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O Jogo da Baleia Azul

O Jogo da Baleia Azul: Qual a Sua Responsabilidade Diante do Sofrimento Alheio?

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Jogo da Baleia Azul

Sei que o artigo deste mês daria continuidade e conclusão a tríade de artigos sobre os princípios essenciais na relação terapêutica.

Contudo, pelas circunstâncias que emergiram nas últimas semanas, senti a necessidade de fazer uma pausa e olhar para outras questões que surgiram em reportagens, postagens e movimentos nas redes sociais e aplicativos de comunicação.

Sim, estou falando sobre o jogo da baleia azul e as tormentas ressaltadas com essa situação.

Me arrisco a dizer que o jogo é apenas a ponta do iceberg ou até mesmo um espelho que reflete sem piedade outras questões.

Antes de continuar, deixo o livre arbítrio para você concordar ou discordar com a colocação que fiz acima. Jogo da Baleia Azul

Entretanto o que não pode ser negado em hipótese alguma é a impaciência e a intolerância que as pessoas vem apresentando em nosso tempo atual diante das situações de dor, sofrimento e mudanças, assim como a facilidade da terceirização das responsabilidades, a fragilidade dos laços afetivos e emocionais entre adultos cuidadores e suas crianças e/ou adolescentes, a romantização da saúde mental como também sua banalização.

Todos esses pontos sâo partes que estruturam nesse iceberg.

Jogo da Baleia Azul Porém, quero fazer uma pergunta aos adultos cuidadores: qual a história que você quer que seus filhos/netos/sobrinhos contem sobre você no futuro?

Se preciso for, pare sua leitura e pense carinhosamente antes de continuar.

Pode pegar um papel e caneta e escrever suas ideias, mais adiante retomaremos essa questão.

Crescer tem suas dores e amores, seus ônus e bônus. Você, o adulto de hoje já foi criança e também adolescente.

As brincadeiras eram outras, os desafios também (talvez tomar leite com manga, chegar em casa após o horário, se arriscar no jogo do copo ou no jogo do compasso), mas os desafios de ser criança e de ser adolescente sempre existiram.

Neste tempo, tínhamos apenas 6 canais na TV, controle remoto era um luxo e telefone fixo era quase intocável. Jogo da Baleia Azul

Mas os anos passaram, a modernidade chegou e hoje somos bombardeados diariamente por informações de todos os lados e principalmente através da internet.

Talvez seja aqui que os laços começaram a se afrouxar.

Adultos pouco pacientes para estarem com as crianças e os adolescentes.

A qualidade do tempo que temos está péssima, mas as crianças continuam crianças e os adolescentes continuam adolescentes. Jogo da Baleia Azul

O Jogo da Baleia Azul
O Jogo da Baleia Azul

Quando crianças descobrimos um pouco sobre nós, sobre os outros, que aquele ser grande que cuida da gente é chamado de adulto, descobrimos lugares, cheiros e texturas.

Todos e tudo a sua volta desperta a atenção, a curiosidade e justamente através dessas ferramentas que a criança explora interage com o mundo ao seu redor, criando e desenhando sua própria e única maneira de se relacionar.

Na infância, transitamos entre o concreto e as fantasias, e justamente nessas vias expressas coloridas vão surgindo novas formas de superações, conquistas de novos espaços e novas possibilidades para ir construindo sua forma de ser.

Desta maneira, é na infância que construímos aos poucos nossa personalidade, nossa própria imagem e do mundo que está ao nosso redor.

E depois vem a adolescência.

Muitas mudanças acontecem nessa fase, desde as físicas (o corpo muda muito) até como nos relacionamos com nós mesmos e com os que estão a nossa volta.

Tudo começa entre os 12, 13 anos e vai até os 17, 18 anos.

Tantas novidades acontecendo que muitas coisas começam a ‘‘trombar’’ e a mais marcante é o pensar e o sentir.

Aí você deve se perguntar: ‘‘Oi? O que você está querendo dizer?’’.

O que quero dizer é que quando crianças nos relacionamos mais amplamente, fazemos nossas conexões de maneira mais simples e usamos mais o nosso sentir, pois ainda não amadurecemos nosso lado racional.

Já na adolescência essas conexões mudam e se ampliam: o que sinto, agora se encontra com o que eu penso, começo a perceber o que está dentro e fora de mim. Jogo da Baleia Azul

Assim, como eu me percebo muda de maneira marcante.

Começamos a descobrir que o pensamento está mais presente e temos que dar conta dele agora.

Esse cabo de guerra entre o que está dentro, o que está fora, as mudanças no corpo, da voz e tantas outras trazem questionamentos constantes.

É aqui, nesta fase da vida, que mais sentimos a necessidade de sermos aceitamos e compreendidos.

Lidar com esse turbilhão de emoções, ideias, descobertas e cobranças não é nada fácil. Nossa sociedade cobra.

Nossa sociedade exige, como se fossemos reféns das estéticas e rótulos.

Neste ponto que entra a romantização e a banalização da saúde mental.

‘‘É a aborrecência’’, ‘‘Na minha época era chinelo azul’’, ‘’É falta de surra’’.

Opa! Só um minuto: desde quando a dor física (bater) ajuda a dor emocional?

Você adulto que diz que é falta de surra, você gostava de apanhar quando criança?

Ou gostava de viver a ausência afetiva dos que estavam ali para oferecer cuidados e proteção?

Também tem aquela forma de pensar maldosa: depressão é frescura, é falta de trabalho, é falta de seguir uma doutrina religiosa ou o ápice que é coisa de gente maluca.

São tantas colocações infelizes que não cabem aqui. Jogo da Baleia Azul

Não é só o corpo que cresce e muda, a estruturação mental também.

Amadurecer é um processo amplo entre corpo e mente.

Cuidar da saúde mental é de direito de qualquer ser humano em qualquer fase da vida.

O que passa despercebido às vezes é que a cada nova etapa, a cada nova idade conquistada as necessidades mudam, o que pede que os adultos cuidadores também cresçam junto.

Jogo da Baleia Azul É o adulto que auxilia o caminhar da criança e do adolescente, o que pode e não pode diante do conjunto de ideias, valores e ações que cada grupo familiar tem.

O Jogo da Baleia Azul
O Jogo da Baleia Azul

Lembra da pergunta que fiz lá no começo do artigo sobre qual a história sua você deseja ser contada? Jogo da Baleia Azul

Só estando presente de maneira saudável na vida deles que a história final pode ser melhor: acolhendo e construindo possibilidades que possam saber que podem bater asas e voltarem para repousarem no ninho de afeto que lhe foi apresentado e ofertado, sendo aceitos como são.

Lembrem-se que crescer não é uma tarefa fácil, mas também não precisa ser feita somente de dores e temores.

Karina Nuevo

Karina Nuevo é Psicóloga (CRP 96.094) e Arteterapeuta (AATESP 329/0516). Atua na área clínica com crianças, adolescentes e adultos.

Ministra palestras e vivências em Arteterapia.

Apaixonada pelas imensas possibilidades que a Psicologia e a Arteterapia oferecem, acreditando sempre na saúde emocional e desenvolvimento do ser humano e de suas relações.

Contatos:

E-mail: [email protected]

Facebook: Psicóloga e Arteterapeuta Karina Nuevo

 

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