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Culpa materna

Depressão e Culpa Materna: Como Surgem e o Que Fazer Para Evitá-las?

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Depressão e culpa materna

A prevalência do Transtorno Depressivo durante todo o ciclo de vida é duas vezes maior em mulheres adultas do que em homens (Quevedo e Silva, 2013).

Esta realidade demonstra o quanto a mulher está mais susceptível a sofrer consequências desagradáveis e desajustes emocionais e sociais em sua vida, afetando não somente a ela, mas à todas as pessoas com quem se relaciona, seja no âmbito familiar, social ou de trabalho, etc.

Sabemos que a Depressão em si é um transtorno incapacitante e gera comprometimento no funcionamento global do indivíduo, incluindo a educação, seus relacionamentos, emprego, Vida financeira. Ou seja, afeta diretamente a saúde.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define Saúde como “um estado de completo bem estar físico, mental e social”, ampliando a compreensão de que manter-se saudável não significa apenas a ausência de uma doença física ou mental, mas a manutenção e o equilíbrio em todas as esferas.

Essa ideia corrobora para a compreensão da representatividade da Depressão na sociedade, e principalmente na população de maior incidência da doença: a população feminina.

O Desenvolvimento biológico da mulher é marcado por três grandes fases que influenciam sua funcionalidade e sua personalidade durante a sua vida.

A saber: a fase da adolescência, a gravidez e o climatério, que geram alterações hormonais, metabólicas e psíquicas que exigem da mulher reajustes pessoais e interpessoais (Azevedo e Arrais, 2006) ao longo de sua vida.

Culpa Materna A gravidez por sua vez, é um marco na vida e no desenvolvimento da uma mulher.

Culpa Materna
Culpa Materna

Representa um conceito de felicidade, alegria, plenitude e ápice da vida feminina.

Momento em que a expectativa de se gerar uma vida é alimentada e esperada desde a sua infância, pois foi lá, neste período do seu desenvolvimento que ela começou a aprender por meio das brincadeiras a ser uma boa mãe, a ser uma mulher prestativa, cuidadora e dedicada ao zelo familiar e dos filhos. 

O ideal de maternidade após ser formado e interiorizado, não encontra muito espaço na sociedade para uma mãe que porventura possa não compartilhar dos mesmos sentimentos e emoções com a espera e a chegada de um filho, que mesmo tendo sido desejado, pode vir a não traduzir a plenitude que se esperava ter naquele momento.

O choque com a realidade sobre a maternidade, entre o que foi social e culturalmente construído ao longo dos tempos, podem e trazem sérios danos e desequilíbrios emocionais e psíquicos à mulher que não “conseguiu” seguir aos padrões a ela impostos, podendo se tornar um fator muito importante na deturpação de sua autoimagem e em sua visão sobre o que é ser uma boa mãe, aumentando assim, a probabilidade de uma Depressão pós-parto.

A mulher não nasce “mãe” e não vira “mãe” da noite para o dia.

Este é um processo que leva tempo e muito desta concepção se constrói a partir do desejo anterior à gestação.

Porém esta não é uma regra! Culpa Materna

Existem muitas mulheres que sequer planejaram ou pensavam em ter filhos e hoje vivenciam a experiência materna de maneira agradável e não menos intensa e exigente como aquelas que se planejaram, por exemplo.

As dificuldades e a imprevisibilidade nos cuidados e na relação mãe-bebê que se apresentam principalmente nos primeiros dias e meses de vida do bebê como:

  • o cansaço excessivo,
  • a dificuldade para dormir,
  • a fome,
  • a dificuldade de amamentar nos primeiros momentos,
  • as “cólicas”,
  • o choro constante e de causa desconhecida do bebê,
  • a falta de tempo para tomar banho e para conversar com outras pessoas, etc.

Requerem da mulher uma condição de adaptar-se e readaptar-se constantemente ao novo contexto de vida, ou até mesmo em pouco intervalo de tempo, gerando tamanha instabilidade emocional.

Além destes fatores influenciarem na vulnerabilidade emocional da mulher em torno da Depressão pós-parto, outro aspecto também se faz presente e colabora negativamente para este momento: a culpa materna.

De onde ela vem? E porque causa tanto sofrimento? Culpa Materna

Culpa Materna
Culpa Materna

A culpa materna se origina das cobranças e dos padrões sociais relacionados a função materna, como os “tem que..”.

Fazendo surgir uma sobrecarga emocional e psicológica desnecessária sobre a mulher, resultando na maioria dos casos em um sentimento de incapacidade quando esta mãe se depara com certas exigências que não se encaixam e não se adequam a sua realidade.

A culpa materna surge quando as dificuldades de amamentar aparecem no caminho, e há necessidade de fazer introdução de um leite artificial, por exemplo.

Quando o desejo de descansar é maior que o de se levantar e cuidar do bebê, quando há necessidade de voltar ao trabalho, quando o bebê adoece, e por aí vai…

Tudo isso faz com que a mãe experimente sentimento de incapacidade, impotência e inabilidade para exercer o seu papel e função materna no que diz respeito aos cuidados, desenvolvimento de um vínculo sadio e equilibrado para ambos.

Quando todas estas condições e emoções surgem (e também os sintomas relatados no artigo anterior) trazendo prejuízos e incapacidade na relação materna com o bebê, assim como o estranhamento da relação, como por exemplo, quando a mulher não se vê/reconhece como mãe e o bebê como filho, e não percebe a fragilidade e a importância dos cuidados físicos, fisiológicos e emocionais que ele precisa ter, devemos ficar em alerta, pois pode ser mais um caso de DPP.

Culpa Materna A maternidade real envolve um misto de emoções e a ambivalência de sentimentos, dificuldades e limitações próprias que é comum a maioria das mulheres e todas estão susceptíveis a essa condição, apesar de apenas uma pequena parcela delas receberem o tratamento adequado ou buscarem ajuda.

Culpa Materna
Culpa Materna

O diagnóstico correto, o acompanhamento preventivo e a não negligência com esta realidade, favorece o tratamento adequado e o controle dos sintomas.

Já a conduta contrária a esta possibilita uma consequência mais alta, como o risco de infanticídio e de suicídio entre mulheres que estão com Depressão Pós-parto (Quevedo e Silva, 2013).

Este é um assunto muito sério e que merece toda atenção e reflexão a respeito das condições em que esta maternidade está sendo desenvolvida, nos apoios e recursos (institucionais, familiares e sociais) que esta mãe dispõe para ser ajudada quando se encontra nesta fase de tamanha vulnerabilidade psíquica.

Recomendo que você leia também: Depressão Pós Parto: Causas, Sintomas e Tratamento!

Com carinho,

Gracy Ramos.

Gracy Ramos da S. Nakakura | CRP 01/17360.

Psicóloga Clínica, palestrante, atua com atendimento infantil, de adultos e idosos, com base na Terapia Cognitivo-Comportamental e atendimento Psicopedagógico.

Realiza acompanhamento e Orientação para Pais e Educadores.

Avaliação psicológica e para Cirurgia Bariátrica (pré e pós-operatório).

Já atuou com grupo de pré-adoção em parceria com a 1ª VIJ/DF e com grupo de pais agressores em cumprimento de medidas alternativas pelo MPDFT/TJDF em Samambaia/DF.

Idealizadora do Projeto Conversações Psi –  www.facebook.com/conversacoespsi

Contatos: Consultório – C1 lote 1/13,  8º andar – Sala 810 –  ED. Taguatinga Trade Center – Taguatinga Centro/DF

Telefone: 61 – 981151928 (Whatsapp)

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