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Pseudodemência

Pseudodemência e Depressão: Conheça as Diferenças!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Pseudodemência

No mês de Maio de 2017, mais precisamente no dia 07 a OMS lançou uma campanha de conscientização sobre a Depressão no Dia Mundial da Saúde.

Mas muitas vezes quando se toca nesse tema nossa mente nos remete rapidamente ao psiquiatra e para alguns a psicoterapia.  Pseudodemência

Sendo assim quase ninguém vai associar o trabalho do neuropsicólogo a esse transtorno, que é cada vez mais frequente.

E quando não tratado ou tratado de forma inadequada pode causar um grave impacto na vida das pessoas.

Então, aqui neste espaço resolvi falar da parte neuropsicológica envolvida na depressão.

Eu quero falar e esclarecer que essa condição também afeta o funcionamento do nosso cérebro, e que quase ninguém toca nesse assunto.

Mas se você já teve depressão ou conheceu uma pessoa com esse diagnóstico, e principalmente se conviveu com essa pessoa, deve ter se dado conta que estava meio aérea, com dificuldade de manter sua atenção ou de reter informações novas.

Talvez uma impressão de que a pessoa está fazendo as coisas no automático.

Isso é muito comum, principalmente nos casos mais graves de depressão, onde pode acontecer o que chamamos de comprometimento cognitivo leve e até mesmo surgir um quadro que leva o nome de pseudodemência.

O comprometimento cognitivo leve, como o próprio nome diz, se refere a um estado de pouco prejuízo do funcionamento do nosso cérebro.

Algo que muitas vezes no início passa despercebido de tão “suave” que se apresenta.

Parece ser passageiro, e pode realmente ser, mas também pode se agravar, porém não é o mais frequente.

Mesmo sendo algo leve e momentâneo não é bom ignorar e deixar passar, o melhor mesmo é tratar, não só com medicamentos, mas também com exercícios de estimulação, algo que faça reativar novamente o funcionamento adequado do cérebro.

Esses estímulos fazem com que posamos produzir e recaptar novamente o que chamamos de neurotransmissores, que são os responsáveis pela transmissão de informações que acontecem a cada estímulo que recebemos, seja espontâneo ou provocado.

Já a pseudodemência é um quadro mais severo, e como o próprio nome já diz remete a um quadro demencial, como os que vemos tipicamente em idosos.

Pseudodemência
Pseudodemência

E para quem não conhece bem as duas condições, há grande dificuldade em saber diferenciar.

Elas são muito similares em seus sintomas, porém no que se refere a neuropsicologia, mais especificamente a avaliação neuropsicológica, há pontos importantes a serem considerados e levados como critério para ajudar a distinguir ambos.

Num quadro depressivo, por exemplo, há grande falta de disposição da pessoa em fazer os testes.

Em alguns testes a pessoa vai muito bem e em outros nem tanto, não mostra esforço para pensar, dando respostas vagas, superficiais ou dizendo que não sabe, fica negativo ou irritado durante a avaliação, um reduzido fôlego atencional.

Normalmente não estão desorientados no tempo e espaço. Pseudodemência

Conseguem nomear figuras e objetos sem dificuldade, conseguem fazer desenhos…

Porém a falta de vontade de conversar e trocar ideias, e seu comportamento não é típico de um quadro verdadeiramente demencial.

Nesse contra ponto, no quadro de demência a pessoa apresenta desejo e empenho ao fazer os testes.

O desempenho é gradativamente pior, respostas dadas com tentativas mal sucedidas.

Se mostra colaborativo, seu fôlego atencional varia de acordo com a forma de demência apresentada.

Se desorienta em relação ao tempo e espaço, apresenta dificuldade de nomear objetos e figuras, tem dificuldade ao fazer desenhos simples, consegue manter uma conversa familiar e trocar ideias e seu comportamento é compatível com um quadro de disfunção cognitiva.

Talvez lendo o texto, possa até parecer fácil para um leigo tentar identificar e diferenciar um quadro de pseudodemência de um quadro demencial de fato.

Porém não é tão simples, pois estes quadros se confundem facilmente.

E quando trabalhamos com avaliação neuropsicológica ainda temos que nos deparar com aqueles que por qualquer razão querem apresentar um desempenho ruim na testagem.

Neste ponto cabe ao avaliador mostrar conhecimento e sensibilidade para discernir diante do que se encontra.

Diante de tudo isso ainda temos que conhecer as possíveis combinações das condições mencionadas.

Pseudodemência Pois um quadro demencial pode desencadear um quadro depressivo ou os dois podem coexistir na pessoa.

Pseudodemência e Depressão
Pseudodemência e Depressão

E também há os dois casos já citados aqui, onde temos a demência na depressão e a depressão com prejuízo cognitivo.

Neste contexto, é esperado que o leitor compreenda que um caso de depressão não é somente uma condição para se olhar somente para os sentimentos e as emoções das pessoas.

Mas sim para se preocupar também com seu funcionamento como um todo.

Pois pessoas nesta condição nem sempre aparentam tristeza, desanimo ou falta de interesse de forma explicita.

Por esses motivos, saber observar outras questões é de suma importância.

Da mesma forma, quem tem depressão normalmente não percebe os prejuízos cognitivos que está sofrendo.

Somente tem a reclamar das dificuldades, mas sem conseguir perceber o quanto isso tem impactado em sua vida e normalmente não percebe quando a piora.

Também é necessário estar atentos aos quadros de demência, pois geralmente pelos sintomas da própria doença serem muito parecidos acabamos deixando passar despercebido um quadro de depressão.

E não o tratamos de maneira adequada, já que cada condição necessita de uma intervenção diferente para ter o efeito necessário.

Temos o hábito de acreditar que é típico da demência ou até mesmo do envelhecimento tender ao isolamento social, reclamar com frequência das coisas e da vida.

Mas isso pode ser um sintoma de algo além do envelhecer, algo além da demência, pode ser um sinal que deve ser avaliado e acompanhado para saber para onde vai.

Vale ressaltar aqui, se não ficou claro, que não é toda pessoa idosa que vai ter demência e nem que somente pessoas idosas podem ter demência.

Pois uma pessoa relativamente “jovem” pode apresentar um quadro de demência precoce, ou um comprometimento cognitivo leve por alguma outra questão.

Pseudodemência E sempre devemos ter um olhar aberto para todas as possibilidades, pois cada ser humano é único e não podemos nos prender a padrões como se não houvessem outras possibilidades.

Então o melhor é procurar por profissionais capacitados e atualizados que possam direcionar o caso da melhor forma possível para não adiar ou até mesmo errar no tratamento da pessoa afetada por qualquer uma dessas condições.

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Andrea Luccas é psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia, sua grande paixão.

O foco do seu trabalho é a avaliação e reabilitação de pacientes de todas as faixas etárias, desde crianças de 2 anos e meio até idosos de 89 anos.

Além do trabalho na clínica, desenvolve palestras, workshops, cursos e rodas de conversa sobre os mais variados temas ligados à neuropsicologia.

Contato: (11) 985993281 (WhatsApp)

E-mail: contato@psicoandrealuccas.com.br

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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