. Mas também algo que pode ser libertador! E ela se apaixonou pelo seu jeito, por seus olhos, seu tom de voz, a forma como ele a olhava…

Não demorou muito e ela já estava “caidinha” por ele. Ele que era solteiro, tinha um bom emprego, mas que por comodidade, ainda morava com os pais, aos 46 anos. Só que ele tinha também uma “boa lábia” e foi aí que eles se conheceram, ele a envolveu e ela deixou-se envolver.

Aos 36, não é mais uma menina, responde por seus atos e embora não seja totalmente independente financeiramente, mora sozinha. Por carência e por oportunidade, começaram a se encontrar, alguns encontros, espaçados, “quando era possível”, até que ela ficou grávida! No susto?!

Embora ela afirmasse que não sabia, ou não queria, a verdade era que no fundo, ambos quiseram, pois sabiam muito bem como evitar…Dois estranhos…e assim permaneceram, se falaram algumas vezes durante os 9 meses, mas nada romântico. Aliás, a relação que “nem tinha começado direito” parou por aí e se tratavam como dois estranhos mesmo. Apenas conversavam coisas sobre o filho em comum.

Mas ao longo dessas conversas nada parecia correr muito bem…Frieza, indiferença, ele por alguns momentos chegou a pedir que ela abortasse…mas ela disse que teria a criança sozinha! Foi quando em um encontro marcado entre eles o rapaz se exaltou, deu um tapa nela e a derrubou.

A deixou caída no chão, ela já com 3 meses de gravidez…o perdoou, afinal ela tinha esperança que ele fosse mudar, a assumir e ao seu filho, mas não! Ela se levantou, foi embora da casa dele, chorando…Chorava pela tristeza que sentia, por não aceitar que as coisas fossem daquele jeito. “Tudo poderia ser diferente”, pensava ela. Em uma nova ocasião ele a segurou forte pelo braço e disse que aquele filho não era dele e que iria pedir um exame de DNA.

Ela chorou, disse que ele não podia desconfiar daquele jeito dela, pois ela o amava e era fiel a ele. Mas ele não acreditava, afinal de contas, para ele aquilo tudo não passou de passatempo, uma diversão de momento que teve conseqüências que nenhum dos dois imaginava, mas que assumiram os riscos. Definitivamente não estavam preparados para serem “pais”!

Ele queria continuar nas baladas, nas bebedeiras com mulheres diferentes, ela também, não queria perder sua liberdade…Mas agora a criança não tinha culpa! E as agressões continuaram…e ela sempre pensando que ele iria mudar, quando visse sua barriga crescendo, quando sentisse seu filho, quando ele nascesse…ela esperando que ele mudasse. Mas não mudou! Foi até que ele a agrediu com tanta força que ela foi parar no Pronto Socorro, com risco de perder a criança!

O medo de perder o filho se misturava ao medo de morrer e também de que ele não se preocupasse nem fosse ver como eles estavam…Justamente ele, quem os agrediu e não estava nem um pouco preocupado com a saúde de ambos, muito menos se sobreviveriam ou não. A família se preocupou com ela, disse que iriam denunciá-lo a polícia, mas ela não deixou…Seu argumento: ele era o pai de seu filho e o homem por quem ela era apaixonada. Ninguém a fazia mudar de idéia.

Essa mulher que já havia apanhado por tantas vezes durante a gravidez, do homem que deveria pelo menos guardar pela vida do seu filho, já que para ele a mulher nada significava. Depois dessa agressão a mulher jurou para si mesma que não veria mais aquele homem. Alguns dias depois, passado o risco de morte dela e da criança, ela voltou para a casa dos pais, pois lá estaria mais protegida. Conversaram sobre o melhor a fazer e decidiram denunciar o pai da criança!

Ele, no entanto, fugiu…Fugiu das responsabilidades, do crime que cometeu…Ela cada vez mais triste e depressiva…mas com o apoio da família e ajuda profissional, começou a trabalhar sua autoestima e a ferida que havia ficado em sua alma…Foi ficando mais forte, até que chegou o dia do nascimento de sua filha.

Desde então ela jurou para si mesma e para aqueles a quem ela amava de verdade e que retribuíam seu amor, que cuidaria daquele bebê para que ele fosse muito feliz! Assim ela transformou aquele amor doentio, por um amor verdadeiro, feito de cuidado, atenção carinho…um amor de mãe para filha.

E foi deixando cada vez mais para trás, as tristes lembranças daquele relacionamento abusivo, que tantas marcas ruins deixara em sua alma. E ela se fortalecia cada vez mais, pensando na vida feliz que queria dedicar à sua pequena.

Sim! Ela ressignificava a cada dia, aos poucos, as experiências ruins e as transformava em aprendizado…Dele ela não teve mais notícias, mas tem trabalhado dentro de si, o perdão a el. Sabe que não poderá negar um pai à sua filha e ela saberá quem ele é. Às vezes ela ainda chora escondido, ainda não conseguiu abrir seu coração novamente.

Mas sabe que quando se sentir pronta, poderá se apaixonar de novo, viver uma relação saudável, que a fará transbordar felicidade e amor próprio e não lágrimas e insegurança, medo e dor.

Leia também: Relacionamentos abusivos dentro do contexto familiar e como isso afeta o indivíduo

 

Mellina (Mell) Mesquita é graduada em Comunicação Social e Psicologia (CRP 04/41155 e atua na cidade de Belo Horizonte. Trabalha como Psicóloga Clínica e Coach, com foco em relacionamentos, desenvolvimento pessoal e autoestima, de adultos (mulheres e homens).Idealizadora dos projetos “Expressão Corporal e Habilidades Sociais” e “Café com Mell”.

Contatos:
Face: Mell Mesquita 
Insta: @mellmesquitapsi
Telefone/whatsapp: (31)9 9281-0708
Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn