Psicologia e Dinheiro: uma relação possível?

A Psicologia Econômica é uma área já consolidada na Europa e nos Estados Unidos e que vem crescendo bastante no Brasil nos últimos anos.
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Foi mais ou menos na metade da faculdade de Psicologia, quando eu iniciei paralelamente meus estudos sobre Educação Financeira, que comecei a perceber de maneira intuitiva o quanto a nossa relação com o dinheiro é profundamente afetada pelas nossas emoções, pelos nossos traumas, pelas nossas crenças, enfim, pela nossa forma de pensar, agir e ver o mundo.

Naquele momento, foi plantada uma sementinha na minha cabeça do que viria a ser o meu nicho de trabalho: a Psicologia Econômica e a Educação Financeira.

Nesse texto, que estreia a coluna Psicologia e Dinheiro, quero apresentar a vocês a Psicologia Econômica e o quanto ela pode contribuir para melhorar a vida financeira das pessoas, além de ser um nicho bastante interessante para psicólogos que estão à procura de uma temática para sua atuação profissional.

A Psicologia Econômica

A Psicologia Econômica é uma área já consolidada na Europa e nos Estados Unidos e que vem crescendo bastante no Brasil nos últimos anos, movimento encabeçado pela Professora Doutora Vera Rita de Mello Ferreira, em São Paulo.

Apesar de ainda não estar no currículo obrigatório dos cursos de Psicologia, algumas faculdades já ofereceram em algum momento disciplinas relacionadas a essa área.

Trocando em miúdos, o objeto de estudo da Psicologia Econômica é o comportamento econômico dos indivíduos, que são chamados de “tomadores de decisão”, e como esse comportamento influencia e é influenciado pela economia de uma forma geral.

É importante destacar que a economia tradicional não costumava considerar o aspecto emocional do ser humano e sempre tentou prever seu comportamento como se fosse um ser apenas racional.

Nem preciso dizer que essa maneira de prever o comportamento humano tem graves falhas, a começar pelo fato de que ignora totalmente o quanto nossas emoções afetam nosso processo de tomada de decisão.

A Psicologia Econômica, também chamada às vezes de Economia Comportamental, veio suprir essa lacuna, incorporando em suas pesquisas emoções, crenças, pensamentos, comportamentos e até mesmo aspectos culturais que influenciam nossa relação com o dinheiro.

Pessoas tomam decisões sobre dinheiro

Costumo dizer que é impossível não considerar os aspectos psicológicos da relação com o dinheiro, porque são justamente as pessoas que tomam as decisões sobre o dinheiro. Não somos robôs 100% racionais.

As pessoas estão o tempo todo sendo influenciadas por aspectos da sua vida psíquica, muitas vezes de maneira inconsciente, e isso se reflete, é claro, também na relação com o dinheiro.

Se uma pessoa, por exemplo, acabou de terminar um relacionamento e está abalada psicologicamente, sentindo-se triste e sem esperanças, se ela sair às compras nesse momento, a tendência é que acabe pagando mais caro por alguns itens ou acabe comprando coisas de que irá se arrepender depois.

Nesse exemplo, que já foi tema de pesquisa em Psicologia Econômica, verificou-se que sentimentos de tristeza fazem com que paguemos mais caro pelos mesmos itens.

Além desses, existem vários outros exemplos de como os aspectos psicológicos podem influenciar o uso do dinheiro.

Em momentos de euforia também podemos entrar em ciladas financeiras ou contrair dívidas sem pensar muito no futuro.

Quando algum gatilho ativa nossa ganância também podemos acabar caindo em golpes e pirâmides financeiras.

Os aspectos inconscientes das decisões

As decisões sobre dinheiro são chamadas de decisões econômicas, mas essa história não é só sobre dinheiro.

Toda decisão que envolve recursos finitos, como tempo, dinheiro, saúde, energia, recursos naturais, é um tipo de decisão econômica.

E mesmo quando não temos consciência das nossas escolhas, estamos decidindo.

Assim como a psicoterapia envolve o aspecto da tomada de consciência sobre padrões de comportamento, sentimento ou pensamento que se repetem e trazem frustração, nas decisões econômicas também acabamos repetindo certos padrões de tomada de decisão que afetam os nossos resultados com o dinheiro.

Sentimos que não conseguimos controlar o fluxo de dinheiro a que temos acesso, que não conseguimos poupar tanto quanto gostaríamos ou que não conseguimos resistir a determinados impulsos de consumo. Então quem está decidindo por nós?

Em todos esses casos, o processo de tomada de decisão está acontecendo, mesmo que de maneira inconsciente, fazendo com que fiquemos presos a uma relação pouco satisfatória com o dinheiro.

Trazendo consciência para a relação

Trazer mais consciência para a tomada de decisão é um dos objetivos da Psicologia Econômica. Assim é possível quebrar certos padrões e passar a ter uma relação melhor com o dinheiro e também com os outros recursos escassos (tempo, energia, recursos naturais etc.).

Se no momento do término do relacionamento a pessoa souber que tende a ficar vulnerável em situações de tristeza, ela evitará ir ao shopping naquele dia.

Se, por outro lado, ela compreender que está tentando suprir uma falta emocional por meio do consumo, ela terá condições de pensar sobre esses sentimentos e escolher um outro caminho.

De repente, ela poderá observar mais o autocuidado e o descanso nos dias em que estiver se sentindo triste, ou ligar para um amigo ou amiga e ter um contato humano verdadeiro, com alguém que realmente acolha seus sentimentos.

Ou seja, tendo mais consciência sobre como funcionam os seus mecanismos psicológicos relacionados ao dinheiro, a pessoa terá mais condições de fazer escolhas diferentes e que levem a uma vida financeira mais tranquila, mais consciente e com um propósito.

Uma relação necessária

A relação entre Psicologia e dinheiro, portanto, não só é possível como é necessária. No Brasil, 63,4 milhões de pessoas estão endividadas (dados julho de 2018), e a crise não promoveu a mudança de comportamento financeiro que era esperada.

Nós, psicólogos, sabemos que mudança de comportamento não é algo mágico e que acontece da noite para o dia, é preciso um trabalho sério, qualificado, e muito envolvimento da pessoa que deseja mudar de vida e da sociedade.

Há muito espaço ainda na nossa sociedade para trabalhar uma relação melhor com o dinheiro e, cada vez mais, é a Psicologia que está tomando a dianteira nessa temática.

Deyse Medeiros é psicóloga (CRP-01/20480) e servidora pública, graduada em Letras e Psicologia, com formação em Psicologia Econômica, e uma estudiosa apaixonada de Educação Financeira. Atua como psicóloga online na abordagem psicanalítica e na interface entre Psicologia Econômica e Educação Financeira.

 

Acredito que quanto mais conscientes estivermos de como nossas emoções afetam nossa relação com o dinheiro, mais capazes seremos de tomar boas decisões. Decisões que realmente reflitam nossa verdade interior, que estejam alinhadas com nossos sonhos e metas, enfim, que nos conduzam a uma vida melhor e mais rica, não só de dinheiro, mas também de experiências e possibilidades.

Contatos:

Website: https://deysemedeirospsi.com.br/

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Carlos Costa

Carlos Costa

Psicólogo há 5 anos (CRP-06/122657), coach, empreendedor, músico, poeta e escritor. CEO e fundador do portal e plataforma “O Psicólogo Online”. Através de seus cursos e materias vem contribuindo com a psicologia e com os profissionais psicólogos para uma melhor prática da psicologia online no Brasil e com a valorização da profissão. É criador da plataforma de atendimento online “O Psicólogo Online” que auxilia psicólogos a agendarem e receberem por suas sessões de forma simples e segura e Co-Fundador do Instituto de Terapia Online, que capacita e certifica profissionais para atuarem online de acordo como o CFP.

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