Autoestima em tempos de cólera: um encontro real com si mesmo

Autoestima em tempos de cólera é como um encontro mais profundo com si mesmo, cheio de autorrespeito e autoamor.
Aggressive teenage girl screams and points her finger

Já faz um tempo que eu gostaria de falar um pouco mais sobre a autoestima nos tempos difíceis.

Nos períodos e fases em que não estamos colhendo, talvez estejamos semeando, correndo atrás ou mesmo “perdendo”.

Perdendo no sentido de estar vivenciando um momento difícil e não um momento bom e feliz, onde com certeza é mais fácil e conveniente cultivar uma boa autoestima.

Desta forma, vivenciar a autoestima em tempos de cólera pode ter alguns vieses. Fazendo alusão ao título do livro de Gabriel García MárquezAmor em tempos de cólera, um amor que sobreviveu à distância, aos preconceitos e à hipocrisia da sociedade em que viviam e ao tempo.

Autoestima em tempos difíceis é como um encontro mais profundo com si mesmo, cheio de autorrespeito e autoamor. A cólera pode vir acompanhada de ira, sentimento impetuoso que faz questionar a própria vida e as questões turbulentas pelas quais se esteja passando.

A cólera também é uma doença, uma infecção grave que ocorre nos intestinos, e que apresenta indisposição generalizada. Normalmente o indivíduo que sofre de cólera fica enfraquecido rapidamente, por causa da desidratação.

Autoestima em tempos de Cólera

A autoestima pode ser testada nestes momentos de dor, enfraquecimento, dificuldades. Tempos de cólera.

E nesses mesmos momentos que mais se precisa de ajuda, onde a solidão de deparar-se com si mesmo, suas angústias e dores profundas, que a autoestima pode ser testada, resgatada e com uma boa dose de sabedoria, entendida melhor como um grande processo e oportunidade de crescimento.

Juntamente a estas questões, recentemente estava conversando com a mãe de uma pequena que eu acompanho, e ela me relatava que até a bem pouco tempo, acreditava que a autoestima estivesse ligada apenas a questões físicas, de beleza e se sentir bem esteticamente.

E muitas pessoas acreditam realmente neste viés, inclusive, algumas, menosprezam a questão da autoestima não a achando tão importante para o bem estar emocional ou até mesmo acreditando ser algo fútil e que hoje em dia está muito na moda.

Ledo engano. A autoestima não se resume a aspectos estéticos, ou pelo menos, não só a isso. Em relação à aspectos físicos, a autoestima está muito mais ligada a questões de autoimagem.

Esse ponto e este olhar para a autoestima é muito importante. Algumas vezes acompanhei pessoas em meu consultório que passaram por cirurgias estéticas e isso quase nada influenciou em sua percepção de si mesmo.

Algumas delas relataram não se sentir melhor apesar da mudança física tão desejada e até mesmo acreditavam que seu nível de felicidade iria aumentar, e não foi o que ocorreu.

Segundo Walter Riso no livro Apaixone-se por si mesmo – o valor imprescindível da autoestima, o nosso “grupo de referência mais próximo e as relações que estabelecemos com as pessoas são determinantes para criar a ideia que temos sobre nosso corpo e as avaliações que fazemos dele (autoimagem).”.

Desta forma, para além das dificuldades de aceitar suas próprias características físicas, a baixa autoestima também está relacionada com a falta de confiança em si mesmo, medo de rejeição, timidez em excesso, tendência à procrastinação, hábito de se comparar com os outros, sensação de incapacidade, perfeccionismo, dificuldade em reconhecer suas conquistas, entre outros.

É imprescindível um olhar mais atento para as questões relacionadas à autoestima.

Faz parte de nossa saúde mental, emocional, forma de nos relacionarmos com nós mesmos, com o outro e com o mundo.

Já ouviram aquela frase “quem é feliz não enche o saco”? É mais ou menos este caminho de uma boa autoestima.

Quando você se relaciona bem com você mesmo fica bem mais fácil se relacionar com o outro também. Menos cobranças e mais entendimento. E nesse quesito o autoconhecimento é fundamental.

Se perceber que precisa de ajuda, não tenha medo de buscar uma psicoterapia, pode ser um caminho muito bonito, transformador, e de muito entendimento.

O crescimento e mudança pessoal só dependem de nós mesmos, e quando temos essa autorresponsabilidade nossa autoestima também só tem a ganhar.

Com amor, alegria e gratidão,

Suzane Guedes.

Leia também: Autoestima na adolescência: uma linha tênue de cuidado

 

Suzane Guedes é Psicóloga (CRP 05/42766), Especialista em Psicologia e Desenvolvimento Humano – UFJF, Arteterapeuta clínica de formação junguiana – POMAR-RJ.

Atua nas cidades do Rio de Janeiro e Três Rios-RJ com atendimento clínico à crianças, jovens e adultos; ministra grupos e oficinas terapêuticas.

Contatos profissionais:

olharparasi@gmail.com

(21) 96819-2668

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