Skip to main content
feminicídio

Feminicídio: A Extrema e Desumana Violência Contra a Mulher!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Feminicídio

Feminicídio.

Argentina, outubro de 2016. Lúcia Perez é drogada, estuprada e empalada na cidade costeira de Mar del Prata.

O crime violento e bárbaro gerou uma onda de protestos na Argentina que, assim como no Brasil, convive com registros frequentes de casos de feminicídio.

Mas afinal o que é isto? Por que? Para que? Como?

Estas são umas dentre os inúmeros questionamentos que são suscitados neste momento.

E para começo de conversa, vamos esclarecer o que é feminicídio.

Trata-se do assassinato da mulher pela própria condição de ser mulher. (Isto mesmo: o fato de você ser mulher!).

No Brasil, ele foi tipificado pela Lei, que alterou o art. 121 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940).

Dentro desta lei, o feminicídio é reconhecido como um assassinato pela própria condição feminina e normalmente envolve a violência doméstica/familiar ou menosprezo/ discriminação contra a mulher.

 

Recomendo que leia também: Violência Contra a Mulher: A Indescritível Sensação de Ser um Pedaço de Carne!

Digamos que ele constitui a última etapa da escala de violência contra a mulher.

E por ser a última escala, isto não quer dizer que ele não tem nenhuma relação com a violência psicológica, violência física e outras modalidades de agressão contra a mulher.

Ela está estritamente relacionada.

A discriminação, opressão, desigualdade e uma vasta gama de abusos são os promotores de inúmeras sequelas psicológicas, físicas e até a morte das mulheres.

Para que fique claro, o feminicídio não é algo isolado e que acontece em cenários específicos.

Na realidade, ele é a face mais visível de todo tipo de opressão violenta contra a mulher.

E por isso mesmo, torna-se de suma importância orientar, identificar, esclarecer, compreender e demonstrar todos os tipos de violência que as mulheres são submetidas no seu cotidiano.

São estas que passem parte de um continuum que culmina na morte de uma mulher.

Mas somente as ações citadas não são suficientes para que tenhamos mudanças consistentes no cenário da violência contra a mulher.

Para que Lúcia Pérez fosse assassinada, um conjunto de elementos sobre o que é ser homem e o que é ser mulher inseridos de diferentes formas dentro da sociedade contribuiu para que esta morte brutal acontecesse.

Recomendo que você leia também: Liberdade de Escolha: Homens e Mulheres São Educados Para Tê-la?

Então esta morte seria culpa da sociedade??

Feminicídio Dentro do contexto violento, quando focamos a nossa análise no nível da culpabilização, não avançamos muito uma vez que caímos na esparrela das explicações simplistas e superficiais que ou culpam a vítima ou culpam os agressores ou mesmo a sociedade.

 

Aliás, muito mais que hipersimplificar, acabamos reproduzindo a ideologia violenta que estamos discutindo.

Lembrando que a violência começa com imposições, restrições, desconsideração e simplificações do outro e de sua singularidade dentro de uma relação. 

eminicídio

feminicídio
Feminicídio

E justamente pela violência conter estes elementos de aniquilação do outro de alguma maneira, precisamos entender como esta disseminação da cultura de aniquilação do feminino se inicia nas relações.

É para isso não precisamos ir muito longe. Os principais agressores/assassinos de mulheres estão dentro de casa. Pois é.

Apesar do caso Lúcia Perez ter sido cometido por pessoas que não tinham relação muito próxima, normalmente os feminicídios são cometidos por parceiros, ex-parceiros, familiares e outras pessoas do círculo familiar/íntimo da vítima.

Mas se estas pessoas são tão próximas por que não existem ações preventivas ou legais para que a morte não aconteça? Feminicídio

A culpabilização da vítima é um dos primeiros obstáculos durante a denúncia.

E esta culpabilização vai desde a própria vítima passando pelos amigos, pessoas próximas e até mesmo por alguns profissionais que não têm o preparo técnico adequado para acolher ou mesmo há uma rede de serviços insuficientes.

Feminicídio Aliás, esta culpa está presente se ela denuncia ou também se ela não faz a denúncia.

 

Mas isto é só uma ponta de iceberg. Digamos que há algo acima disto tudo por assim dizer.

Vamos retornar  para a velha questão de objetificação, ódio e desvalorização das mulheres.

Enquanto ela persistir, infelizmente, a violência vai se fazer presente.

E deste modo, o que eu quero deixar como alerta é que precisamos cuidar da forma como entendemos o que é ser homem e o que é ser mulher e de que maneira estamos educando as crianças dentro desta questão.

E eu não falo só em educação formal nas escolas.

Estou colocando como foco pequenas ações e práticas que procurem acabar com a desvalorização e objetificação do feminino dentro das nossas casas.

Mas você pode perguntar: Ah, mas será que se meu filho tiver a mesma quantidade de obrigações que a minha filha em casa, ele não vai se tornar um machista mesmo?

Sinceramente eu não sei.

Mas, você vai estar contribuindo para um pequeno movimento (ou quem sabe grande movimento) para desmobilizar uma estrutura cristalizada de ódio e discriminação contra as mulheres.

E quando digo que não sei no parágrafo anterior não é por que não acredito em uma educação que promova a igualdade de gênero.

É que, infelizmente, existe uma quantidade de elementos e fatores presentes no nosso meio social e cultural que vão ditar o certo sobre “ser homem” e o certo” sobre ser mulher”.

Mas precisamos das pequenas ações de grande impacto promovidas pela educação de gênero para contrabalancear este histórico de violência contra as mulheres.

Feminicídio E as consequências deste tipo de educação não vai beneficiar somente as mulheres mas, vai contribuir para homens mais saudáveis e menos engessados em seus papéis.

 

Enfim, quis trazer aqui minha contribuição para este assunto que se tornou pulsante esta semana.

E você leitor(a)? Tem alguma ideia ou sugestão? Feminicídio

Esta coluna é um espaço aberto e precisamos de ações e ideias conjuntas para que não tenhamos nenhum homem violento a mais e nenhuma Lúcia Perez a menos.

Grande Abraço! Fiquem em paz!

Karine

karineKarine David Andrade Santos – Psicóloga CRP-19/2460 realiza atendimentos individuais para adultos e adolescentes em Aracaju/SE e orientação psicológica via Skype (http://www.karineandradepsi.com.br/). 

Membro da Cativare (https://www.facebook.com/cativarepsi/). 

Idealizadora do Projeto De Bem com Você em parceria com a psicóloga Eanes Moreira. (Informações via whatsapp (79)99922-8130)

Contatos: E-mail: [email protected]

Facebook – https://www.facebook.com/KarineAndradepsi/

Instagram –https://www.instagram.com/karine.andrade_psiaju/

YouTube – Psicologia Aracaju

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.