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Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico

Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico

Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico.

“(…) o país dos contos de fadas se encontra em nossa alma”

(Hans Dieckmann)

Como temos acompanhado aqui na coluna os Contos de Fadas são enredos atemporais, que perpassam o tempo.

E, se os contos, pelo olhar da Psicologia Junguiana, são o espelho da psique, consequentemente eles contribuem para o desenvolvimento psíquico de cada ser humano.

Não diria, com isso, que é um erro, mas, sim, um equívoco associar essas histórias somente ao público infantil e ao seu desenvolvimento.

Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico Afinal, os contos contribuem e muito para o crescimento de todos nós, independente da idade e independente da fase de vida que nos encontramos.

Em outro artigo, inclusive, já mencionei que esses enredos continuam atuais, em partes, para auxiliar na reconexão com a nossa criança interior.

Recomendo que você leia também: A Magia Dos Contos de Fadas no Setting Terapêutico

Ainda para a Psicologia Junguiana, compreende-se que a meta da vida é o processo de individuação, isto é, tornar-se de fato quem nós somos.

Como o nome implica é um processo que acontecerá durante o decorrer de todo o nosso conto de vida.

Esse é um caminhar circular, em espiral, uma vez que retornaremos para questões muito parecidas, contudo, sempre de maneira diferente.

Mas, Juliana, como assim de maneira diferente?

Vamos pensar nessa ideia nos atentando aos próprios contos de fadas.

Em muitos contos o herói sai do seu reino ou do seu vilarejo para, por exemplo:

  • combater algum monstro,
  • encontrar algum objeto mágico,
  • realizar alguma tarefa para salvar a si mesmo e o seu povo.

Ao retornar para o local de onde saiu ele nunca retorna da mesma maneira, ele aprendeu algo com e na sua jornada.

Ele retorna transformado.

O mesmo acontece conosco.

Vivenciamos situações muito similares entre si, porém que podem ser encaradas diferentemente; o que muda é o nosso olhar frente a esse evento, a nossa maneira de agir.

Por mais que cometamos o mesmo erro, o mesmo comportamento, em um dado momento faremos algo novo, o que nos movimentará para um novo olhar, uma nova (re)descoberta.

Quando lemos um conto de fadas encontramos nessas linhas mágicas muito de nós mesmos, de quem nós somos, do mesmo modo que nos deparamos com possíveis soluções para nossos “problemas”.

Por mais que, conscientemente, não percebamos qual o sentido da história, qual é essa solução, o nosso inconsciente está captando isso com maestria.

Na sua origem o propósito dos contos era não somente divertir a população como também educá-la, uma vez que a maioria do povo não tinha acesso aos estudos.

Era por meio desses enredos que eles aprendiam sobre a vida em seus aspectos positivos e negativos.

O mesmo continua acontecendo na atualidade, os contos nos educam, nos ensinam e nos auxiliam em nosso desenvolvimento psíquico.

À medida que a época muda os contos se revitalizam e trazem à superfície temáticas envolvendo o período em que se encontram.

Podemos ao escutar, ler ou assistir uma adaptação dos contos, nos identificar com determinado personagem.

Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico: podemos nos identificar com este ou aquele personagem!
Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico: podemos nos identificar com este ou aquele personagem!

Notar semelhanças ou diferenças com a história dele e a nossa.

Além de obtermos a solução para o problema que estamos enfrentando, como mencionei mais acima.

A questão é que os contos têm ao mesmo tempo uma linguagem muito simples e muito complexa.

Talvez já tenha dito em outro artigo da coluna o que vou compartilhar agora, mas sempre vale a pena relembrar:

Os contos, a meu ver, são como aquele conteúdo difícil de uma disciplina que aprendemos na escola ou na faculdade, quando o escutamos o compreendemos, entretanto, na hora de explicar para alguém falamos:

“Eu entendi, mas não sei como te explicar”.

Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico Os contos ainda contribuem para que nossa psique internalize a ideia de que podemos ora aprender por meio da alegria, outrora por meio da tristeza, da dor.

Vez ou outra precisamos nos deixar ferir pelo monstro, pelo dragão, pelo vilão, para criarmos anticorpos e ressurgirmos mais fortes, mais corajosos e enxergando com mais clareza o que estamos vivenciando.

A autora e analista junguiana Clarissa Pinkola Estés (2005, p.11), retrata perfeitamente esse pensamento:

Embora os contos de fadas terminem logo depois da décima página, o mesmo não acontece com a nossa vida. Somos coleções com vários volumes. Em nossa vida, ainda que um episódio possa terminar mal, sempre há outro à nossa espera e depois desse, mais outro. Sempre há novas oportunidades para consertar o estrago, para moldar nossa vida da forma que emocionalmente merecemos. Não perca tempo odiando um insucesso. O insucesso é um mestre melhor do que o sucesso. Escute. Aprenda. Continue. Essa é a essência de todo conto. Quando prestamos atenção a essas mensagens do passado, aprendemos que há padrões desastrosos, mas também aprendemos a prosseguir com a energia de quem percebe as armadilhas, jaulas e iscas antes de depararmos com elas ou de sermos nelas ou por elas capturados.

Assim são os contos, paradoxais e repletos de (re)descobertas, transformações e (re)conexões com nós mesmos e com o mundo. Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico

A nossa psique desenvolve-se por meio dessas histórias de uma maneira bem sutil.

Nelas aprendemos:

  • o que é o bem,
  • o que é o mal,
  • o que é a morte,
  • a ganância,
  • a miséria,
  • a coragem,
  • a alegria,
  • o medo,
  • o amor e assim por diante.

Nelas aprendemos a ser mais humanos.

E a nos aceitar em nossa totalidade, uma vez que,

“os país dos contos de fadas se encontra em nossa alma”

(Dieckmann, 1986).

Um beijo e uma (re)descoberta,

Juliana.

julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575).

Tem Especialização em Psicologia Analítica.

Atua na área clínica atendendo jovens e adultos.

Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas.

É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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