Dinheiro como motivo de conflito conjugal

Apesar de ser difícil falar sobre dinheiro, muito provavelmente esse vai ser um assunto recorrente na vida de todo casal.
Dinheiro como motivo de conflito conjugal

Se falar de dinheiro já gera polêmica, imagine esse assunto dentro do contexto conjugal? Não é à toa que o dinheiro é o segundo maior motivo de separação no mundo.

Mas apesar de ser difícil falar sobre dinheiro, muito provavelmente esse vai ser um assunto recorrente na vida de todo casal. Ao longo de um dia, uma semana, um mês, são inúmeras as decisões econômicas que um casal precisa tomar:

Onde fazer as compras da semana? O que comprar? Morar mais perto do trabalho e pagar um pouco mais caro no aluguel ou morar um pouco mais longe para economizar? Pagar escola particular ou matricular os filhos na escola pública?

E isso só no âmbito das decisões da vida em comum. Quando colocamos na equação os objetivos e os sonhos pessoais, temos ainda mais decisões para tomar:

Fazer aquele curso de pintura ou não? Comprar uma moto para participar do motoclube com os amigos? Fazer uma viagem só com as amigas? Entrar naquela pós-graduação?

Isso quer dizer que devemos deixar esse assunto para lá, já que ele é motivo de conflito? Não mesmo.

Fale mais sobre dinheiro

Quanto menos falamos sobre dinheiro no casal, mais ele se torna um tabu. Esse desconforto ao falar sobre dinheiro com seu parceiro ou parceira, na verdade, pode ser justamente um sinal de que vocês precisam conversar mais sobre isso.

Geralmente, quando temos um assunto difícil para tratar, temos a impressão de que falar sobre ele vai piorar as coisas. Mas por mais que os primeiros minutos de conversa possam ser difíceis, não perca essa oportunidade de conhecer as opiniões e os sonhos do seu parceiro ou parceira.

Muitas vezes deixamos de conversar porque imaginamos que já sabemos o que o outro pensa. Mas por mais que você conviva diariamente com seu parceiro ou parceira, no fundo ninguém pode saber com certeza o que o outro pensa.

Como começar essa conversa?

Precisamos falar sobre dinheiro, sim, mas essa conversa não pode se tornar um interrogatório sobre cada centavo que foi gasto pelo cônjuge. Isso tornaria a conversa muito pouco produtiva.

Um bom jeito de começar essa conversa é perguntar ao seu parceiro ou parceira: você está feliz? Não tenha medo da resposta, afinal se você está realmente comprometido(a) com seu parceiro(a), vai querer fazer o que estiver ao seu alcance para deixá-lo(a) sempre mais feliz.

Tendo esse ponto de partida, vai ficar mais fácil colocar as suas necessidades na mesa, ouvir as necessidades do seu parceiro ou parceira e depois decidirem juntos o que podem fazer, em termos financeiros, para aumentar a felicidade um do outro.

Cuide da privacidade financeira

Assim como questionar cada centavo que foi gasto pelo outro não é produtivo, tentar controlar o que seu parceiro pode ou não gastar também não vai ajudar muito.

O seu parceiro ou parceira, assim como você, precisa ter garantida a sua privacidade financeira. Vocês não precisam conhecer todos os gastos um do outro, desde que tenham objetivos em comum e contribuam para esses objetivos.

Alguns casais funcionam bem utilizando a conta conjunta. Mas mesmo se for esse o seu caso, procure não ficar vigiando os gastos do seu parceiro ou parceira. A privacidade é algo muito importante em um relacionamento, ela preserva a individualidade e abre espaço para algumas surpresas, como um presente inesperado.

Evite a infidelidade financeira

Todavia, cuidar da privacidade é diferente de mentir ou se omitir a respeito da sua vida financeira ou da vida financeira do casal, caso você gerencie o dinheiro em casa. Esse comportamento é chamado de infidelidade financeira e também não é saudável em um relacionamento.

Procure ter uma relação aberta, coloque as cartas na mesa. Se você tem medo do que seu parceiro ou parceira pode pensar ou se você sente que ele ou ela ameaça seu patrimônio, esse é mais um motivo para conversar sobre dinheiro e esclarecer as coisas.

Quando o assunto é dinheiro, temos a tendência de pensar que só o nosso jeito de lidar com dinheiro é o certo. Na verdade, toda e qualquer pessoa tem algo a ensinar sobre isso. Permaneça aberto(a) também para aprender com seu parceiro ou parceira.

Cuide do “nós”, mas cuide também do “eu”

Uma das grandes razões para o dinheiro ser motivo de conflito no casal é o desequilíbrio entre o “eu” e o “nós”. Quando você se casa, você não deixa de existir como indivíduo. Os seus sonhos, os seus objetivos, as suas metas continuam existindo dentro de você.

Se falta espaço para o “eu” em um relacionamento, pode ser que um dos dois se sinta anulado, vivendo apenas em função da família.

Por outro lado, se falta espaço para o “nós”, pode ser que o casal não consiga realizar coisas juntos, ter objetivos em comum, se comprometer com a família.

Uma boa maneira de cuidar tanto do “eu” como do “nós” é estabelecer, juntos, objetivos em comum e objetivos individuais. O seu parceiro ou parceira pode te incentivar nos seus objetivos pessoais, ao mesmo tempo em que vocês dois contribuem para a realização de um sonho do casal.

O consenso é a chave

Nesse texto, procurei falar sobre alguns pontos de conflito relacionados ao dinheiro no casal. São dicas gerais que funcionam para a maioria dos casais, mas tenha sempre em mente que a melhor decisão é aquela que vocês decidem juntos.

Todos os casais são diferentes e funcionam também de formas muito diferentes. Então vocês precisam descobrir juntos qual é o modo de lidar com o dinheiro que não só diminui os conflitos como aumenta as chances de vocês atingirem seus objetivos individuais e em comum.

O dinheiro, no fim das contas, não está aqui para atrapalhar. Ele pode e deve ser transformado em um grande aliado do casal.

Quer saber mais sobre esse tema? Assista abaixo à live que fiz no perfil @serterapeutadecasal, da Psicóloga Tatiana Perez, em que explico tudo isso com mais detalhes, falando também sobre os perfis financeiros. Saber reconhecer o seu perfil e o do seu cônjuge pode te ajudar a lidar melhor com o dinheiro na relação.

Leia também: Como tornar o planejamento financeiro um hábito

 

 

Deyse Medeiros é psicóloga (CRP-01/20480) e servidora pública, graduada em Letras e Psicologia, com formação em Psicologia Econômica, e uma estudiosa apaixonada de Educação Financeira. Atua como psicóloga online na abordagem psicanalítica e na interface entre Psicologia Econômica e Educação Financeira.

 

Acredito que quanto mais conscientes estivermos de como nossas emoções afetam nossa relação com o dinheiro, mais capazes seremos de tomar boas decisões. Decisões que realmente reflitam nossa verdade interior, que estejam alinhadas com nossos sonhos e metas, enfim, que nos conduzam a uma vida melhor e mais rica, não só de dinheiro, mas também de experiências e possibilidades.

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