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Psicofármacos e Luto

Psicofármacos e Luto: É Necessário Medicar a Perda? Descubra Aqui!

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

PSICOFÁRMACOS E LUTO: É necessário medicar a perda?

Neste artigo será abordado o processo que envolve o luto e em quais casos é indicado o uso de medicamento para amenizar os sintomas e quais os casos essa prescrição se faz desnecessária.

Vale lembrar que as informações aqui são sempre dadas de modo geral, sendo de suma importância uma avaliação médica e psicológica para averiguar a situação no caso a caso.

Para iniciar a temática, é relevante salientar que engana-se quem pensa que o luto se refere apenas à perda de um ente querido. Psicofármacos e Luto

Na verdade, a perda é muito mais abrangente em nossa vida, fazendo parte da nossa existência desde que nascemos.

Perdemos o aconchego do útero e somos lançados para fora dele sem garantia de nada.

Desde a infância vivenciamos situações de luto e isso é importante para a nossa constituição psíquica. Psicofármacos e Luto

De certo modo, perante as exigências que a civilização nos impõe, a vida é recheada de renúncias.

Para crescer, é fundamental abrir mão de elos emocionais cultivados no âmbito pessoal, profissional, social e familiar. Psicofármacos e Luto

Como exemplo, na transição entre a infância e a fase adulta, perdemos a espontaneidade em dizer o que se pensa sem filtro, perdemos a leveza em não ter responsabilidades para nos preocuparmos, temos de abdicar do corpo infantil e todos os “privilégios” que esse período nos proporciona.

Além disso, perdemos também o amor platônico adolescente, perdemos a nota na prova, perdemos a coragem em arriscar sem medir as consequências.

E como se não fosse suficiente, perdemos o emprego, perdemos a energia jovial e dentre tantas outras coisas.

 Psicofármacos e Luto Vocês percebem que a todo instante somos rodeados de perdas?

Psicofármacos e Luto
Psicofármacos e Luto

Tal palavrinha é como uma sombra que sempre está ali – nós queiramos ou não –  e, por ser algo que faz parte do nosso cotidiano, temos de saber lidar o mínimo possível para vivermos em sociedade. 

Nesse sentido, a capacidade de o indivíduo, desde a infância, de se adaptar às novas realidades produzidas diante das perdas, servirá como modelo diante de vivências posteriores.

Ou seja, inconscientemente, todas as dores, perdas, separações de nossa existência estão interligadas, o que ocasiona uma revivência dessas situações no momento em que uma nova dor nos atinge.  Psicofármacos e Luto

A constante ameaça de perda se intensifica ainda mais quando esta refere-se, agora sim, à de um ente querido.

O encontro com a morte chega a ser devastador para a maioria das pessoas. Somos pegos de surpresa, já que nesse aspecto nada é previsível.

 Psicofármacos e Luto Assim, o luto é um período complicado por envolver um turbilhão de emoções que invade o estado emocional do sujeito enlutado.

Psicofármacos e Luto
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Mas, a reação diante da morte varia de acordo com a história de vida de cada um, além da intensidade do vínculo estabelecido diante da pessoa que de fato morreu ou diante de algum tipo de separação.

Dessa forma, as consequências físicas e psíquicas também variam de acordo com as tão conhecidas fases do luto (E por serem tão conhecidas, não me centralizarei em descrevê-las).

São elas:  Psicofármacos e Luto

  1. Negação
  2. Raiva
  3. Barganha/Negociação
  4. Depressão
  5. Aceitação

Vale ressaltar que não necessariamente essas fases ocorrem nesta ordem, elas podem se misturar e ir e vir em diversos momentos.

Também não são todas as pessoas que passam por todas elas, alguns podem passar por todos e outros menos, mas ao menos uma fase será vivenciada. Psicofármacos e Luto

Logo, é justamente sobre essas fases que irei salientar a respeito da prescrição de medicamentos para o alívio dos sintomas mais comuns entre as pessoas que sofrem com alguma perda.

Freud, o pai da psicanálise, teorizou a respeito do luto e contribuiu muito para o entendimento desse processo.  Psicofármacos e Luto

Para ele, o luto é um processo lento e doloroso, que tem como característica uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915).

Assim, podemos observar que no luto o indivíduo se depara com a perda real do objeto amado e o processo de desligamento deste, seja por morte ou separação, é uma tarefa difícil que nos põe à prova, já que nos “obriga” a nos reconstituir.

Apesar da tristeza profunda, a perda é superada após certo tempo e há uma reestruturação do mundo interno.

Por isso, a prescrição de algum psicofármaco para aliviar o sofrimento não é bem vinda, já que o sujeito tem condições emocionais de passar por essa fase e se reerguer psiquicamente após esse período.

Freud faz uma ressalta e diz que embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui uma atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considera-lo como uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. (FREUD, 1915). Psicofármacos e Luto

Sob essa ótica, atualmente, é notória a intolerância à frustação, recusa do sofrimento e uma busca de soluções rápidas para qualquer problema que se apresente na vida do sujeito.

A contemporaneidade cobra resultados em curto prazo na resolução de problemas como um todo e nossa vida emocional não está de fora desse pacote.  

Na clínica, é evidente o quanto as pessoas querem cronometrar o tempo que irão resolver alguma questão e a busca incessante por um alívio imediato.

Nesse contexto, os medicamentos caem como luva.

Porém, podem mascarar e/ou adiar um sofrimento que, após a suspensão do remédio, pode retornar de forma ainda mais intensa.

Para tanto, é necessária sublinhar a diferença de luto e melancolia, já que essa última seria um luto anormal/patológico.

Geralmente há intensa lamentação e a tristeza se perpetua por um tempo maior.

Nesses casos, o indivíduo se sente ameaçado no que se refere à própria completude, já que a relação vivida com o objeto de amor caracterizava-se como simbiótica, ou seja, duas pessoas se condensavam em apenas uma – no sentido simbólico. Psicofármacos e Luto

Logo, se existe a perda dessa unidade, o sujeito se identifica com o objeto perdido e há o que chamamos de “hemorragia de libido”, em outras palavras, há um esvaziamento de energia física e psíquica.

A pessoa não consegue se reestruturar emocionalmente e há um risco de suicídio, já que este pode surgir a única alternativa para cessar o sofrimento decorrente da desintegração do ego.

Psicofármacos e Luto É justamente nesses casos em que a prescrição de psicofármacos se faz necessária, já que eles poderiam assumir a função de moderadores desses atos impulsivos.

Psicofármacos e Luto
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Então, a aliança entre Psiquiatria e Psicologia nesses casos é imprescindível visto que o recurso da elaboração da perda é muito precário, quando não inexistente.  

Portanto, em vez de fazer indicações generalistas, é importante que os profissionais sejam sensíveis à história de vida de cada sujeito, assim como aos sinais que cada paciente transmite, para, finalmente, definirem juntos uma estratégia de tratamento.

Por fim, finalizo esse texto com uma frase de Colette citada por Judith Viorst, em seu livro Perdas Necessárias:

“É a imagem na mente que nos une os tesouros perdidos, mas é a perda que dá forma à imagem”.

Recomendo que leia também: Psicofármacos: O Ser Humano Comprimido Em Um Comprimido.

Fernanda Martins

Fernanda Martins é psicóloga (CRP 04/45295), formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – campus Coração Eucarístico.

Bastante interessada pela temática sobre os psicofármacos, é idealizadora do projeto “Janela Psicológica”.

Sua proposta é tornar a psicologia acessível, rumo ao universo da mente humana por meio da janela – interna de cada um.

Atua na área clínica em Santo Antônio do Monte / MG e realiza atendimentos com crianças, jovens, adultos e idosos, além de desenvolver trabalho no âmbito da educação infantil na escola “Viver e Aprender”.

Quer conhecer mais sobre seu trabalho? Acesse e entre em contato:

Instagram / Facebook / YouTube: Janela Psicológica

Email: fernanda.martins.psicologa@gmail.com

Telefone: (037) 9 9937-6154

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