Autoestima e ser mulher: o que nós temos a ver com isso?

Mês de março é o mês da celebração da mulher. O mês que para ser celebrado foi preciso muitas lutas através de épocas antigas, e muitas lutas ainda não atuais.
Beautiful young woman in jeans shorts and orange shirt posing with arms raised. Three quarter length studio shot on teal background.

Mês de março é o mês da celebração da mulher. O mês que para ser celebrado foi preciso muitas lutas através de épocas antigas, e muitas lutas ainda não atuais.

Como disse Simone de Beauvoir, intelectual e ativista francesa pela luta dos direitos das mulheres:

Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.

 E com esse convite dessa importante filósofa feminina que precisamos continuar escrevendo, discutindo e nos posicionando por nossas escolhas pessoais, profissionais, intelectuais, individuais e coletivas.

A autoestima da mulher nunca teve tão em voga, e percebo que é um resultado que para alguns pode parecer supérfluo atrás de outras grandiosas ações e direitos conquistados.

Quando a mulher teve direito ao voto que antes era restrito aos homens, foi um passo a mais em sua autonomia, independência e com certeza no fortalecimento de sua autoestima.

Isso a colocou, neste ponto, em igualdade de direitos com um homem.

O fato de a mulher poder estudar em uma universidade e também ter uma carreira, também são fatores de conquistas recentes, visto que antes, por lei, era necessária a permissão do marido.

Até mesmo a questão relacionada à igualdade de salários entre homens e mulheres foi algo aprovado legalmente muito recentemente, mesmo que na prática a teoria seja outra.

Nesse diálogo tão cheio de amor ao qual me abro com vocês, fica impossível não lembrar e não citar o discurso de Lady Gaga na cerimônia do Oscar deste ano.

Lembrando que a atriz-cantora-compositora levou o Oscar de melhor canção original por Shallow apresentada no filme Nasce uma estrela.

Após agradecer aos co-compositores da música, à sua família e ao ator Bradley Cooper que dirigiu o filme e dividiu as telas com a atriz, veio o poderoso e empoderado discurso:

“Se você está em casa, no seu sofá, assistindo a isso, tudo o que eu tenho a dizer é que esse é um trabalho duro. Eu trabalhei duro por muito tempo para chegar até aqui. Não é sobre vencer, é sobre não desistir. Se você tem um sonho, lute por ele. Existe uma disciplina para paixão, e não é sobre quantas vezes você foi rejeitado, ou quantas vezes caiu e foi derrotado, é sobre quantas vezes você levantou com coragem e seguiu em frente, obrigada!”

O que esse discurso fala de nós e para nós? À primeira vista fala sobre coragem, coragem de enfrentar os medos, desafios, dificuldades e afins.

Sim, toda grande vitória carrega também muitos obstáculos. A vida se faz em grandes ciclos de vida-morte-vida como bem já explanou Clarissa Pinkola Estes.

E alcançar vitórias, romper barreiras, é para quem, acima de tudo, acredita que de alguma maneira irá conseguir.

É para quem ultrapassa todas as palavras mal ditas sobre si mesmo que vem do outro e que por ventura venha também de si mesmo, e se olhe além, além do que é comum, além do que é esperado, além do que se vê a um palmo da mão.

Esse discurso fala também sobre ter esperança, esperança em si mesmo, esperança no tempo das coisas, no tempo da vida, mas fala também do desejo que nutrimos dentro dessas esperanças, o desejo ao qual lutamos diariamente dentro dos nossos corações e também em nossas vidas.

Afinal, aquilo que é cultivado com verdade e dedicação, certamente terá resultados.

Hoje o meu convite é para que cada uma de nós possam refletir qual nosso papel, função e dever diante da nossa condição de ser mulher, qual a nossa responsabilidade frente a nossos pares, à nossa comunidade, aos nossos colegas de trabalho, à nossa família, e aos nossos descendentes enquanto pensamos o que é ser mulher na nossa sociedade, dentro de cada geração.

Convidar os homens de nosso convívio e de nossa sociedade para este diálogo também é nossa função, ampliar o olhar masculino sobre o feminino, sobre tantas diferenças que tantas vezes passam despercebidas, pode ser uma forma também de estarmos atentas ao nosso papel na sociedade atual.

E quando estivermos mais fortalecidas de nós mesmas, conseguiremos convidá-los também a participar de forma mais leve e inclusiva.

E também refletir nosso posicionamento frente a nós mesmas principalmente, visto que nossa autoestima está ligada a todas essas questões também construídas individualmente e socialmente e que nós temos sim a ver com isso.

A autoestima está muito longe de ser apenas relacionada a um corpo e aparência física, a autoestima da mulher pode ser instalada através de patamares muito distintos e essenciais.

Limitar-nos é ir contra toda história que foi erguida antes de chegarmos aqui, fazê-la florescer não abrindo mão de nossos direitos e espaços é honrar toda nossa ancestralidade pessoal e universal.

Com amor, Suzane Guedes.

Leia também: Moda e Autoestima: Quem Dita as Regras na Sua Vida?

Suzane Guedes é Psicóloga (CRP 05/42766), Especialista em Psicologia e Desenvolvimento Humano – UFJF, Arteterapeuta clínica de formação junguiana – POMAR-RJ.

Atua nas cidades do Rio de Janeiro e Três Rios-RJ com atendimento clínico à crianças, jovens e adultos; ministra grupos e oficinas terapêuticas.

Contatos profissionais:

olharparasi@gmail.com

(21)96985-4954

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