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Ninho vazio

Síndrome do Ninho Vazio: Uma Oportunidade Para Resgatar Sonhos!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Síndrome do Ninho Vazio

A menina pequena, cresce vira uma garota, torna-se uma bela jovem e já adulta encontra seu par.

Apaixona-se e casa-se com o rapaz que será seu marido, então já casados tem um ou alguns filhos e formam uma linda e bela família, daquelas de comercial de margarina talvez, ou não!

Como toda família tem suas dificuldades, problemas enfim… Síndrome do Ninho Vazio

Aí chega a maturidade, os filhos vão crescendo e o ciclo continua, eis que eles resolvem sair de casa, para estudar fora, casar, fazer viagens , intercâmbios e agora?

Meu ninho ficou vazio, o que vou fazer, sem ter os filhos para cuidar? 

Quem irei chamar de manhã, para o café, reclamar que as roupas estão sujas, me preocupar com o jantar no fim do, pegar no pé por causa da lição de casa, implicar com a bagunça do quarto dia, Quem? Quem? Síndrome do Ninho Vazio

Pois bem, antes de falar sobre a Síndrome Ninho Vazio precisamos voltar lá atrás na infância e entender um pouco sobre as relações entre a mãe e o bebê.

Ninho Vazio

Durante a gestação e após o nascimento, surge uma relação extremamente intima que conecta mãe e filho , unindo de tal forma como se os dois formassem um único ser, criando o que chamamos de simbiose.

Tal relação determinará a ligação de mãe e filho para o resto da vida,  e vai depender de como esta mãe irá lidar com as frustrações, ansiedades e desejos do filho.

O que impactará no futuro, nos comportamentos desta criança, em  seus sentimentos de abandono, rejeição, auto estima, segurança e confiança em si.

E de acordo com o CUIDADO materno da mãe para com o filho poderá implicar num adulto infantilizado, regredido, ou num adulto seguro, confiante e que lide melhor com as frustrações e negativas que a vida nos impõe.

A mãe que tudo supre as necessidades do filho, atendendo todos os seus desejos, sem ao menos a criança verbalizar, esboçar o que quer, não permitindo que ela ouça um não, é aquela na qual chamamos de devotada.

Que coloca o filho muitas vezes num pedestal, suprindo a criança de tudo que ela deseje, que em muitos casos vistos atualmente, atendem os caprichos materiais do filho.

Passando um conceito no qual o Amor está embutido à barganha, para que eu tenha ou receba Amor eu dou coisas, num sistema de trocas. Síndrome do Ninho Vazio

Em contraponto desta mãe está a mãe chamada de  Mãe suficientemente boa, que corresponde a mãe que “deixa faltar”, ai você me pergunta, como assim?

Eu te respondo esta mãe é aquela mãe que entende as necessidades do filho, mas sabe que ela não é o único ser que pode cuidá-lo.

Entende que o filho necessita de cuidados, mas que também precisa ter um espaço para aprender.

Que precisa lidar com a frustração e muitas vezes ouvirá um não, pois é necessário estabelecer regras e limites com esta criança para que ela aprenda a autorregular as emoções, experenciar o NÃO e lidar melhor com os desafios impostos pela vida.

Já viu aqueles comerciais, de crianças correndo, saltando pulando, ou com slogans do tipo, “porque se sujar faz bem”, então como seria para a mãe devotada na vida real estes desafios?

Ela certamente colocaria capacetes, joelheiras, álcool gel nos filhos e tudo que pudesse blindá-los de experimentar estas sensações de sentir a grama, a chuva, a lama, o cair, o ralar o joelho.

Já a mãe suficientemente boa cuidaria dos filhos porém se a criança caísse seria algo dentro do esperado, ensinaria o filho que cair faz parte, que ele pode chorar sim, mas que para se dar o primeiro passo tem que cair algumas vezes. Síndrome do Ninho Vazio

A mãe suficientemente boa ensina para o filho que cair faz parte da vida!
A mãe suficientemente boa ensina para o filho que cair faz parte da vida!

Que andar de bicicleta ou skate, ralar o joelho faz parte do processo e assim como no Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupéry havia esta linda mensagem:

“ É preciso que eu suporte uma ou duas larvas se quiser conhecer as borboletas”

Então se quiser colher bons resultados tenho que lidar com a dor das frustrações compreendendo que muitas vezes teremos experiências dolorosas, mas que contribuirão para a constituição do meu SER.

Estas relações serão fundamentais para a compreensão e aceitação da partida do filho na fase adulta.

Quando ele resolver partir em busca de uma nova jornada pessoal, e este rompimento pode ser  considerado um tipo de luto e assim como Elizabeth Kubler Ross bem definiu em seu livro Sobre a Morte e o Morrer, o luto tem cinco fases:

  • a negação,
  • a barganha,
  • a raiva,
  • a depressão
  • e a aceitação.

Assim como é sentido no luto, com a morte de um parente a Síndrome do Ninho Vazio(SNV) causa sensações de:

  • desamparo,
  • baixa auto estima,
  • ansiedade,
  • angústia,
  • tristeza,
  • apatia
  • e em alguns casos, sintomas depressivos.

Os pais sentem-se destituídos da sua função parental, e por vezes podem se perguntar o que fazer agora?

Perdi minha função de pai, quem vou cuidar, quem vou proteger?

E é como se perdessem sua motivação e atividade. Síndrome do Ninho Vazio

Nesta fase o ideal é que os pais, em especial as mães, ressignifiquem suas relações parentais, estabeleçam laços com os filhos, entendendo que agora eles já estão prontos e aptos para a vida adulta.

E que o casal pode resgatar antigos projetos engavetados no passado.

Como voltar a estudar, pois com a chegada dos filhos não foi possível, fazer aquela viagem ou cruzeiro tão esperado há anos, mas que o tempo e dinheiro não eram permitidos e fundamental também o resgate da relação conjugal.

O casal pode aproveitar o ninho vazio para fazer aquelas viagens que nunca conseguiram por conta dos filhos!
O casal pode aproveitar o ninho vazio para fazer aquelas viagens que nunca conseguiram por conta dos filhos!

Sendo uma excelente oportunidade de ter uma vida a dois mais saudável, voltando-se o olhar e cuidado para a relação a dois, que por vezes estava esquecida sendo direcionada aos filhos. Síndrome do Ninho Vazio

Deixo aqui como reflexão um trecho de Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas:

“Mire veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando (GUIMARÃES ROSA, 1986, p.15)

Com esta reflexão encerro aqui meu artigo, deixando a mensagem que estamos em constante evolução, mudança, pois somos seres INACABADOS, portanto viva a vida, ainda dá tempo de resgatar seus projetos.

Recomendo que você leia também: Avosidade: Uma Ótima Maneira de Reinventar a Vida. Confira!

Até o próximo artigo,

Roberta

roberta-almeidaRoberta  da Costa Almeida – CRP 06/118096

Psicóloga Clínica, palestrante, administra um grupo em rede social sobre infância, visando a reflexão e debate sobre este universo, chamado Mundo da Infancia.

Atende crianças, adolescentes, adultos, idosos e  faz Orientação Profissional, é Pós Graduanda em Psicopedagogia pela UCDB.

Já realizou trabalhos voluntários como psicóloga na cidade de Mogi das Cruzes, na ONG CERENEJMY com pacientes com doenças neurológicas e seus familiares.

E na cidade de São Jose dos Campos, com pacientes com cegueira total e baixa visão e  seus familiares.

Contatos: Página do facebook :www.facebook.com/roberta.almeidapsicologaclinica

celular:  (011) 987046469 whatts app

email: robertaalmeidapsico@yahoo.com.br

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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