Skip to main content

O Que Uma Mulher Deve Fazer ao Ser Discriminada no Trabalho?

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Você NÃO MERECE ser discriminada e menosprezada no trabalho só porque é mulher!

No início do mês do março, para ser mais precisa, dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Apesar do atual caráter comercial da data, ela remete a um período de lutas no século XX pelas melhorias da condição de trabalho.

Em 1857, nesta data, trabalhadoras de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque invadiram as instalações e iniciaram reivindicações por melhores condições de trabalho, equiparação de salários com os homens e dignidade no tratamento delas dentro do ambiente de trabalho.

Cá estamos em 2016. O que será que mudou? De acordo com o relatório  Mulheres, Empresas e o Direito 2016  elaborado pelo Banco Mundial, ainda existem obstáculos na inserção da mulher no mercado de trabalho determinadas por legislações em alguns países que restringem o acesso da mulher às oportunidades de emprego.

Leia também: Violência Contra a Mulher: Como Surge e o Que Fazer Para Evitá-la!

Para se ter uma ideia das disparidades, na Bolívia, as mulheres não podem trabalhar sem autorização dos maridos e em Belize, elas são impedidas de trabalharem fábricas à noite e manipular mercadorias no porto.

E no Brasil? De 2004 a 2014, o IBGE indicou em sua  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) que os homens tiveram uma redução da sua jornada de trabalho de 44 horas semanais para 41 horas e 36 minutos.

Por outro lado, as mulheres não só continuam com uma jornada de 35 horas semanais como a jornada de trabalho de casa chegou ao patamar de 21 horas e 12 minutos por semana.

Além da sobrecarga de trabalho, muitas empresas apresentam dúvidas em contratar mulheres com filhos, os homens possuem maiores chances de acesso aos melhores empregos e funções, não há igualdade na remuneração entre homens e mulheres, mães trabalhadoras enfrentam dificuldades para conciliar a jornada de trabalho e normalmente as mulheres são priorizadas nas funções com as piores condições de trabalho, remunerações mais baixas e sem carteira assinada.

Também são comuns às discriminações contra as grávidas pois, elas são mais propensas a faltar devido aos exames de rotina da gravidez e ou pela própria condição da gestação.

Para concluir este quadro, as mulheres ainda são as principais vítimas de assédio moral do trabalho.

Assim elas estão mais sujeitas a:

  • Críticas constantes;
  • Ironias, gracejos, palavras obscenas e de baixa calão;
  • Dúvidas sobre suas competências profissionais, habilidades e sua inteligência;
  • Exposição e responsabilização de erros em público com o intuito de ridicularizá-la perante à equipe e outras pessoas da empresa;
  • Delegação de prazos impossíveis e tarefas incompatíveis com as suas habilidades ou função;
  • Ignora a sua presença ou mesmo o que você fala;
  • Empreender ações que visam à sua desestabilização emocional e profissional
  • Impedimentos propositais a recursos materiais e financeiros para desenvolver a sua tarefa ou induzir a erros;
  • Disseminação de dúvidas e fofocas com os colegas e demais pessoas sobre sua vida profissional e até mesmo pessoal;
  • Não permite que você exerça tarefas de sua função pelo fato de ser mulher;
  • Comparações constantes de seu desempenho com outros colegas com o objetivo de desqualificá-la e menosprezá-la;
  • Fala alto, grita, xinga ou apelida ao se dirigir a sua pessoa;
  • Monitoramento constante de suas atividades e deslocamentos dentro da empresa;
  • Controle de tempo e frequência sobre uso de banheiro;
  • Zombar sobre atributos físicos, crenças religiosas, convicções políticas, origem regional ou condição socioeconômica;
  • Impedimento que as mães acompanhem os seus filhos em consultas médicas;
  • Ações, palavras e comportamentos que induzam à culpa nas mulheres pelo fato de ser mãe;
  • Piadas e gracejos sobre faltas para acompanhar filhos e parentes em consultas médicas e hospitais.
  • Isolar fisicamente

Em meio a tanto assédio, as mulheres também são os alvos prediletos do assédio sexual que são representadas pelas cantadas, insistência inoportuna, perguntas, insinuações, propostas e pretensões de cunho sexual.

assédio sexual
Além da discriminação a mulher sofre com o assédio sexual!

Elas podem ser faladas, escritas e expressas através de gestos. Estas práticas costumam insistir mesmo que você diga não e muitas ficam sujeitas a represálias em razão de negar favores sexuais tais como: demissão, recusa na promoção e outros tipos de injustiças.

Muitas mulheres acreditam que, infelizmente, devem tolerar este tipo de situação pelo fato de ser mulher. VOCÊ NÃO MERECE ISSO!!

Você terá prejuízos em sua autoestima, vivenciará sentimentos de culpa, vergonha e inferioridade, insatisfação com o trabalho e um compromentimento geral de sua integridade física e emocional em razão do que está vivenciado.

Além disso, você estará mais sujeita a afastamentos do trabalho e vontade de se desligar do trabalho.

É muito comum que as vítimas de assédio moral e/ou sexual não realizem as denúncias nos órgãos competentes ou mesmo desconheça os seus direitos.

Para esclarecer esta situação, a legislação brasileira configura assédio moral e assédio sexual como atos ilícitos conforme o disposto artigo 186 do Código Civil: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

Então o que pode ser feito? A seguir apresento o que a mulher deve fazer:

  • Anote de maneira detalhada a data e horário do acontecimento com o nome do agressor e as possíveis testemunhas;
  • Evite conversar com o agressor sozinho. Sempre esteja acompanhada de testemunhas;
  • Relate o ocorrido ao superior do(a) agressor(a);
  • Busque apoio de colegas, amigos e familiares;
  • Organize-se com as testemunhas dos fatos ou com as outras vítimas de assédio;
  • Comunique o ocorrido à Ouvidoria, o sindicato, Recursos Humanos ou outros órgãos de denúncia dentro da empresa;
  • Denuncie a situação ao Ministério Público do Trabalho, Delegacias ou Secretarias Regionais do Trabalho, a Comissão de Direitos de Humanos da sua cidade , Conselho Regional de Medicina e outros órgãos fiscalizadores das condições de trabalho e de defesa dos direitos humanos. Se você for testemunha, também faça isso;
  • Registre a denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de sua cidade.

Por fim, procure um psicólogo e um advogado da área civil que serão fontes de apoio, orientação e fortalecimento psicológico fundamentais nesta caminhada. Ame a sua vida! RESPEITO E AMOR, ISTO VOCÊ MERECE!

Leia Também: Violência Psicológica: Quando Palavras Machucam

karineKarine David Andrade Santos – Psicóloga CRP-19/2460 realiza atendimentos individuais para adultos e adolescentes em Aracaju/SE e orientação psicológica via Skype (http://www.karineandradepsi.com.br/). Membro da Cativare (https://www.facebook.com/cativarepsi/). Idealizadora do Projeto De Bem com Você em parceria com a psicóloga Eanes Moreira.(Informações via whatsapp (79)99922-8130)

Contatos: E-mail: psimulti@gmail.com; Facebook – https://www.facebook.com/KarineAndradepsi/; Instagram –https://www.instagram.com/karine.andrade_psiaju/; YouTube – Psicologia Aracaju

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.