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O Arquétipo do Herói Nos Contos de Fadas: Uma Visão Junguiana

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

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Arquétipo “Os heróis são aqueles que tornam magnífica uma vida

que já não podem suportar”

Jean Giraudoux

Escutamos por aí tantas variações e conotações diferentes para o termo herói.

Associamos o heroísmo, às vezes, aos nossos pais que lutaram e se esforçaram para nos dar aquilo que chamamos de boa condição de vida.

Dizemos que a profissão de bombeiro é feita de heróis, assim como, não só os contos de fadas, mitos e histórias em quadrinhos estão repletos de heróis e super-heróis.

Por mais que tenhamos uma ideia, ou melhor dizendo, imagem universal de herói, iremos construir o nosso próprio arquétipo de herói com base em nossas vivências pessoais.

Talvez você deva se recordar que, em outro momento aqui na coluna, já discorri sobre isso, mas nunca é demais recapitular, não é mesmo?

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Na visão da Psicologia Junguiana há o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

O primeiro diz respeito as nossas vivências particulares, aquilo que vamos tecendo à medida que experimentamos a vida.

Já o segundo refere-se, como o nome implica, ao coletivo, pertencendo a todos os seres humanos, mas a ninguém ao mesmo tempo. Arquétipo

No inconsciente coletivo encontramos os arquétipos e os complexos, isto é, ali estão, por exemplo, as imagens universais de mãe, de pai, de herói, de bruxa, de velho sábio, da persona, da sombra, entre outros.

Imagem universal nada mais é do que a imagem que o coletivo compreende como sendo a representação de um dado papel. Para clarificar, vamos nos ater aqui ao herói.

Como mencionei no primeiro parágrafo há diversas imagens que atribuímos ao herói.

A imagem universal poderíamos dizer que é aquela na qual o herói supera desafios, enfrenta obstáculos, pensa em desistir em dados momentos, mas acaba lutando até o final, atingindo seus objetivos.

Ou seja, o herói é aquele personagem que parece ser perfeito, mas não é.

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Na realidade ele é um complemento de opostos, há tanto luz como sombra no herói e ele vivencia esse – se é que podemos chamar assim – conflito intensamente.

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O herói ainda é aquele que adentra a floresta em busca do (des)conhecido, ele pode até saber qual é seu objetivo, porém, nem sempre tem ideia do que irá encontrar no caminho para alcançar o mesmo.

Às vezes, associamos o herói aquela imagem de força, de superação ou, por outro lado, à imagem de sofredor, daquele que precisa em todas as circunstâncias passar por situações difíceis para emergir das cinzas. Arquétipo

Não só nos contos de fadas, como na mitologia, o herói aproxima-se muito do ser humano.

 

Ele não é perfeito, por mais que teimemos a colocá-lo nesse papel algumas vezes, pelo contrário, ele possui tudo aquilo que se encontra em nosso interior e, porque não, no nosso exterior também.

Há no arquétipo do herói tanto as qualidades como os pontos a melhorar. Um herói não nasce completo, ele se constrói com o tempo e no tempo.

Pensando nisso, é possível observar as transformações que a imagem do herói teve – e continua tendo – com o passar dos anos.

Atualmente existe uma gama de heroínas, as próprias princesas nas adaptações cinematográficas mais recentes estão sendo vistas não somente como princesas (imagem de delicadeza e submissão).

Estão sendo vistas também como heroínas com sua força, coragem, ousadia, em alguns casos teimosia, persistência, sem deixar a feminilidade de lado.

A Alice do conto Alice no País das Maravilhas é uma heroína, do mesmo modo Dorothy do conto O Mágico de Oz, a Bela de A Bela e a Fera, Cinderela, Branca de Neve, dentre tantas outras.

O autor Joseph Campbell estudou com profundidade os heróis em mitos, lendas e fábulas, encontrando nesses enredos etapas que o herói costuma passar durante sua jornada.

Vale, entretanto, enfatizar que essas etapas não são encontradas em todas as histórias.

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Às vezes, o personagem principal, o qual pode ser humano, um ser mágico e até mesmo um animal, vivencia somente algumas dessas fases, as quais conhecemos como sendo “a jornada do herói”.

Já de acordo com a autora Noemí Paz (1992), no início do conto o herói, geralmente, está sofrendo alguma infelicidade em sua vida, o que o motiva a buscar algo novo.

Mas para alcançar esse “novo” o personagem passa por provas e desafios.

Nesse caminhar ele encontrará um auxiliar mágico que pode ser um objeto ou um personagem que tenha mais conhecimento e que o guie em sua jornada.

Assim como a Fada Madrinha (Cinderela), Glinda (Mágico de Oz), Mestre Gato (Alice no País das Maravilhas), Mestre dos Magos (A Caverna do Dragão), etc.

Por último, o herói vivencia a sua redenção, chegando ao fim (ou seria (re)começo?) de sua jornada.

Ainda para Noemí Paz (1992, p.57-58) o herói acomete

“[…] ao drama do homem sobre a terra. As provas, que se repetem até serem compreendidas, aceitas e assumidas, conduzem a um despertar. […] o conto de fadas nos remete a uma história de transformações através das provas”.

O arquétipo do herói, portanto, espelha as transformações que todo o ser humano passa e irá passar durante o seu caminhar no conto da vida, sempre indo de (re)encontro ao despertar.

Um beijo e uma (re)descoberta, Arquétipo

Juliana

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julianaJuliana Ruda – Psicóloga de Orientação Junguiana (CRP 08/18575). Tem Especialização em Psicologia Analítica. Atua na área clínica atendendo jovens e adultos. Ministra cursos, palestras, workshops e grupos de estudos com temas relacionados à Psicologia, Psicologia Junguiana e Contos de Fadas. É uma das colaboradoras da Comissão Temática de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná. Além de eterna aventureira dos Contos de Fadas!

Contatos – E-mail: psicologa.julianaruda@gmail.com 

Facebook: https://www.facebook.com/PsicologaJulianaRuda/

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