Como Desenvolver Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual?

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Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual

Para iniciarmos essa conversa sobre autonomia e em como promover e estimulá-la na pessoa com deficiência intelectual, precisamos ter claro o que é esse conceito e como ele se manifesta na prática.

Então o que é a autonomia? Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual

Segundo o dicionário, é a capacidade de gerir-se pelos próprios meios, e filosoficamente a autonomia se configura pela capacidade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida.

Complexo? Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual

Talvez e partindo desse ponto podemos até questionar os graus de autonomia que todos os indivíduos conseguem alcançar e nos perguntar se somos gestores de nossa própria vida.

Traduzindo para a vida prática, podemos dizer que uma pessoa autônoma é aquela que consegue identificar suas vontades, necessidades e conseguir satisfazê-las com base no conceito de certo e errado.

Desde o simples ato de sentir sede e pegar um copo d’água, realizar sua higiene, escolher suas roupas de acordo com o clima, escolher o que comer, ter um gosto musical, escolher uma profissão, trabalhar e conseguir utilizar seu dinheiro, tomar decisões cívicas como votar, comprar ou vender um imóvel, enfim todas as atividades diárias e rotineiras envolvem esse conceito de autonomia.

E de acordo com o amadurecimento biopsicosocial do indivíduo essa habilidade vai se consolidando, cabe aos pais e cuidadores incentivarem esse ganho, mas como criar pessoas autônomas?

Em se tratando da pessoa com deficiência Intelectual isso é possível?

É necessário identificar os graus de comprometimento que cada indivíduo apresenta e focar nos ganhos gradativos para melhores resultados.

Por exemplo: Uma pessoa com Deficiência Intelectual Grave (com grande comprometimento cognitivo que refletem no desenvolvimento psicomotor e de comunicação significadamente reduzidos), pode acabar perdendo sua autonomia, necessitando de auxílio para realizar sua higiene, para se vestir, enfrentar dificuldades com a alimentação, entre outras situações.

Então a sugestão seria facilitar esses processos a ponto do indivíduo conseguir realizá-los de maneira independente: Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual

Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual 2
Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual 2

– Se há dificuldade com botões, zípers ou cadarços, pode-se adaptar para o uso do velcro, por exemplo.

– Se há dificuldade de alimentar-se por não conseguir segurar os talheres, pode-se adaptar o cabo do talher com EVA ou outro material, a fim de ficar mais grosso e facilitar o manuseio.

Entre outras possibilidades que um profissional poderá indicar de acordo com a demanda apresentada para cada caso.

O principal é a atitude, e sempre incentivar que a pessoa realize da mais simples tarefa até a mais complexa, para assim ganhar autoestima e segurança de que pode mais.

Analisando um outro cenário, em que a deficiência se apresente em grau mais leve, pode-se estimular sim a gestão de sua vida, promovendo e validando as pequenas escolhas como: o que vestir, o que comer, o que assistir para que consigam gradativamente desenvolver senso crítico.

Porém não se pode confundir esse processo com permissividade e simplesmente deixar que eles façam o que quiserem sem ter a idade e maturidade para isso, é necessário o bom senso em permitir as escolhas e negar o que pode oferecer risco, como em qualquer indivíduo em formação são os pais e cuidadores quem se responsabilizam por apresentar o mundo e seus limites, pois isso trará subsídios para construção da subjetividade.

Já ouvi, nesses anos de carreira, de pais , que se dependerem de suas vontades seus filhos com deficiência intelectual nunca sairão sozinhos, nunca trabalharão, nunca irão namorar, nunca morarão sozinhos.

E eu respondo com toda a empatia necessária, que se eles não forem treinados e incentivados a isso, realmente nunca serão indivíduos autônomos. Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual

Para sair sozinho é necessário uma série de treinamentos, por exemplo: Uma pessoa com Deficiência que não é alfabetizada, como pode pegar um ônibus?

Como vai saber reconhecer o caminho, saber onde tem que descer?

Existem técnicas de inclusão em que fotografa-se os pontos de referência do trajeto e o realiza junto com a pessoa inúmeras vezes até que ele fique mais seguro e reconheça o local das fotos.

Se a pessoa não sabe ler, mas reconhece os números, pode-se focar nesse aspecto e priorizar a identificação do ônibus pela numeração, também fotografando a frente do ônibus e destacando os números.

Para tomar um remédio na hora certa, pode vincular o horário a algum programa de TV, fazer tabelas com cores ou com figuras que a pessoa identifique e possa diferenciar, enfim são apenas algumas idéias que podem auxiliar neste processo.

Há casos em que o comprometimento cognitivo é tão severo, que haverá a necessidade de auxílio vitalício e isso é fato, nesses casos o indivíduo terá um tutor, será interditado judicialmente e não exercerá seus direitos civis por incapacidade, porém porque não estimular pequenas vitórias nas atividades de vida diária, promovendo uma autonomia mesmo que limitada, mas importante para a pessoa com deficiência intelectual.

A LBI (Lei Brasileira da Inclusão) prevê também a interdição parcial, com auxílio nas tomadas de decisão, ou seja, quem tem potencial para se autogerir tem o direito de fazê-lo. Autonomia em Pessoas Com Deficiência Intelectual

O que mais interfere no processo de inclusão social da pessoa com deficiência, é a mudança e quebra de paradigmas sociais a que somos impostos.

É necessário mudar o foco no atendimento, pois é comum manter-se no conceito das dificuldades e do que não se pode ou consegue fazer, ao invés de perceber as potencialidade e investir em adaptações que permitam um melhor desenvolvimento das habilidades adaptativas.

Que tal repensarmos como enxergamos as pessoas com deficiência?

Recomendo que você leia também: Deficiência intelectual: Como Conviver Com Ela

Aguardo vocês no próximo artigo!

Abraços,

Priscila Martins

Priscila Conceição Souza Martins Psicológa – (CRP 06/108485) com pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional,  atua na abordagem psicanalítica, possui ampla experiência no atendimento clínico à adolescentes e adultos, promovendo autoconhecimento e saúde emocional. Atua no processo de inclusão social da pessoa com deficiência Intelectual e/ou Múltiplas, sendo com a orientação familiar ou para profissionais da educação: desmistificando os estigmas e preconceitos, auxiliando no manejo com o indivíduo em questão, trabalhando na construção do empoderamento da pessoa com deficiência e sua família.

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Carlos Costa

Carlos Costa

Psicólogo há 3 anos (CRP-06/122657), coach, empreendedor, músico, poeta e escritor. CEO e fundador do portal e plataforma “O Psicólogo Online”. Através de seus cursos e materias vem contribuindo com a psicologia e com os profissionais psicólogos para uma melhor prática da psicologia online no Brasil e com a valorização da profissão. É criador da plataforma de atendimento online “O Psicólogo Online” que auxilia psicólogos a agendarem e receberem por suas sessões de forma simples e segura.

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