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O Pequeno Príncipe: Revisitando a Criança Que Há Em Nós!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Pequeno Príncipe: Revisitando a Criança que há em Nós

O Pequeno Príncipe

“O essencial é invisível aos olhos”
(O Pequeno Príncipe)

O Pequeno Príncipe é um conto atemporal, que continua ensinando e encantando todos aqueles que se permitem adentrar em seu enredo de planetas e asteroides.

Desde a data da sua primeira publicação, 1943, muito e nada mudou.

As temáticas desse conto permanecem atuais e refletindo o ser humano em sua mais variada forma.

Em 2015 um novo filme retratando a obra foi lançado.

Em um primeiro momento a história pode parecer impessoal, já que não sabemos o nome da menina, de sua mãe e do senhor que mora na casa ao lado.

Mas, à medida que a trama acontece, o telespectador reconhece-se um pouco nessa menina, nessa mãe e nesse senhor (o aviador).

Mesclando uma narrativa original com pontos crucias do conto escrito por Antoine de Saint-Exupéry, a animação prende a atenção do começo ao fim.

No artigo de hoje, aqui na coluna, não irei me ater ao resumo do filme, pois correrei o risco de não mencionar algum aspecto.

Por isso, desde já, fica o convite para assistir (caso você não tenha visto) ou rever essa readaptação, que dialoga por meio das imagens e do sentir que essas despertam.

Dentre as temáticas presentes nessa recontagem, deparamo-nos com: a luta do adulto contra o paraíso da infância; a construção da identidade; a qual lugar cada um de nós pertence; o luto não só de alguém querido, mas daquilo que está dentro de nós.

Diferente do conto escrito, no qual o aviador resgata a sua criança interior através da figura do Pequeno Príncipe, na animação a menina resgata o seu direito de ser criança pelo contato com o aviador, agora, com idade avançada.

 

As cores e texturas do filme são convidativas e, por vezes, angustiantes.

Ora, tudo é perfeito, preto no branco, com formatos geométricos precisos.

Em seguida, o novo aparece, representado pela casa do aviador, uma típica casa de contos de fadas, que chama a atenção e nos instiga a abrir a porta e descobrir o que há lá dentro.

A casa do senhor é colorida, repleta de vida, de pássaros, de objetos inusitados.

Lá ele pode tanto apreciar as estrelas como trabalhar no concerto de seu antigo avião.

Do escuro à cor, ao brilho, semelhante à Dorothy e sua jornada na Terra de Oz.

A menina luta para ter o seu espaço; ela está em processo de transição, onde um dos dilemas é: “Ser criança ou ser adulto?”.

Sua mãe exige que ela cresça rápido, que ela tenha responsabilidades, que se dedique para conseguir uma vaga em uma escola renomada da cidade onde vivem, que ela tenha “um plano de vida”.

Ter um plano de vida é sim essencial. Aliás, a palavra “essencial” e o seu significado são referidos várias vezes no decorrer da história.

Como está no conto escrito: “O essencial é invisível aos olhos”.

O Pequeno Príncipe Sendo assim, a construção do nosso plano de vida se dá tanto de maneira direta como indireta, isso porque para sabermos o que queremos precisamos experienciar, vivenciar, nos aventurar nas mais diversas áreas.

 

À medida que a garota conhece o conto do Pequeno Príncipe ela se encanta e se identifica.

Contudo, pouco a pouco, ela compreende que não conheceu essa história por acaso, que tudo teve um propósito.

O aviador queria que ela conhecesse a amizade que ele teve com o Pequeno Príncipe e que estivesse, ao menos, em partes, preparada para os lutos que a vida exige em dados momentos.

O senhor tem papel fundamental na vida da menina. Nada se sabe a respeito de seu pai.

A única menção a ele é quando ela recebe um globo de neve, enviado por ele, de presente de aniversário.

Com o arquétipo de pai ausente, ela o encontra no aviador. É ele quem a acolhe, que a ensina, que a alerta para o todo da vida.

É com ele que ela aprende que: “O problema não é ficar adulto. É esquecer”.  O Pequeno Príncipe 

Recomendo que você leia também: Jung, o Tempo e os Contos de Fadas!

Como em outros contos, nesse também há a presença da rosa, esta, para a Psicologia Analítica, é um dos símbolos da totalidade, do Self.

O Pequeno Príncipe
O Pequeno Príncipe

 

O Pequeno Príncipe tinha, em seu planeta, uma única rosa, a qual apreciava.

Já, segundo o Príncipe, os homens têm tantas rosas e não as valorizam e nem muito menos sabem o que procuram de fato.

Será que a nossa procura não é pela criança que um dia fomos?  O Pequeno Príncipe 

Em dado momento da animação, um dos personagens afirma que crianças são curiosas e, para ele, isso é algo ruim.

A curiosidade tornar-se ruim quando a usamos, na vida adulta, para nos beneficiar.

Em contrapartida, a curiosidade infantil é genuína, uma vez que abarca o desejo de querer conhecer mais e mais sobre o novo, sobre si mesmo e sobre os outros. 

De acordo com Von Franz (p.41),

A criança está sempre à frente e por trás de nós. Atrás de nós, é a sombra infantil que deixamos para trás e a infantilidade que deve ser sacrificada – aquilo que sempre puxa para trás levando à imaturidade, dependência, preguiça, falta de seriedade, fuga da responsabilidade e da vida. Por outro lado, se a criança vem em nossa frente significa renovação, a possibilidade da juventude eterna da espontaneidade e de novas possibilidades – então a vida corre em direção ao futuro criativo.

Há a presença desses dois aspectos no enredo.

O aviador também representa o arquétipo da criança que convida para a vida, enquanto a menina espelha o arquétipo da criança que se fechou para as possibilidades, que se manteve em um quarto escuro, sóbrio e sem sonhos.

Ainda pensando na ideia da totalidade, esta está presente de diversas maneiras nessa recontagem do conto.

 O Pequeno Príncipe Ser total, pelo olhar junguiano, é tornar-se de fato quem se é. Mas, para isso, precisamos enfrentar as mais variadas porções de nós mesmos, a nos reconhecer em nós, e, ao mesmo tempo, no outro.

 

A totalidade envolve opostos que se complementam, e, talvez, a maior complementação da história seja quando o adulto abraça carinhosamente a criança que um dia foi, e a criança abraça carinhosamente o adulto que quer ser.

Um beijo e uma (re)descoberta,

Juliana.

julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575).

Tem Especialização em Psicologia Analítica.

Atua na área clínica atendendo jovens e adultos.

Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas.

É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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