Skip to main content
Cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

A Sobrecarga Vivenciada Por Cuidadores de Pessoas que Tem Esquizofrenia

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Sobrecarga vivenciada por cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

Vamos voltar um pouco na história para que vocês entendam mais amplamente a sobrecarga que os cuidadores vivenciam:

cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

  • Primeiramente as pessoas que tinham esquizofrenia eram “exiliadas” em suas próprias casas, escondidas pois eram vistas como “a tia louca”, “ o doente”, entre outros codinomes;
  • Depois de um longo tempo essas pessoas passaram a ficar internadas em manicômios, em hospitais psiquiátricos, abandonadas por suas famílias, sem receber visitas dos mesmos e na maioria das vezes, mal cuidadas;
  • Pois bem, a 3° fase dessa história foi a Desinstitucionalizacão Psiquiátrica, processo onde as pessoas com esquizofrenia retornaram aos seus lares, juntamente com suas famílias, pois se entendeu que elas ficariam melhores com suas famílias e também se queria lugares melhores do que os antigos manicômios, como casa lares, hospitais dias, o que infelizmente até hoje não se encontra.

Entretanto esse retorno ao lar, junto a seus familiares não foi preparado. Esses cuidadores e/ou familiares não foram orientados sobre: cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

  • Como cuidar, como agir na hora de um surto;
  • O que fazer para que eles tomem as medicações;
  • Como sustentar as medicações e todo tratamento;
  • E a família desorientada, o que fazer?
  • Não se tem mais tempo para si, para trabalhar, para lazer, tudo se modificou…

Sim, a reforma Psiquiátrica contribuiu para que as famílias se reaproximassem dos seus entes queridos que tem o transtorno. cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

A equipe médica passou a enxergar que a família é muito importante para estabilização do paciente, passando a ser uma forte aliada para o tratamento e melhor qualidade de vida de quem sofre com o transtorno e de todos que convivem com ele.

Por outro lado, se descobriu essa sobrecarga para os cuidadores/familiares dos pacientes, pois estes assumem um papel muito importante no cuidado, apoio, dificuldades, sustento, no dia a dia desse familiar.

O que seria essa sobrecarga?? cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

Cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia 2

A sobrecarga vivenciada pelos cuidadores deriva de diversos fatores, entre eles:

  • Falta de apoio dos serviços de saúde mental, profissionais mal preparados para informar, orientar essas famílias sobre a melhor forma de agir com seu familiar;
  • Falta de informações sobre o transtorno, tratamento, estratégias mais adequadas para o dia a dia com seu familiar, o que fazer na hora de um surto;
  • Dificuldades financeiras. Na maioria dos casos, esse familiar não poderá mais trabalhar e muitos cuidadores também precisarão ficar em casa com ele, e como sustentar a familiar? Os custos do tratamento?
  • A dificuldade de adesão ao tratamento, a falta de medicações, o alto custo quando os próprios cuidadores precisam comprar;
  • Os comportamentos instáveis e algumas vezes agressivos do familiar. A esquizofrenia deixa a pessoa com muitas oscilações, um dia está bem e no outro péssima, e o cuidador é quem vai precisar lidar com todos esses altos e baixos;
  • A assistência a esses pacientes também é vista como um fator de sobrecarga. Muitos familiares precisam de ajuda para sua higiene, para sua alimentação, não podem sair sozinhos, precisam e chamam o tempo todo, o que mexe muito com o psicológico dos cuidadores. E como não mexeria não é?
  • A pessoa que tem esse transtorno se torna muito dependente do seu cuidador, algumas vezes consegue ajudar em atividades de casa, outras não;
  • A dificuldade de relacionamento de quem tem esquizofrenia também afeta seus familiares, pois sofrem junto com eles e não podem fazer nada, ou ainda deixam de frequentar lugares pois eles não podem ou não querem ir;
  • A relação familiar se modifica, os hábitos também. As famílias precisam rever e modificar muitos comportamentos, o que pode trazer discussões entre os membros familiares e deixar um clima tenso, pesado em casa;
  • A falta de momentos de lazer, de amigos, de passeios, de atividades simples, que antes o cuidador conseguia realizar e agora fica mais difícil.

Esses são alguns dos fatores que mais contribuem para o aumento da sobrecarga dos cuidadores de familiares com esquizofrenia.

E como eu sempre digo: ninguém e de ferro!!

Sendo assim, imaginem: as famílias não foram preparadas para cuidar do seu familiar, não recebem orientações, como não irão ficar sobrecarregadas e até doentes?

Antigamente eram excluídos e não se sabia como tratar, por isso muitas famílias deixavam seu familiar nos hospitais psiquiátricos, após a Reforma Psiquiátrica precisam assumir essa responsabilidade, mas sem preparo, sem apoio os resultados serão: sobrecarga emocional, física, mental, surgimento de doenças, etc.

A culpa é outro fator que leva os cuidadores ao aumento da sobrecarga, pois se não tem a informação correta, acreditam terem sido os culpados pelo transtorno, terem feito algo errado quando eram crianças. E ao contrário, aqueles que tem a informação correta do que é, como surge a esquizofrenia sabem que não são culpados e terão um peso a menos para carregar.

O que fazer para “driblar” essa sobrecarga?? cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

  • A participação dos familiares em grupos de psicoeducação, onde se trocam ideias, discute-se estratégias de enfrentamentos, um momento para se expor seus sentimentos, suas dúvidas. Esses grupos auxiliam muito esses cuidadores, fortalece-os para seguirem em sua caminhada;
  • As trocas com as equipes médicas. O envolvimento dos familiares na internação hospitalar, por exemplo, facilitará o processo de readaptação pós alta. Pergunte sempre ao Psiquiatra do seu familiar, não saia com dúvidas, questione! Quanto mais você souber, melhor poderá ajudar seu ente querido;
  • Procure fazer algumas atividades fora de casa. O que você puder. Sempre existe um momento, àquela hora que seu familiar está dormindo, ou tem alguém com ele, ou que ele saiu para dar uma volta (se ele puder fazer isso sozinho, muitos podem!);
  • Se você puder continue trabalhando. Ter sua profissão e gostar do que faz contribui positivamente para diminuição da sobrecarga;
  • Coloque limites e regras para seu familiar. NUNCA PERMITA AGRESSÃO! Eles sabem até onde podem ir e com quem, faça-os respeitar. Limites para fumar, para comer, para sair, dormir, assistir TV, essas coisas que parecem para criança, (e eles voltam a ser criança!) Precisam existir;
  • Procure ter o SEU TEMPO! Nem que seja para ler um livro, dar uma volta no shopping, ir ao cinema ou café com as amigas, mas faça o seu momento de lazer;
  • Procure manter sua alimentação saudável, se puder realizar atividade física, mantenha seus exames médicos em dia!

Finalizando, não é milagre, é um passo após o outro, devagar, mas sempre!

E lembre-se sempre que você precisa estar bem para cuidar do seu familiar, por isso cuide-se!! cuidadores de pessoas que tem esquizofrenia

Se tiver interesse, baixe o meu E-book: 

A ESQUIZOFRENIA EM NOSSAS VIDAS – A VIDA REAL PELOS OLHOS DAS MÃES

Abraço,

Psicóloga Daniela da Silva

Transtorno mentalDaniela da Silva – Psicóloga com Orientação Psicanalítica (CRP 07/23218). Atua nas cidades de Cachoeirinha e Gravataí/RS, como Psicóloga Clínica e também palestrante.

Atendimento direcionado para familiares de pessoas que tem esquizofrenia; relações familiares- pais e filhos.

Email: danipsicologa@outlook.com;

Facebook: Psicóloga Daniela da Silva

Instagram: psicologa_danieladasilva;

Tel / WhatsApp: 51-84059491;

Blog: www.alemdaesquizofrenia.com

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.