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contos de fadas verdade ou mentira

Contos de Fadas: Verdade ou Mentira? Descubra Aqui!

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

 Contos de Fadas: verdade ou mentira?

 Contos de Fadas: Verdade ou Mentira

“Os contos de fadas são assim.

Uma manhã, a gente acorda e diz:

“Era só um conto de fadas…”

 E a gente sorri de si mesma.

Mas, no fundo, não estamos sorrindo.

Sabemos muito bem que os contos de fadas

são a única verdade da vida”

(Antoine de Saint-Exupéry) 

Quando comento que estudo os contos de fadas e os utilizo como instrumento terapêutico nos atendimentos clínicos grande parte das pessoas estranha, ou acha curioso, ou acha ainda que meu público alvo são as crianças.

Além disso, geralmente há uma associação quase imediata dos contos com o imaginário, com a fantasia, com o “faz de conta”.

E isso não está de todo errado, já que esses enredos estão repletos de magia e de temas que englobam tanto o nosso dia a dia como o nosso imaginário.

Vez ou outra enfatizo aqui na coluna que os contos são para todos, independente da idade.

 Contos de Fadas: Verdade ou Mentira? Marie-Louise Von Franz (1990), pós-junguiana bastante conhecida por seus estudos no campo dos contos, destaca que essas histórias são como uma linguagem internacional, compreendida por todas as pessoas, independente de raça ou cultura.

Embora os contos continuem atuais e transitando no tempo, ainda há alguns pensamentos mais negativistas sobre eles, tais como:

  • “Pare de sonhar com o príncipe encantado, porque ele não existe”;
  • “A nossa vida não é um conto de fadas”;
  • “Final feliz só existe nos contos de fadas”;
  • “Contos de fadas são pura fantasia”;
  • “Contos de fadas são histórias somente para crianças”; entre outros.

Talvez você já tenha escutado essas frases por aí e até mesmo as falado.

Dessa maneira, a referência que se faz aos contos é de que eles são irreais e consequentemente uma mentira.  Contos de Fadas: Verdade ou Mentira

Claro, isso depende muito do ponto de vista de cada um e de como cada um se relacionou e se relaciona com os contos de fadas.

Contudo, olhando para essas histórias com a lente da Psicologia, encontramos nos personagens, nas paisagens e desenrolar de cada conto, muito de nós, seres humanos.

A dose de fantasia e magia que há nos contos é justamente para nos chamar a atenção.

Mas, como assim, Juliana, chamar a atenção?

Em outro artigo aqui da coluna discorri sobre os animais nos contos de fadas, e fiz alguns questionamentos, dentre eles se os personagens dos contos teriam se atentado a algo importante em sua jornada se isso lhes fosse dito por um personagem humano, real e nem um pouco mágico.

E aí, o que você acha? A resposta seria um sonoro não!

As pitadas de magia são justamente o que nos atrai e nos faz ficarmos ainda mais encantados e apaixonados por esses enredos.

 Contos de Fadas: Verdade ou Mentira A magia está ali para nos aproximar de nossa essência e, consequentemente, do nosso inconsciente.

Jung, fundador da Psicologia Analítica, e autoras estudiosas dos contos, como Marie-Louise Von Franz e Jette Bonaventure, mencionam que acabamos, no decorrer do nosso conto de vida, nos afastando do nosso inconsciente.

E os contos, mitos, lendas, fábulas e sonhos auxiliam nessa (re)aproximação, nessa (re)conexão, nessa compensação ego-Self (consciente-inconsciente).

Também já compartilhei aqui na coluna que a linguagem dos contos de fadas é muito simples, assim como a linguagem dos nossos sonhos, porém, como colocamos a nossa magia, a nossa ingenuidade e esperança de acreditar nessas histórias em um quartinho escuro, acabamos por ter dificuldade em compreender o que elas estão querendo nos dizer quando atingimos a fase adulta.

Os contos não nos contam mentiras, apesar das frases com enfoque negativo que mencionei mais acima, pelo contrário, eles nos contam verdades, as NOSSAS verdades!

Enxergar a verdade nos contos e interpretar o que eles têm a nos dizer possibilita com que enxerguemos a nossa essência, a nossa psique, a nossa alma.

Bruxas, dragões e lobos, por exemplo, não existem somente nos contos de fadas, nessas histórias de mentirinha, eles também existem no “mundo real”.

Quem não conhece, já encontrou ou até mesmo já agiu como uma bruxa má ou um lobo faminto?

A personificação desses personagens está mais presente no nosso dia a dia do que imaginamos.

Recomendo que leia também: A Nossa Vida (não) é Um Conto de Fadas?

Segundo Bonaventure (1992, p.12), “[…] essas estórias falam da realidade do ser humano, de sua busca, de seus traumas e dificuldades ao lidar com papai e mamãe, de seu desejo de ser herói, dos monstros que ele às vezes sente que tem de combater durante a vida […]”.

Em uma das adaptações do conto Peter Pan, para as telas do cinema, acompanhamos o quanto é importante acreditar em fadas, do contrário, cada vez que se diz não acreditar nesses seres mágicos, eles morrem.

O similar acontece com os contos de fadas, cada vez que dizemos que eles são irreais, são mentira, são fantasia, fazemos com que parte deles morram dentro de nós.

 Contos de Fadas: Verdade ou Mentira A magia dos contos de fadas não está apenas na fala de quem os conta, nos olhos de quem os lê, na mente de quem os imagina ou nos ouvidos de quem os escuta, a magia dos contos de fadas está em todo lugar!

Como disse, Antoine de Saint-Exupéry, autor do conto O Pequeno Príncipe, os contos de fadas são a única verdade da vida.

E eu complemento, só será possível os ver e sentir como verdade se nos despojarmos de tudo aquilo que nos impossibilita de mergulhar no País dos Contos de Fadas; se nos despojarmos de tudo aquilo que nos impossibilita de desbravar os segredos mais profundos do nosso inconsciente.

Sendo assim, finalizo com algumas reflexões:

  • O que você pode fazer para voltar a enxergar os contos?;
  • Como você pode se (re)descobrir nessas histórias?;
  • Como você pode resgatar as verdades contidas ali?           

Um beijo e uma (re)descoberta,

Juliana.

julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575).

Tem Especialização em Psicologia Analítica.

Atua na área clínica atendendo jovens e adultos.

Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas.

É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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