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Industria farmacêutica

A Relação Entre Industria Farmacêutica, Capitalismo e Psicofármacos!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Industria Farmacêutica

Que os psicofármacos fazem parte do nosso cotidiano, isso é fato.

Mas, você já parou para pensar no porquê de o consumo ter aumentado tanto nas últimas décadas? Industria Farmacêutica

Existem várias hipóteses para tal e nesse texto irei analisar apenas uma delas: o desenvolvimento da indústria farmacêutica em parceria com o mercado capitalista.

Na sociedade contemporânea, o que vigora é uma cultura do consumismo, um imperativo do acesso ao desejo imediato sem barra, sem interdição, sem limites, visto que qualquer coisa é tomada como um produto a ser exposto, vendido e consumido.

A indústria farmacêutica não fica de fora dessa lógica e busca elevar os medicamentos a esse patamar de produto a ser consumido como, por exemplo, uma roupa, um celular, um carro.

Isso aponta para a relação que se faz dos remédios com a lógica capitalista atual, de compra-venda, oferta-demanda.

Todavia, não se pode negar que os avanços biotecnológicos, em decorrência do desenvolvimento da farmacologia, tiverem efeitos significativos na cura de doenças, promovendo benefícios à população (Ler texto > benefícios dos psicofármacos).

Industria Farmacêutica A crítica que se faz nesse texto refere-se à prática que visa apenas o lucro, a partir de um interesse econômico.

Industria farmacêutica
Industria farmacêutica: uma industria que visa somente o lucro?

A comercialização dos medicamentos através da indústria farmacêutica se relaciona com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM, criado em 1952 pela American Psychiatric Association (APA).

A prática do DSM atua também em relação ao diagnóstico, que passa, então, a ser definido a partir da resposta neurobiológica a um determinado psicofármaco.

Por exemplo, o diagnóstico de depressão é consistente quando o paciente responde bem ao psicofármaco, que age a partir do sistema de recaptação de serotonina.

Esse método tem como objetivo constituir-se num sistema de classificação sobre dados diretamente observáveis e o sofrimento humano é tomado como estatística, operando-se a separação entre o corpo e a mente. Industria Farmacêutica

A parceria entre indústria farmacêutica e DSM, aparece também com as reformulações desse manual em suas versões, no que se refere à definição transtornos mentais.

Dessa forma, essa nova categorização remete a novos diagnósticos e, através de dispositivos midiáticos, criou-se o chamado “sistema delivery” de medicamentos, em que a identificação das pessoas com diversos transtornos mentais – cada dia cria-se uma nova síndromefaz com que a busca por tratamentos também aumente e, em sua maioria, eles são feitos com a prescrição de psicofármacos.

Então, diante dessa maciça demanda por tratamento, a indústria farmacêutica atende com prontidão. 

A industria farmacêutica age com prontidão!
A industria farmacêutica age com prontidão!

Nesse sentido, é pertinente a associação de que os laboratórios investem em estudos científicos sobre transtornos mentais e, alguns deles, são financiados pela indústria farmacêutica, cujo objetivo é a venda de remédios em larga escala para sujeitos imersos na falta-a-ter:

  • Falta-a-ter mais ânimo
  • Alegria
  • Disposição
  • Concentração

Com esse raciocínio, não existe espaço para o sofrimento e o vazio existencial e, se esses aparecem, os psicofármacos surgem como uma ponte para retornar ao estado ilusório de completude, sem o temível mal-estar.

Surgem também como uma promessa de preenchimento e como objetos-tampões em forma de pílula da felicidade.

É nesse ponto que o uso de medicamentos se articula com o modo de vida capitalista atual, que se caracteriza por um estilo perverso, não enquanto estrutura clínica, mas no que se refere à redução de cada indivíduo a um status de consumidor.

O mercado capitalista nega o sujeito na medida em que o reduz a uma categoria de um objeto a ser consumido também pela própria indústria farmacêutica.

Ao ofertar esses objetos-tampões, aparece a falta/vazio e sujeitos insaciáveis na demanda de consumo do ‘sempre mais’.

Para tanto, a partir da oferta dos objetos-tampões, (no caso os remédios), multiplicam-se os tipos de transtornos e síndromes e reduzem o tratamento a nível biológico, através da prescrição de medicamentos.

Industria farmacêutica Ou seja, é difícil um sujeito escapar das classificações diagnósticas que excluem a subjetividade e não se render à sedução da promessa de cura do sofrimento de maneira imediata.

Industria farmacêutica: a promessa da cura imediata!
Industria farmacêutica: a promessa da cura imediata!

A partir dessa reflexão, vale salientar que a versão atual – DSM V – , assim como os outros, são resultados de uma demanda geral de apaziguamento social e são pensados para a população em geral.

Há, então, uma substituição do tratamento de cada sujeito único em suas particularidades, por um destrato classificatório e a imposição de uma clínica do “para todos”.

Destrato na medida em que propicia uma crueldade em classificar o sujeito e abandoná-lo à etiqueta do diagnóstico e à rotina de todos os dias ter que tomar um comprimido.

Nessa lógica, os psicofármacos aparecem como objetos-tampão ao propiciarem a ilusão de uma plena satisfação imediata, em curto prazo.

Mas, nesse processo ocorre o apagamento da responsabilidade do sujeito diante de sua queixa.

Portanto, cabe questionar o lugar ocupado por ele na cultura contemporânea do consumo excessivo.

Logo, finalizo esse texto com mais uma provocação acerca do mundo moderno: novos males, novos remédios?

Ou novos remédios, novos males?

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Fernanda

fernandaFernanda Martins é psicóloga (CRP 04/45295), formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – campus Coração Eucarístico.

Bastante interessada pela temática sobre os psicofármacos, é idealizadora do projeto “Janela Psicológica”.

Sua proposta é tornar a psicologia acessível, rumo ao universo da mente humana por meio da janela – interna de cada um.

Atua na área clínica em Santo Antônio do Monte / MG e realiza atendimentos com crianças, jovens, adultos e idosos, além de desenvolver trabalho no âmbito da educação infantil na escola “Viver e Aprender”.

Quer conhecer mais sobre seu trabalho? Acesse e entre em contato:

Instagram / Facebook / YouTube: Janela Psicológica

Email: [email protected]

Telefone: (037) 9 9937-6154

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