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Jung, o Tempo e os Contos de Fadas!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Jung 

“Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Jung Coelho: Às vezes apenas um segundo.”

Lewis Carroll

Tic tac faz o relógio. Seus ponteiros dão voltas e voltas sem parar. Passam segundos, minutos, horas. E o tic tac não nos deixa esquecer que o tempo não para, ele continua, independente do que esteja acontecendo. Jung 

É necessário o tempo para que a nossa vida seja tecida. É necessário o tempo para aprendermos e reaprendermos. É necessário o tempo para crescermos e amadurecermos. É necessário o tempo para que a semente cresça e se transforme em árvore.

O tempo nos cerca, nos rodeia e nos dá movimento. O tempo é um tema bastante comum nos contos de fadas. Do contrário, como existiriam essas histórias sem o tempo, sem o compasso do relógio, sem as batidas do coração? Como esses enredos transitariam entre os séculos sem o tempo?

Na teoria junguiana compreende-se três tipos de tempo: Kronos (tempo do ego, tempo linear), Aion (tempo do Self, tempo cíclico) e Kairós (tempo da circunstância, tempo da sincronicidade). Ambos presentes em nosso dia a dia e ambos encontrados nos contos de fadas. Jung 

Em alguns contos o personagem está no mundo real, no tempo do Kronos, adentra ao mundo maravilhoso deparando-se com o tempo Aion ou com o tempo Kairós, ou, ainda, com estes dois tempos, e depois retorna ao mundo real, exatamente no ponto em que se encontrava antes de iniciar a sua aventura.

Podemos ver isso na história de Alice no País das Maravilhas e em O mágico de Oz, por exemplo. Alice acorda de seu “sonho” na ribanceira ao lado de sua irmã, local que estava no começo ao avistar o Coelho Branco, já Dorothy ainda está em seu quarto, deitada na cama, ao retornar de suas peripécias na Cidade das Esmeraldas. Jung 

Podemos entender com isso que os contos de fadas embora de início possam aparentar o tempo similar ao mundo real, na verdade, eles se desenrolam no mundo do inconsciente.

E o tempo do inconsciente não para, é eterno, é infinito. No inconsciente está tudo o que vivenciamos e até mesmo o que iremos ou não vivenciar, está aquilo que nos recordamos, aquilo que ficou reprimido e que pode vir em algum momento para a superfície, assim como aquilo que continuará para sempre lá mergulhado e esquecido em sua imensidão. Jung 

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Jung

Ler um mesmo conto de fadas mais de uma vez ao longo do tempo, possibilita com que seja possível perceber elementos que antes haviam passado despercebidos. Possibilita com que conteúdos da nossa psique sejam reavivados, reativados, fazendo assim uma compensação entre o inconsciente e o consciente. Jung 

Já vimos que os contos de fadas retratam temas universais, e o tema central dessas histórias, pela perspectiva junguiana, é o processo de individuação, o qual o próprio nome já diz é um processo e não um fim.

Esse processo desenrola-se no tempo, justamente porque é necessário maturação, vivências, aprendizados, movimento, fluir. De acordo com o analista junguiano Glauco Ulson (2008, p.10-11) “é o tempo que produz as vivências na alma. […] O tempo está ligado à memória. […] Jung 

É por meio do registro pela memória, em nossa alma, que tomamos consciência do tempo. É a história de cada um, vivida no tempo, que produz o processo de individuação”.

Sendo assim,

 Jung podemos compreender o tempo como sendo um arquétipo.

Jung e o Tempo
Jung e o Tempo

Temos uma ideia universal do tempo, mas também criamos a nossa imagem de tempo com base em nossas experiências pessoais. Jung 

Ou seja, o tempo pode ser encarado como positivo ou negativo. Escolhemos ser amigos dele ou não, escolhemos “correr contra o tempo” ou “correr a favor do tempo”, escolhemos estar atrasados, adiantados ou pontuais, escolhemos apreciar o tempo e viver intensamente e plenamente ou escolhemos apressar o tempo, andando tão rápido que tudo a nossa volta vira um borrão e nos impede de sentir. Jung 

Há vários ditados e frases envolvendo o tempo. Quem já não escutou frases, como: “Com o tempo passa”, “Só o tempo irá dizer”, “O tempo cura todas as feridas”, entre outros.

Como mencionei no início deste artigo o tempo nos cerca, nos rodeia, nos dá movimento. O tempo é universal! Não só as nossas vidas são envolvidas pelo tempo, como os contos de fadas. Jung 

A Cinderela só podia ficar no baile real até as doze badaladas do relógio, a Bela Adormecida ao pôr do sol do seu 16ª aniversário tocaria o fuso de uma roca e cairia em um sono profundo, A Fera do conto A Bela e a Fera deve encontrar alguém para se casar antes que sua maldição torne-se eterna, a personagem Sarah no filme Labirinto – A magia do tempo, tinha exatamente 13 horas para resgatar seu irmão no castelo do Rei dos Duendes, dentre tantos outros exemplos que retratam o tempo e espelham a nossa psique e, consequentemente, o nosso cotidiano.     

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O tempo é tanto real como metafórico. Vivenciamos o tempo em nosso dia a dia, mas também o utilizamos como analogias e como lembranças daquilo que já passou. Jung 

Quantas vezes não quisemos voltar no tempo para mudar um evento do qual nos arrependemos, ou, ainda, queríamos retornar não para modificar, mas para sentir novamente as emoções que preencheram nosso coração naquele momento? O que fica desses questionamentos é o “se” e o “será”: “Se tivesse feito tal coisa será que seria diferente?”.

Em filmes que retratam essa temática vemos que sempre algo acontece quando se volta no tempo, afetando o futuro, às vezes para o bem outras vezes para o mal. Jung 

A questão é: as coisas continuarão acontecendo independente do tempo em que nos encontramos, não só o tempo do consciente, do inconsciente ou da sincronicidade, como o tempo de vida em que estamos.

O que você fará com o seu tempo? O que você tem feito com ele? Está correndo atrás dele como Alice correu atrás do Coelho Branco? Ou está ajustando-se a ele?

Lembre-se, às vezes, o eterno só dura um segundo e esse segundo pode ser rápido demais ou passar lentamente. Jung 

A escolha cabe a você! Gosto muito do título do livro da autora Verena Kast “a alma precisa de tempo”, quanto tempo você está dando a sua alma, a sua psique, a você mesmo?

Um beijo e uma (re)descoberta, Jung 

Juliana. 

JungJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575). Tem Especialização em Psicologia Analítica. Atua na área clínica atendendo jovens e adultos. Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas. É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná. Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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