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Por Que os Contos de Fadas Continuam Atuais?

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

[…] disponho-me então a dedicar este livro

à criança que esse adulto um dia foi.

Todos os adultos já foram crianças.

(Mas poucos se lembram disso.)

 

Antoine de Saint-Exupéry

Na última quinzena conversamos um pouco sobre qual seria o nosso conto de fadas, revisitando, assim, brevemente a origem desses enredos (Você já Parou Para Pensar Qual é o Seu Conto de Fadas?). Isso nos leva, no texto de hoje, à seguinte pergunta:

Por que os Contos de Fadas continuam atuais?

Esse questionamento pode ser respondido de diferentes maneiras. Vamos aqui nos ater ao viés psicológico. Pelo olhar da Psicologia Analítica (Junguiana), os contos estão carregados de simbolismos, consequentemente de cargas afetivas (arquétipos).

Os arquétipos são imagens típicas, aquelas imagens que todos nós temos a respeito de algo, mas que cada um atribui um significado particular com base nas suas experiências tanto individuais quanto coletivas.

Por exemplo, um arquétipo universal e presente não só em nossas vidas como nos contos de fadas é o arquétipo materno. Contudo, cada pessoa terá a sua representação deste arquétipo.

A imagem de mãe pode representar para alguns acolhimento e proteção, já para outros ameaça e medo. Tudo isso depende de como se desenrolou a nossa relação com a figura materna.

Jung, no volume XI/V de suas obras completas, parágrafo 845, menciona que “os arquétipos são como órgãos da psique pré-racional.

São sobretudo estruturas fundamentais características, sem conteúdo específico e herdadas desde os tempos mais remotos”.

Os arquétipos, portanto, encontram-se na camada mais profunda da psique. É no inconsciente coletivo que nos deparamos com essas imagens primordiais (arquétipos). De modo que, o inconsciente coletivo é aquilo que passa de geração a geração, de cultura para cultura.

Os contos de fadas e os arquétipos presentes nessas histórias perpassam o tempo, fazendo com que esses enredos continuem atuais mesmo depois de séculos. Como mencionei mais acima, e nos artigos anteriores aqui na coluna, os contos estão imersos em simbolismos, e os símbolos nada mais são do que imagens.

As imagens nos despertam emoções sejam elas boas ou não tão boas assim. Por isso, haverá contos com os quais iremos nos identificar e aqueles que nem faremos questão de ler até o fim.  

O fato de esses escritos continuarem atuais é porque eles têm muito a nos dizer sobre nós mesmos. Recordam-se que expliquei em outro momento, que os contos são o espelho da psique?

Então, as novas leituras dessas histórias feitas no campo literário e cinematográfico apontam para essa revitalização dos nossos conteúdos internos.

A modernidade e evolução da vida do ser humano trouxeram muitas mudanças. Porém, com isso, acabamos por nos esquecer da criança que um dia fomos.

Perdemos o contato com nossa criança interna!
Perdemos o contato com nossa criança interna!

Esquecemos a nossa criança interna e o que esta sentia ao ler as linhas mágicas das histórias de fadas. Isso me fez lembrar uma fala do autor Hans Dieckmann (1986, p.11):

Após a infância jogamo-los fora como se não tivessem valor. “É somente um conto de fada”, dizemos, e o deixamos apodrecer num quarto distante.

Até, quem sabe, passarmos a viver uma situação – seja uma séria doença da alma, seja uma crise na vida – em razão da qual, por necessidade, abrimos esse quarto. Também aqui – assim se poderia dizer – algo está apodrecendo, enquanto durante muitos anos não nos preocupamos com seu conteúdo.

Ou seja, os contos de fadas permanecem atuais, para trazer à nossa consciência o que estava encoberto. A ressignificação dos contos esta aí, para, em partes, nos fazer relembrar daquilo que há muito tempo ficou esquecido: a nossa capacidade de transformação!

Um beijo e uma (re)descoberta,

Juliana. 

Leia Também: (Re)descobrindo os Contos de Fadas

julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575). Tem Especialização em Psicologia Analítica. Atua na área clínica atendendo jovens e adultos. Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas. É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná. Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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