Autoestima na Terceira Idade: Cuide de Suas Memórias

Autoestima na Terceira Idade

Autoestima na Terceira Idade

Lembro-me quando fiz minha especialização em psicologia e desenvolvimento humano na Universidade Federal de Juiz de Fora e o quanto achei interessante, rico e amplo os estudos de desenvolvimento humano para a terceira ou “melhor” idade.

Sim, ainda é muito mais comum vermos estudos sobre o desenvolvimento infantil e a adolescência.

O desenvolvimento adulto ainda é menos estudado nesta área, até por questões das mudanças serem menores ou mais sutis, mesmo podendo haver grandes mudanças de vida nesta fase.

Já o desenvolvimento do idoso vem tendo cada vez mais seu espaço, afinal a população está envelhecendo com mais recursos e muitas das vezes com mais qualidade de vida, e consequentemente vivendo mais.

Os processos de envelhecimento podem ser esperados com alguns receios.

Ao contrário do início da vida, ou da passagem do meio, a última etapa traz, aparentemente, mais perdas que ganhos.

  • Mudanças físicas são percebidas mais claramente:
  • Cabelos cada vez mais brancos;
  • Marcas faciais e corporais;
  • Desenvolvimento físico mais lento;
  • A cogniçãonão tem mais a mesma elasticidade.

Sim, há um declínio.

Esta curva descendente do processo vital pode vir de maneira natural acompanhando os ciclos pelos quais cada indivíduo passa, ou pode ser acelerado por alguma doença, perdas, e dificuldades também sociais e econômicas.

Autoestima na Terceira Idade Ao envelhecimento natural damos o nome de senescência, normalmente este processo é mais suave e sutilmente perceptivo.

Já aos processos cognitivos de perdas precoces dá-se o nome de senilidade.

O processo de envelhecimento precoce pode ser visto com bastante clareza no filme americano de 2014 Para sempre Alice, no original Still Alice.

Nesta produção, a protagonista Alice vivida por Julianne Moore passa pela descoberta e vivência do mal de Alzheimer, doença degenerativa que a faz perder suas capacidades de trabalho, vivenciar crises emocionais e psicológicas pessoais e familiares.

O diagnóstico veio aos 50 anos a uma mulher inteligente, com bons hábitos de vida e uma família estruturada.

E como cuidar e amparar alguém que passa por processos de envelhecimento degenerativos tão precoces e categóricos?

Autoestima na Terceira Idade Como resgatar a autoestima de uma mulher independente que vê sua vida ser transformada drasticamente e não por sua escolha pessoal?

Autoestima na terceira idade

A fragilidade de quem passa por um processo desses reflete:

  • No corpo;
  • No psiquismo;
  • Nas emoções;
  • E relações.

Há de haver delicadeza neste trato.

A família pode se sobrecarregar ou adoecer junto, mas algumas memórias ainda são preservadas e podem ser trabalhadas principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente.

Na Arteterapia costuma-se trabalhar com a história de vida, lembranças, através de fotografias, histórias e materiais que podem ajudar a dar mais cor e vida a este processo difícil.

Autoestima na Terceira Idade No processo terapêutico a história pessoal pode ser contada, esmiuçada e ressignificada.

Os personagens podem ganhar novas roupagens, novos olhares, há espaço para reconstrução, e até mesmo o perdão.

O ganho da autoestima vivenciada através do cliente reler a sua história pode ser muito enriquecedor e contribuir para um amparo emocional

Em casos mais leves, de um envelhecimento normal, pode ser trabalhada também a prevenção e reabilitação do declínio cognitivo.

Porém, na contramão dos processos degenerativos, há um envelhecer natural, saudável e cheio de vida a ser vivida.

Jung deu especial atenção a esta fase da vida e de como a intervenção analítica nesta fase é diferente a do adulto jovem, por exemplo.

Autoestima na Terceira Idade Segundo ele na primeira metade da vida, a análise tem também a função de impulsionar o adulto à vida, às conquistas.

Já na outra metade, abre-se um campo maior para as reflexões de como esta vida foi vivida, fala ainda de um nascimento espiritual em um nível de amplitude da consciência.

E para além, independente da idade, a psicologia analítica busca o autoconhecimento através do processo de individuação.

Memórias nos acompanham por toda a vida, mas na melhor idade elas podem se intensificar, muitos chegam a dizer que “sou só memória”.

Há que se cuidar desta fala, ouvir para além do que é dito, recuperar instantes, pois a vida é feita nestes também.

E por que não, se permitir em alguns momentos, esquecer.

Cuidar das sensações, sentimentos e intuição.

Afinal, fora da memória também tem muita vida!

E deixo a vocês a delicadeza Fora da memória do Tribalistas para encanto e reflexão:

Fora da memória tem
Uma recompensa
Um presente pra você
Você que não pensa
No que foi, no que será
No que foi, no que viria

Fora da memória tem
Uma regalia
Para quando você acordar todo dia
Fora da memória tem
Uma fantasia
Para você recordar todo dia

De esquecer

De esquecer

De esquecer, iê
De esquecer
De esquecer
De esquecer, iê…

Leia também o artigo que traz os principais motivos da perda de memória: https://opsicologoonline.com.br/perda-de-memoria/

Com afeto, Suzane Guedes.

[captura]

Suzane Guedes é Psicóloga (CRP 05/42766), Especialista em Psicologia e Desenvolvimento Humano – UFJF, Arteterapeuta clínica de formação junguiana – POMAR-RJ.

Atua nas cidades do Rio de Janeiro e Três Rios-RJ com atendimento clínico à crianças, jovens e adultos; ministra grupos e oficinas terapêuticas.

Contatos profissionais:

olharparasi@gmail.com

(21)96985-4954 

Instagram: @olharparasi

 

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Carlos Costa

Carlos Costa

Psicólogo há 3 anos (CRP-06/122657), coach, empreendedor, músico, poeta e escritor. CEO e fundador do portal e plataforma “O Psicólogo Online”. Através de seus cursos e materias vem contribuindo com a psicologia e com os profissionais psicólogos para uma melhor prática da psicologia online no Brasil e com a valorização da profissão. É criador da plataforma de atendimento online “O Psicólogo Online” que auxilia psicólogos a agendarem e receberem por suas sessões de forma simples e segura.

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