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Congruência: uma relação verdadeira!

Congruência: O Que o Terapeuta Precisa Saber e Fazer Para Ser Congruente?

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Congruência

No meu último artigo aqui para a coluna, Como se Constrói a Relação Psicólogo Paciente?, fui inspirada por uma querida colega a debruçar-me sobre a relação psicoterapêutica a partir de seus relatos diante da psicoterapia.

Porém, as possibilidades de tratar de elementos dessa relação são infinitas, uma vez que temos inúmeras condições que a constroem, que a protegem e que a moldam.

Os alicerces da relação terapêutica vão resguardar o encontro e os caminhos que serão trilhados. Congruência

Temos nosso horário definido previamente, o consultório fica no mesmo lugar, mas as pessoas que ali estão a cada novo encontro se renovam, se (re)descobrem, se reorganizam, se atualizam de quem e como são.

Além da empatia, considero mais dois princípios fundamentais como parte do alicerce: a possibilidade de se dizer o que se sente e se percebe verdadeiramente (congruência) e aceitar o outro incondicionalmente como este é (aceitação incondicional positiva).

Sim, sei que são termos diferentes, contudo assim que desdobrar cada um deles, possa ser que você os reconheça, caso contrário, se tornou uma possibilidade de aprendizagem.

Hoje falarei sobre a congruência, em nosso próximo encontro falarei sobre a aceitação incondicional positiva.

Tem uma colocação que gosto muito feita por John Wood que acredito que irá nos ajudar aqui:

‘‘Ser genuíno tem a ver com honestidade e pureza. Junte-os. Um sentimento puro é percebido em meio à complexidade de sensações que constituem uma consciência e é expresso de modo direto e honesto, sem autocensura, mas ainda assim de maneira apropriada: congruência. Pode parecer simples, mas não é sempre tão óbvio quanto se manifesta. Facilitações de encontros em pequenos grupos são particularmente susceptíveis a confusão entre congruência e impulsividade’’ (Wood, 1994).

Apenas um exemplo: aí você pode lembrar de alguém, ou até mesmo você, dizendo que ‘‘fala mesmo o que acha, doa a quem doer’’.

Isso NÃO é congruência, isso é impulsividade, o que está quase de mãos dadas com a falta de educação.

Dizer por dizer é um grande e fácil ato de provocar situações desagradáveis.

Por esta razão, ela deve ser complementada com a empatia.

Congruência Assim, na relação terapêutica, é dizer o que se sente, o que se percebe, respeitando o outro acima de tudo.

Congruência
Congruência

Tenho uma vivência em meu consultório que ajuda a ilustrar o que digo.

Quando atendo crianças, faço alguns atendimentos de orientações com os responsáveis, uma vez que a criança faz parte desse grupo e nos diz muito sobre ele.

Enquanto a mãe falava com tamanha facilidade o pai me ouvia atentamente, mas eu notava algo como se ele quisesse me dizer alguma coisa.

Em determinado momento pontuei essa sensação.

No primeiro momento ele apenas me olhou, mas posteriormente ele colocou que não acreditava tanto no processo de psicoterapia.

Eu o agradeci por me dizer, pontuei que era importante que eu soubesse e mais ainda que ele pudesse falar.

Acolhi seus sentimentos e percepções. Ao final do atendimento ele me agradeceu e pode perceber o quanto as ações dele e da esposa enquanto pais refletiam na criança.

O ato de dizer o que sentia permitiu que ele se esvaziasse daquele pensamento e daquela ideia, possibilitando que se esvaziasse/resolvesse o que sentia, dando assim espaço para o novo e levando a relação também para um novo lugar.

Congruência Quanto mais o cliente e o psicólogo estão na relação, mais ela é verdadeira, saudável, passível de construção e crescimento.

congruência

E quando a situação é ao contrário? Congruência

Quando o psicólogo se utiliza da congruência também se faz da mesma forma: respeito e sinceridade.

Geralmente as pessoas tendem a temer essas situações e fantasiam coisas imensas acerca destes momentos, pois tem o velho medo do julgamento.

Já disse em um outro artigo (Como se Constrói a Relação Psicólogo Paciente? Descubra Aqui!) que isso não é permitido ao psicólogo e reforço aqui também esta condição.

É imprescindível que o psicólogo valorize essencialmente o ser e sua história que ali estão.

Talvez esse exemplo deixe as coisas mais claras: uma cliente falava sobre o que estava lhe ‘‘tirando o sono’’ segundo ela.

Falava, gesticulava, apontava para o celular (já que tinha falado com a outra parte envolvida em um aplicativo).

Seu ritmo de voz era muito rápido. Congruência

Em determinado momento ficou difícil para mim acompanhar todas as ideias e fiz a colocação acerca dessa minha percepção, me remetia a uma bagunça imensa.

Ela me olhou calada então por alguns minutos e assim que conseguiu disse que até então não havia percebido que estava tão acelerada e percebeu que ali talvez estava uma possibilidade eminente do conflito que tentava contar: a sua impulsividade.

Ela poderia ter reagido de outra maneira? Sim!

Congruência Sem sombra de dúvidas, mas seria uma escolha de total autenticidade dela e eu continuaria a respeitar sua decisão.

Ela poderia ter ido embora, ter ficado brava, chorado e até mesmo nunca mais ter voltado para um novo atendimento, entretanto acredito ser necessário em uma relação de ajuda que o psicólogo em seu papel de psicoterapeuta, assim como o cliente, assumam os seus pensamentos, sentimentos e emoções como seus, criando a tendência e possibilidade para que sejam autênticos.

Do meu ponto de vista, uma outra fração que compõe a congruência é a construção do real sentido de estar com o cliente, uma vez que estar me aproximando ao máximo do que me diz e sente, colocar o que emerge em mim seja uma oportunidade de caminhar mais amplamente no encontro consigo mesmo que ofereço para ele. Congruência

É acreditar, respeitar o processo de reconhecer como o outro escreve sua própria e singular história.

Karina Nuevo

Karina Nuevo é Psicóloga (CRP 96.094) e Arteterapeuta (AATESP 329/0516). Atua na área clínica com crianças, adolescentes e adultos.

Ministra palestras e vivências em Arteterapia.

Apaixonada pelas imensas possibilidades que a Psicologia e a Arteterapia oferecem, acreditando sempre na saúde emocional e desenvolvimento do ser humano e de suas relações.

Contatos:

E-mail: psicologa.karinanuevo@gmail.com

Facebook: Psicóloga e Arteterapeuta Karina Nuevo

 

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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