Deficiência Intelectual e Transtorno de Aprendizagem são a mesma coisa?

São diagnósticos e quadros diferentes, porém é comum a confusão entre eles, principalmente no ambiente escolar, pois o rendimento e aprendizado são prejudicados em ambos quadros.
Boring sad expression student schoolgirl on classroom desk at school green chalk board

Em consultório, ou até mesmo nas orientações online que realizo, recebo dúvidas quanto aos diagnósticos que são dados, pais/responsáveis e profissionais da educação que pedem para que eu explique o que significa ter um filho ou aluno com Deficiência Intelectual, quando na verdade o quadro é de Transtorno de Aprendizagem e vice-versa.

E me perguntam, mas não é tudo a mesma coisa?

Não, são diagnósticos e quadros diferentes, porém é comum a confusão entre eles, principalmente no ambiente escolar, pois o rendimento e aprendizado são prejudicados em ambos quadros.

Para melhor exemplificar as diferenças segue as características e implicações de cada caso:

Deficiência intelectual (desordem intelectual de desenvolvimento) é um distúrbio com início durante o período de desenvolvimento, primeira infância até os 18 anos, que inclui déficits de funcionamento tanto intelectuais (QI abaixo da média) e adaptativas em domínios conceituais, sociais e práticos.

Para se fechar um diagnóstico há de realizar uma avaliação neurológica, psicológica e psiquiátrica adotando os três seguintes critérios, orientados pelo DSM-V e CID-10:

  1. Déficits nas funções intelectuais, como raciocínio, resolução de problemas, planejamento, pensamentos abstratos, julgamento, aprendizado acadêmico, aprender com a experiência, confirmada tanto por avaliação clínica e individualizada, quanto por testes de inteligência padronizados.
  2. Os déficits no funcionamento adaptativo que resultam em incapacidade de cumprir e de desenvolver padrões socioculturais para a independência pessoal e responsabilidade social. Sem apoio, os déficits adaptativos limitam o funcionamento em uma ou mais atividades de vida diária, tais como comunicação, participação social e uma vida independente, através de vários ambientes, como casa, escola, trabalho e comunidade.
  3. Os déficits intelectuais e adaptativas tem início durante o período de desenvolvimento.

A deficiência intelectual é o termo equivalente para o diagnóstico CID-10(Código Internacional de doenças) para diagnóstico de distúrbios intelectuais do desenvolvimento, seguindo os códigos abaixo para classificação de gravidade e comprometimento da Deficiência Intelectual:

( F70 ) leve , ( F71 ) moderada , ( F72 ) grave , ( F73 ) Profunda.

Apresentado os critérios diagnósticos da Deficiência Intelectual fica mais evidente a comparação e a diferenciação deste do Transtorno de Aprendizagem que é um distúrbio interligado a alguns déficits da capacidade pedagógica da criança, que atende pelo código F.81 pelo CID-10.

Segue alguns aspectos importantes para o diagnóstico de Transtorno de Aprendizagem:

1º- é importante frisar que o diagnóstico é  simplesmente clínico e observacional. Isto significa que não há exames que identifiquem o TA. A criança que apresentar algum traço do TA vai mostrar em pequenos detalhes, principalmente no ambiente escolar. Nesse caso, o pequeno pode mostrar inteligência, habilidades e atividades gerais de sua vida, mas ela demonstra dificuldade em desempenhar algumas funções acadêmicas. Dificuldades cognitivas.

2º- quando a criança apresenta dificuldade de memorização de atividades que envolvam linguagem, leituras, formas gráficas e números.

3º- percepção de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor em áreas motoras

4º- hereditariedade pode ser um fator para a ocorrência de TA na criança. Isto porque há a possibilidade de algum parente do pequeno ter apresentado as mesmas características na vida escolar. Pais, tios, primos, avós; o que pode ter levado a algum deles ter abandonado os estudos.

Estes aspectos deverão ser observados através de uma avaliação multidisciplinar com profissionais especialistas, como psicopedagogos, fonoaudiólogos, neurologistas infantis e psicólogos, que saberão quais testes devem ser utilizados para avaliar a criança. 

Os professores devem analisar o rendimento escolar e as dificuldades encontradas. Logo após enviar relatório que descreve a situação  à equipe multidisciplinar que  atende a criança.

Fazendo um paralelo entre os quadros apresentados, a principal semelhança entre a Deficiência Intelectual e o Transtorno de aprendizagem, e que provoca as confusões diagnósticas é o déficit cognitivo com relação à assimilação dos conteúdos pedagógicos, o prejuízo ou a não aquisição da alfabetização, porém a diferença crucial dos diagnósticos é no que se refere às habilidades adaptativas.

Pois, na Deficiência Intelectual há comprometimentos significativos nas relações interpessoais, na capacidade de autocuidado e segurança, comunicação prejudicada (discurso desconexo), autorregulação (maior intolerância à frustração), entre outras implicações que dificultam a adaptação social.

Enquanto que no Transtorno de Aprendizagem as limitações encontram-se na aprendizagem formal (conteúdo pedagógico) e não compromete a aquisição de outras habilidades adaptativas, o criança apresenta inteligência dentro da média, com capacidade para resolução de problemas e se adaptar a mudanças sociais.

Concluindo, para uma melhor intervenção e manejo clínico, o diagnóstico preciso e o mais completo possível é imprescindível.

E para tal é necessário uma equipe multidisciplinar atenta aos critérios apresentados no DSM-V e CID-10. Espero ter esclarecido as principais dúvidas, caso ainda tenham algumas que não foram abordadas neste artigo, podem me escrever que dentro do possível vou transformando essas questões em mais artigos, que atendam a demanda de vocês leitores, grande abraço e até o próximo artigo.

Leia também: Deficiência Intelectual e a Inclusão Escolar: Como Agilizar o Processo?

 

Priscila Conceição Souza Martins Psicológa – (CRP 06/108485) com pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional,  atua na abordagem psicanalítica, possui ampla experiência no atendimento clínico à adolescentes e adultos, promovendo autoconhecimento e saúde emocional. Atua no processo de inclusão social da pessoa com deficiência Intelectual e/ou Múltiplas, sendo com a orientação familiar ou para profissionais da educação: desmistificando os estigmas e preconceitos, auxiliando no manejo com o indivíduo em questão, trabalhando na construção do empoderamento da pessoa com deficiência e sua família.

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