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boa convivência

Como Ter Uma Boa Convivência na Adolescência. Saiba aqui!

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Boa convivência.

Olá novamente!

Como vocês já devem saber a essa altura do campeonato, sou psicóloga e atendo muitos adolescentes no consultório. Boa convivência.

Escuto, diariamente, responsáveis se queixando que tentam conversar com seus filhos, mas estes não querem falar, porém quando pergunto, estando adulto e adolescente frente a frente, o que sempre escuto é: Boa convivência.

 “Ele(a) veio conversar, mas quando eu tentava falar ele(a) não deixava.”

E é nesse momento que o adulto admite e pede para que o adolescente use o momento para falar o que quer.

Então começa o problema:

Na frente do profissional o adolescente fala o que pensa e o adulto fica calado.

Boa convivência. Na sessão seguinte descobre-se que o filho foi repreendido ao chegar em casa por ter falado daquela forma na frente de outra pessoa.

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Filho sendo repreendido.

Então, a única solução que eu lhe proponho é que esteja realmente aberto a um diálogo:

Permita a expressão da outra parte, mesmo que você não concorde.

Deixar alguém terminar sua frase é educado e evita que você não tenha uma compreensão errada da mensagem.

Dados parciais impedem de se ter a certeza de que a percepção que teve esteja correta.

Pode parecer estranho abordar aqui esse assunto, mas com a correria do cotidiano a triste realidade que enfrentamos é a falta do diálogo verdadeiro.

Digo isto, pois em época de Facebook, Whatsapp e inúmeros outros aplicativos, simplesmente damos uma mensagem geral e nem sequer percebemos a entonação da mensagem original.

Veja bem, quando me refiro aos aplicativos não estou falando somente do jovem, mas também dos responsáveis.

Afinal cada vez mais os adultos estão se familiarizando com essa realidade.

Utilizando-a tanto quanto os mais jovens e, por vezes, da mesma maneira leviana.

Não quero negar aqui a eficácia dessas ferramentas, pelo contrário, eu mesma me comunico com meus pacientes por esses meios.

Isso me economiza um bom tempo.

Mas afirmo também que se não fosse abrir mão desses meios no ambiente do consultório jamais os conheceria tão bem.

Já que entrei no assunto consultório, ressalto aqui que não conheço bem o universo adolescente apenas porque me formei em psicologia, na verdade isso por si só jamais me auxiliaria nessa caminhada.

O que me faz conhecer melhor, embora ache que ainda não o suficiente, esse universo é o que eu escuto e não o que eu falo, contrariando a ideia que muitos possuem.

Boa convivência. É essencial ter a escuta atenta, pois muitas vezes o pedido de socorro é velado e precisa de interpretação.

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Pedido de ajuda.

Quantas vezes eu fui ignorada ou mesmo tiveram comigo uma atitude ríspida que poderia ter me feito desistir no primeiro contato, foram tantas que nem mesmo poderia contar.

No entanto o que me fez continuar foi a percepção de que tais atitudes eram nada mais do que uma tentativa desesperada de parecerem enigmáticos e me fazerem desistir.

Mas eu possuo a mesma teimosia de quando eu tinha meus maravilhosos dezesseis anos, a mesma de quem está na posição de paciente pode por ventura possuir.

É o que me faz insistir um pouco mais, além de ser o que me permite estar aqui agora passando o que sei para vocês.

Você concorda comigo que, se eu que a princípio não possuo vínculo familiar com esses pacientes insisto em ouvi- los, você também pode, ou até mesmo deveria persistir?

Não se trata de uma crítica, mas sim de uma sugestão, pois pode ser esse o desejo deles e eles simplesmente não saberem como se expressar.

Então, nada mais justo do que você que tantas vezes pode ter dito a ele que o mesmo nada sabia da vida, venha lançar mão de sua sabedoria adquirida.

Então para auxiliar, algumas dicas de como iniciar um diálogo com um adolescente:

  • “Oi, tudo bem com você? Como foi seu dia?” Boa convivência.

Parece bobo que eu coloque essas perguntas aqui, mas muitas vezes são elas que iniciam as conversas mais profundas.

  • Começar um diálogo apontando um erro é certeza de fracasso no propósito.

Quando mais jovem, ou até mesmo atualmente, você gostava que lhe apontassem os erros sem antes saber o porquê? 

Acredito que não!

Então não repita o mesmo erro que os seus, mesmo que a conversa inicie após um desentendimento, não busque o diálogo apontando o erro ou apenas buscando um pedido de desculpa.

Procure primeiro livrar-se da mágoa para depois conversar:

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Livre-se da mágoa para então procurar chegar num consenso.

Dessa forma poderá ser possível chegar a algum lugar.

  • Não inicie uma conversa se a outra parte não demonstrar interesse.

Nesse ponto você pode estar me achando louca, pois a maioria dos adolescentes jamais demonstra querer conversar, mas existe uma diferença entre não demonstrar e não querer de fato.

Se ele(a) te falar que não quer conversar e se retirar do ambiente, respeite (se for possível, é claro!)

Mas se ele não falar nada e ficar apenas te olhando, então é apenas uma daquelas vezes em que eles estão disfarçando o que realmente querem.

  • Saber ouvir é essencial!

Ao iniciar a conversa:

  • Deixe claro que primeiro você irá falar;
  • Depois irá ouvir atentamente ao que a outra parte falar (mesmo que você não concorde com o que está ouvindo);
  • Resista ao impulso de interromper;
  • Quando a outra parte terminar será o momento de expor o que você achou de tudo o que ela disse.

Termino esse texto com o pedido de que o que foi lido aqui seja posto em prática.

Não tenho dúvidas que essas dicas podem facilitar o relacionamento com aquele adolescente que você achava que era impossível lidar.

A família tem papel muito importante na educação dos filhos, saiba qual a melhor maneira de educá-los neste artigo: https://opsicologoonline.com.br/como-educar-seus-filhos/

 

Ellen de Oliveira Moraes Senra – CRP 05/42764

Psicóloga especialista em Terapia  Cognitivo Comportamental, autora do livro digital Adolescer sem Vacilo: Compreendendo o Universo Adolescente

Experiência no atendimento clínico a Crianças e Adolescentes individual ou em grupo.

Contatos: Tel/Whatsapp (21)97502-4033

Email: ellenmsenra@gmail.com

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