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O complicado Jogo Das Relações Interpessoais

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

As relações interpessoais são crivadas de situações onde entram em ação toda nossa força emocional e racional, pois vencer desafios relacionais restaurando equilíbrio não é tarefa simples, envolve nossa real motivação para compreender nossos próprios caminhos, os caminhos de nossos complementares e de todos que, de uma forma ou de outra, serão afetados por nossas ações.

Algumas questões que nos assolam o tempo todo são: Devemos ou não tomar esta ou aquela decisão? Quando devemos “ceder” aos caprichos do outro? Quando devemos radicalizar e tomar decisões definitivas como rompimento? Quando podemos ativar nossa capacidade de tolerância e “passar por cima” dos defeitos do outro? Quando precisamos somente ouvir e refletir e não construir uma resposta?

Compreendo que responder a estas questões levaria uma vida inteira para produzir material para estudo, mas a proposta não é responder a tudo, e sim mostrar que existem fatores que podem nos ajudar a compreender os mecanismos que estão mantendo as relações da forma que estão.

Vamos começar a viagem colocando 4 aspectos que me parecem fundamentais para compreendermos nossa própria atuação nas relações interpessoais.

  1. Papéis Sociais;
  2. Influência das Expectativas;
  3. Sonhos de Relação;
  4. Objetivos das Relações.

O papel pode ser definido como uma pessoa imaginária criada por um autor dramático. Pode ser um “modelo”, roteiro, para a existência ou uma imitação dela. Pode ainda ser uma personagem ou função assumida na realidade social, por exemplo, um policial, um juiz, um médico ou um deputado. E por fim o papel pode ser definido como as formas reais e tangíveis que o “EU” adota.

A grande questão sobre o papel é o conflito existente entre as exigências do papel e as exigências de sua pessoa privada (self), é o que costumamos chamar de conflito papel-pessoa.

Como exemplo de papéis podemos citar o papel de Pai, Mãe, Filho, Primo, Prima, Amigo, Profissional, Cliente, Policial, Deputado, Presidente entre outros e se observarmos com mais cuidado vamos perceber que alguns deles são bem pessoais e outro mais coletivos, isto quer dizer que alguns tem sua complementariedade nos contextos mais privados e outros nos contextos mais sociais.

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Essa diferença exige formas diferenciadas para as nossas ações. Outra questão importante no que diz respeito aos papéis é o complementar, que será o papel que vai interagir com o meu papel em ação.

Dessa complementariedade é que vão surgir os conflitos. E é preciso habilidade para compreender essa diferença e atuar de forma adequada.

A interação entre os papeis se dá através de 4 vertentes que são fundamentais para que a relação aconteça de forma harmônica.

  1. Percepção do Papel;
  2. Assunção do Papel;
  3. Desempenho do Papel e
  4. Criação no Papel.

Perceber o papel envolve assimilar todos atributos que legam coerência às relações, por exemplo quais as responsabilidades que o papel exige, quais as vantagens que o papel oferece e quais as perspectivas futuras para a relação.

Assumir o Papel, envolve o compromisso com a ações que o papel exige, por exemplo para se poder dirigir é preciso assumir o controle do automóvel, para atuar como Psicólogo é preciso obter a formação adequada etc.

Desempenhar o Papel, é fazer acontecer, é agir de acordo com os atributos percebidos e assumidos, por exemplo, no papel de Pai é necessário que a criança seja registrada legalmente no seu nome, seja filho natural ou adotivo.

E quando registramos nossos filhos estaremos percebendo, assumindo e desempenhando o papel. Na educação dos nossos filhos é que vamos perceber mais claramente o desempenho, permitir ou não o filho ir a algum lugar, repreender o filho por conduta inadequada, etc.

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Por fim, criar no Papel, quer dizer, fazer com o papel que percebemos, assumimos e desempenhamos, tenha agora uma configuração caracterizada pelas nossas próprias contribuições.

Esta é a fase em que conferimos ao papel um caráter pessoal e particular de como funcionamos, é quando colocamos nossas próprias concepções de vida e valor no desempenho de determinado papel.

Quando acontecem os conflitos nas relações interpessoais?

conflitos nas relações interpessoais
conflitos nas relações interpessoais

Os conflitos relacionais acontecem, muitas vezes, a partir de situações em que não percebemos direito quais as exigências do papel, ou quando não assumimos claramente os compromissos com o papel, ou ainda quando nos omitimos diante de situações que exigem nossa ação e nós não agimos.

Uma das influências mais significativas nas relações interpessoais, são as EXPECTATIVAS que são colocadas em função das atribuições e configurações dos papeis.

Imagine uma criança ao nascer, ela já é ao nascer, filha, sobrinha, neta, irmã, vizinha, paciente, enfim uma série de papeis que lhe são atribuídos e nem consciência disso ela tem.

Esse fenômeno acontece em todos os papeis, o que esperamos do nosso chefe, do nosso parceiro, do nosso irmão, do nosso amigo etc. faz com que criemos expectativas que serão ou não atendidas por nosso complementar.

De uma forma geral, as frustrações são fruto de expectativas não atendidas, embora muitas vezes nem façamos ideia de que algo era esperado de nós.

Os SONHOS de relação que desenhamos estará também no rol das expectativas embora de forma um pouco mais sutil, quer dizer, sonhamos com….e imaginamos que o “outro” irá adivinhar nosso sonho, resultado, conflito… muito embora acreditemos que todos sonhem com a mesma coisa.

Os OBJETIVOS das relações também são importantes no que diz respeito aos resultados das interações, exemplificando, quando nos casamos imaginamos que o objetivo específico dessa relação poderá ser “constituição de uma família”, “geração de filhos”, “obter um companheiro (a) para vida toda” e muitos outros.

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Grande parte dos conflitos interpessoais decorrem de desacordos e desentendimentos ao nível dos papeis, ou seja, um dos membros da relação apresenta dificuldades na percepção dos atributos do papel e seu complementar tenta inadvertidamente suprir particularmente essa falha de percepção. É o que se percebe por exemplo nas queixas que alguns homens fazem sobre a “”mania de controle” das mulheres.

Outras vezes o conflito pode ter origem na falta de coragem em assumir as responsabilidades do papel e o outro faz as compensações, o que é extenuante e cansativo e leva a conflitos bastante sérios.

Por vezes acontecem falhas no desempenho, quer seja por falta de habilidade, quer seja por “preguiça”, e aí o outro assume o papel do “carrasco” e passa a maior parte do tempo cobrando do parceiro as ações que devem ser desempenhadas.

Acredito que essas informações podem auxiliar as pessoas a se perceberem em suas atuações dentro do contexto dos papeis.

O que fazer para manter relações interpessoais mais saudáveis?

relações interpessias saudáveis
relações interpessias saudáveis

Para concluir, vou me atrever a sugerir algumas ações que podem ser utilizadas para que as relações possam frutificar e produzir resultados satisfatórios para ambas as partes da relação.

  • Fique atento às características que o papel está exigindo, e perceba suas motivações que te levaram a escolher determinado papel.
  • Preste toda atenção possível em suas próprias emoções, concentre-se nos sentimentos que determinada relação provoca em você.
  • Formule, mesmo que mentalmente, uma ideia do que está acontecendo entre vocês.
  • Faça uma pergunta ao seu complementar sobre o que está acontecendo com você.
  • E volte novamente a prestar atenção no que está acontecendo entre vocês.

Esse ciclo não tem fim, mas ele ficará mais sereno à medida que cada parte da relação vai se sentindo mais à vontade na relação com o outro, ou seja, quando somos espontâneos, as relações tendem a fluir com mais equilíbrio e harmonia.

Rubens de MelloRubens de Mello é Psicólogo (CRP 02/2779) com especialização em Psicodrama e atua na clínica. Consultor em Recursos Humanos há mais de 20 anos em empresas nacionais e multinacionais. Na academia trabalha como professor Supervisor e Terapeuta Didata em Psicodrama.

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Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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