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Florestas mágicas

O Que as Florestas Mágicas dos Contos de Fadas Nos Ensinam Sobre a Vida?

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Florestas Mágicas

“A floresta contém os segredos da aventura da alma”
(Heinrich Zimmer)

Não é segredo que os contos de fadas possuem características singulares.

Entre seus personagens encantados, objetos mágicos e paisagens deslumbrantes, estão as Florestas.

Em muitos desses enredos é comum o herói e/ou a heroína ter que adentrar a Floresta para encontrar algo ou alguém que o/a irá auxiliar em sua jornada.

Vemos isso, por exemplo, em João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, Branca de Neve, Alice no País das Maravilhas, O Mágico de Oz.

E também em adaptações cinematográficas, como: Malévola, Valente, Caminhos da Floresta, entre outros. Florestas Mágicas

Como tenho evidenciado nos artigos aqui da coluna, os contos são, acima de tudo, vivenciais.

Eles estão presentes em nosso dia a dia, mesmo que não consigamos percebê-los por completo.

Desse modo, quando se fala sobre as Florestas e os caminhos que o personagem precisa percorrer no interior das mesmas, essa ideia vivencial deve ser relembrada.

Para muitos, em um primeiro momento, as Florestas causam arrepios, dão medo, insegurança e até mesmo solidão.

É como se elas guardassem algo ruim e não positivo. Florestas Mágicas

Se pararmos para observar, durante o nosso conto de vida já adentramos em muitas Florestas e continuaremos a nos aventurar nelas, querendo ou não.

As Florestas Mágicas tanto dos contos de fadas como da nossa vida podem ser espessas, úmidas, secas, frias, quentes, floridas, silenciosas, inquietas…

 

Florestas Mágicas
Florestas Mágicas

Podem dar a sensação de aconchego e reconexão com a natureza e nós mesmos, assim como refletir e representar os nossos medos.

Segundo Salles (1998, p.35), em muitos contos, “tudo se origina a partir do mundo obscuro da floresta, que contém o substrato para a iniciação do protagonista para as novas conquistas”.

Ao entrar na Floresta o personagem, às vezes, está acompanhado ou, às vezes, necessita seguir sozinho.

Pense agora em você, qual é o seu momento de vida atual?

Você sente que está caminhando sozinho? Ou tem companhia? Ou sente ainda que precisa de alguém ao seu lado?

Os contos de fadas são repletos de imagens, e estas sempre nos convidam a algo.

Nas imagens “existe uma intenção escondida […] quase que invariavelmente, a intenção é levar-nos a agir” (MIDDELKOOP, 1996, p.166).

Isto é, podemos escolher dar passos e mais passos para o interior da Floresta, ou podemos escolher sair dela e, até mesmo, não nos aproximarmos dos segredos que elas guardam.

Florestas Mágicas Para a Psicologia Junguiana, as Florestas são o símbolo do inconsciente.

 

Florestas Mágicas
Florestas  Como Símbolos do Inconsciente! 

 

Ou seja, quando os personagens desses enredos encantados aventuram-se nesse local, eles estão, na verdade, mergulhando em seus conteúdos inconscientes.

E o mesmo acontece conosco, a todo instante estamos em contato com nosso inconsciente, ou, melhor, ele está em contato conosco.

Nas Florestas existem árvores e, como já mencionado em outros artigos da coluna, a árvore é o símbolo da nutrição, do feminino, do materno, da vida, da totalidade, do Self.

Caminhar entre as árvores remete ao enraizamento, ao quanto é importante atentarmo-nos ao nosso interior e ao que nos cerca externamente.

Caminhar entre as árvores indica que se aproximar do nosso centro, do centro da nossa psique, faz-se necessário, pois, dessa maneira, estaremos conhecendo mais parcelas de nós mesmos.

Além disso, nas Florestas há Bruxas, Fadas, Gigantes, Duendes, Gnomos, Magos, Ogros, Feiticeiros, Animais Falantes, os mais variados objetos mágicos, etc.

Nas Florestas está a personificação das camadas de nossa psique.

As Florestas Mágicas dos Contos de Fadas demonstram que o ser humano é semelhante a elas, uma vez que está em constante transformação.

Igual às Florestas, o ser humano nunca é o mesmo. Florestas Mágicas

Por isso, elas têm muito a nos ensinar. De acordo com o autor Hans Jellouschek (2013, p.18-19):

O inconsciente é aquele campo da alma que reside na escuridão da consciência diária; o campo de nossas forças psíquicas que ainda não conhecemos ou que não reconhecemos; e é também o campo em que vivências e experiências anteriores se mantêm, aí incluídas, as “questões não resolvidas” que reprimimos, porque não conseguimos decidi-las de outro modo. Essa floresta do inconsciente faz parte de nós. Precisamos mergulhar em nossa escuridão para encontrar nossa própria identidade.

Ainda segundo ele, na floresta haverá sementes para nos alimentar, animais para nos auxiliar, e ameaças, como bruxas, ogros, gigantes, lobos…

E é ao lidar com tudo isso, passo por passo, que nos tornamos nós mesmos!

Já para Heinrich Zimmer (apud SALLES, 1998, p.36)

“a floresta contém os segredos da aventura da alma”.


Florestas Mágicas Podemos concluir, portanto, que adentrar as Florestas é uma jornada que nos leva para o confronto com nós mesmos e para as (re)descobertas de nosso eu interno.

Como costumo dizer, as florestas carregam segredos sobre você…

Adentre a Floresta Mágica e descubra!

Recomendo que você leia também: Os Contos de Fadas e o Desenvolvimento Psíquico

Um beijo e uma (re)descoberta,

Juliana.

julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575).

Tem Especialização em Psicologia Analítica.

Atua na área clínica atendendo jovens e adultos.

Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas.

É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

 

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