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cultura do estupro

Cultura do Estupro: A Surpreendente Verdade Que Nunca te Contaram

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Cultura do Estupro

Cultura do Estupro Zona Oeste do Rio de Janeiro, 26 de maio de 2016. Uma adolescente de 16 anos é levada para um hospital pela avó para ser medicada após ser vítima de estupro coletivo cometido por cerca de 33 homens.

A partir daí, começam uma chuva de especulações sobre a conduta e a vida pregressa da jovem bem como um verdadeiro menosprezo pelo delegado que tratava do caso.

Junto a este quadro, são iniciadas uma caminhada rumo à caracterização do crime de estupro, uma revolta generalizada por parte dos movimentos feministas e sociais diante do pouco caso na condução da situação e uma mobilização por parte de homens e mulheres condenando a cultura do estupro nas redes sociais.

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Em contrapartida, também aparece um movimento contra que tenta caracterizar as mobilizações com tendências partidárias e invalidar a condição da vítima pois seu histórico não é de “ser santa”.

Mas afinal de contas, entre estuprados e estupradores, quem é a verdadeira vítima? Vou iniciar aqui uma discussão sobre isso. Fique aqui e continue lendo este artigo.

Pergunto a você, caro leitor / cara leitora, se diante das palavras já escritas no texto acima, você pode ter formulada alguma ideia/ação preconcebida sobre a minha pessoa?

Pois é. Estamos (isso mesmo estou me incluindo) formulando ideias preconcebidas sobre quem é este outro e não nos importamos com o que ele/ela sente. Cultura do Estupro

O tempo todo. Não culpa minha, nem sua. Aprendemos. Em uma simples interação com o mais próximo, temos vergonha/medo de falar gentilmente sobre as nossas emoções/sentimentos para o nosso interlocutor.

Inicio minha análise em nível micro para demonstrar como a violência está instalada em nossas relações. Cultura do Estupro

Se agredimos, impomos a nossa opinião, julgamos, controlamos, humilhamos, menosprezamos e, por fim, tentamos de alguma anular aquele ser ou suas expressões que ali se apresenta diante de si/mim, estamos sendo violentos.

Enfim, já deu para perceber como a violência está dentro ou próxima de nós e não nos damos conta.

Mas você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com o estupro coletivo? Cultura do Estupro

Cultura do Estupro!
Cultura do Estupro!

Muito mais que os nossos pensamentos possam elaborar. Estamos imersos em uma cultura atravessada por uma violência simbólica sobre o que é ser homem e o que é ser mulher.

De acordo com os simbolismos violentos que impregnam as ações, palavras e trocas sociais, todo homem deve:

  • esconder suas emoções,
  • demonstrar o quanto macho e viril é, principalmente diante de um grupo de homens,
  • explorar o sexo o mais cedo possível,
  • andar, agir e falar da maneira mais firme, violenta, grosseira e objetiva possível,
  • cuidar de seus comportamentos e ações para que não deixem transparecer nenhum indício de homossexualidade,
  • ser provedor da casa,
  • ir em busca do sucesso profissional,
  • não permitir que nenhuma mulher “tente comandar” a relação,
  • ser conivente e achar graça de atitudes e piadinhas machistas e homofóbicas,
  • contar suas aventuras  sexuais,
  • entender que uma mulher “dando sopa” não deve ficar sozinha
  • e principalmente que aquelas “não-santas, rodadas, galinhas, que dá para todo mundo” devem ser manejadas por todos na ordem e quantidade que convier e for mais divertido dentro de uma ótica misógina.

DEVE E SE NÃO FIZER, VAI SOFRER RETALIAÇÕES DE ALGUMA FORMA. Cultura do Estupro

Eu pergunto: onde está a pessoa do sexo masculino dentro de tantos deveres? O que ele sente? O que ele pensa? Eu não sei.

Sei que foi engolido por uma cultura machista e atirado em uma esteira de repetição de comportamentos, pensamentos e ações que o desconsideram enquanto ser humano e menosprezam o feminino.

Alguns podem ficar enraivecidos com o meu ponto de vista. Mas tanto estupradas como estupradores são vítimas. O que é isso? O estuprador é vítima? Pois é!

Encaixado, preso e fechado hermeticamente para ser o mais viril possível de alguma forma, os estupradores e os homens são vítimas. Cultura do Estupro

Aliás, vou ampliar a visão: todos somos vítimas. Não estou simplesmente falando de um vitimismo fatalista em que a pessoa não tem ou não pode ter uma ação/autonomia sobre algo.

Mas é no sentido de como esta cultura da violência está agarrada de maneira microscópica em nós. Começa pela falta de um diálogo saudável entre duas pessoas só para ilustrar conforme já citado.

Bom, não vou esquecer dos deveres da mulher que esta mesma cultura impõe:

Bela, recatada e do lar!
Bela, recatada e do lar!
  • ser bonita,
  • submissa,
  • comportada,
  • adotar as decisões do homem como suas,
  • seguir o padrão de beleza vigente,
  • invisível em seu agir, nos comportamentos e ações pois, caso não seja assim, algo está errado,
  • uma boa mãe(esse eu nem vou comentar pois, seria outro texto),
  • agradável sempre mesmo que esteja com raiva, triste e qualquer outra emoção que não revela o que aparenta e caso seja uma simples peça decorativa no trabalho, em casa, com o namorado e com os amigos, atingiu o ideal.

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Assim, enquanto para o homem, culturalmente, o que rege seu comportamento é o enrijecimento, a disciplina e demonstração constante de sua potência sexual de alguma forma, para mulher, o interessante é a invisibilidade, a submissão e por que não, ser aniquilada psicologicamente e morta fisicamente. Esta aí o quadro da vítima da estuprada.

Então, naquele momento do estupro coletivo, pode-se dizer que houve um verdadeiro encontro simbólico de vítimas culturais: de corpos masculinos criados, disciplinados e enrijecidos na cultura machista e misógina e um corpo feminino cuja existência incomoda de alguma forma e que por isso, deve ser disciplinado, submisso, violado e se possível morto, diversas vezes, para que não se esqueça de seu lugar na sociedade.

E também para que seja confirmado que todos aqueles 33 homens são machos de verdade!

Infeliz expressão de uma cultura e seus simbolismos violentos!

Karine

 

karineKarine David Andrade Santos – Psicóloga CRP-19/2460 realiza atendimentos individuais para adultos e adolescentes em Aracaju/SE e orientação psicológica via Skype (http://www.karineandradepsi.com.br/). Membro da Cativare (https://www.facebook.com/cativarepsi/). Idealizadora do Projeto De Bem com Você em parceria com a psicóloga Eanes Moreira.(Informações via whatsapp (79)99922-8130)

Contatos: E-mail: psimulti@gmail.com; Facebook – https://www.facebook.com/KarineAndradepsi/

Instagram –https://www.instagram.com/karine.andrade_psiaju/; YouTube – Psicologia Aracaju

Indicação de Livro: Missoula: O estupro e o sistema judicial em uma cidade universitária

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Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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