Na segunda-feira eu começo: o drama do autocontrole

Por mais que nós não queiramos acreditar, o fato é que nosso autocontrole é muito limitado. Só que ao contrário do que você pode estar pensando agora, saber disso é uma vantagem. 
autocontrole
Por mais que nós não queiramos acreditar, o fato é que nosso autocontrole é muito limitado. Só que ao contrário do que você pode estar pensando agora, saber disso é uma vantagem. 


O comportamento humano é muito complexo. O tempo todo nós estamos sujeitos a influências de todos os tipos, tanto internas como externas. E tudo isso vai tendo consequências na forma como pensamos e sentimos. E, claro, na forma como agimos. 

E justamente pelo fato de nosso comportamento ser tão complexo é que fica difícil prever como vamos agir no futuro. A Psicologia Econômica, ao estudar as variáveis que influenciam o comportamento econômico das pessoas, tenta oferecer previsões melhores de como vamos nos comportar na hora de tomar decisões sobre dinheiro. 

Uma dessas variáveis é a crença de que existe autocontrole no futuro. Mas antes de falar sobre isso, precisamos investigar como é o autocontrole no presente. 

Simplificando, o autocontrole é a capacidade de resistir a algum impulso. Para que ele funcione, precisamos de alguns ingredientes, como força de vontade, foco, atenção. E além disso, o autocontrole depende de como avaliamos o futuro. 

A avaliação do futuro é particularmente interessante quando falamos sobre poupar dinheiro. O que você prefere: R$ 500,00 agora ou R$ 531,00 daqui a doze meses?

As recompensas imediatas enchem nossos olhos, fica quase impossível dizer não a elas. Principalmente se estivermos cansados, estressados ou distraídos. 

Esse é o drama do autocontrole. Ele é muito frágil, digamos assim. Como a força de vontade, o foco e a atenção são recursos escassos, o autocontrole acaba se tornando extremamente escasso também. 

E se nós avaliarmos mal o futuro, se estivermos com a nossa percepção distorcida por algum dos inúmeros fatores que afetam nosso comportamento, fica mais difícil ainda ter autocontrole. 

Para dar um exemplo, digamos que você está diante de uma promoção “imperdível” de televisão no supermercado. Você está tentando resistir a esse impulso de comprar uma TV nova. Mas seu cérebro começa a criar justificativas para você. Você soma mentalmente as parcelas que você tem no cartão de crédito e conclui que dá para parcelar mais essa compra. Seu autocontrole vai embora e você faz a compra. No mês seguinte, quando chega a fatura, você se dá conta de que fez mais parcelas do que conseguia suportar.

Nesse exemplo, você fez o que a Psicologia Econômica chama de “contas mentais”, o que acabou por distorcer a sua percepção de como estava a sua situação financeira naquele momento. Com base nessa percepção distorcida, você avaliou mal o futuro, seu autocontrole cedeu e você fez uma compra que não cabia no seu orçamento. 

Tudo isso é para dizer que não existe autocontrole no futuro. E mesmo no presente ele ainda é escasso. 

Mas eu disse que saber disso era uma vantagem, certo? Vou explicar melhor. 

A maioria das coisas que deixamos para começar na próxima segunda-feira, como alimentação saudável, poupança e academia, acabam por sucumbir à nossa falta de autocontrole no futuro. 

Acreditamos que segunda-feira será um bom dia para começar qualquer coisa, mas isso é só um método que nosso cérebro usa para nos enganar. Para o cérebro, o importante é continuar economizando energia. Se para isso for preciso fazer sempre a mesma coisa, ele vai fazer de tudo para nos deixar na inércia. 

Agora é que vem a reviravolta nessa história. O tal do pulo do gato. 

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Sabendo que não existe autocontrole no futuro, você deixa de confiar apenas nele para fazer as mudanças que você deseja na sua vida. 

Trata-se de ajustar o seu ambiente para que ele favoreça os novos hábitos que você quer criar. 

Um exemplo disso é a poupança automática, que é possível configurar na maioria dos aplicativos de bancos. Configurar uma aplicação automática em um investimento significa parar de depositar toda a sua confiança no autocontrole futuro. 

Você não vai ter que fazer o esforço de pensar em poupar todo mês. O seu cérebro queria economizar energia, certo? Assim ele continua tranquilo e sua poupança vai enchendo, esteja você num dia bom ou num dia ruim. 

Com os outros hábitos é a mesma coisa. Pare de confiar no seu autocontrole da segunda-feira e deixe a roupa da academia na mochila. Vá direto para lá depois do trabalho. Encha sua geladeira de comidas saudáveis e você não precisará ficar resistindo a tentações a cada passada pela cozinha. Quando for estudar, deixe o seu celular em outro cômodo da casa e desligue as notificações. 

Em vez de se culpar por não ter 100% de autocontrole (spoiler: ninguém tem), modifique o seu ambiente para que ele te leve ao comportamento que você deseja ter. 

Em vez de deixar para começar depois, comece agora! 

E para te dar mais um empurrãozinho, as primeiras 5 pessoas que enviarem um e-mail para contato@deysemedeirospsi.com.br, completando a frase “eu preciso de autocontrole para … “, vão ganhar de presente uma hora de consultoria financeira online comigo. 
 
 

 

Deyse Medeiros é psicóloga (CRP-01/20480) e servidora pública, graduada em Letras e Psicologia, com formação em Psicologia Econômica, e uma estudiosa apaixonada de Educação Financeira. Atua como psicóloga online na abordagem psicanalítica e na interface entre Psicologia Econômica e Educação Financeira.

 

Acredito que quanto mais conscientes estivermos de como nossas emoções afetam nossa relação com o dinheiro, mais capazes seremos de tomar boas decisões. Decisões que realmente reflitam nossa verdade interior, que estejam alinhadas com nossos sonhos e metas, enfim, que nos conduzam a uma vida melhor e mais rica, não só de dinheiro, mas também de experiências e possibilidades.

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