Skip to main content

ANSIEDADE E REDES SOCIAIS: Sentimentos e Emoções à Luz Das Comunicações

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Um tema que tem mobilizado o público em geral é a ocorrência de ansiedade e atualmente se tem constatado o aumento desses sintomas em razão de relações virtuais através das redes sociais. ansiedade e redes sociais

Buscando oferecer alguns elementos que podem elucidar essas ocorrências, é que estamos produzindo este artigo, sempre no intuito de colaborar para que mais luz se coloque sobre o sentido real desses fenômenos.

Em primeiro lugar gostaríamos de tratar da temática explicitando o que vem a ser essa tal “ansiedade”.

Ansiedade é um termo genérico que significa a manifestação emocional e física de medo, tensão física e que se encontra presente na maioria dos transtornos de ordem emocional, afetiva e de humor. ansiedade e redes socias

É importante frisar que um “certo” grau de ansiedade é necessário para que tenhamos energia para agir e tomar decisões, mas um aumento significativo dessa energia, provoca dificuldades de comportamento que muitas vezes comprometem a visão, a audição, a precisão de movimentos motores, como andar, segurar etc., e em especial a capacidade de julgamento impessoal, além disso, essas dificuldades tem assolado a população de forma significativa.

As queixas que envolvem ansiedade muitas vezes são apresentadas nos mais diferentes consultórios médicos e psicológicos.  ansiedade e redes sociais

Mas afinal, o que nos torna ansiosos? ansiedade e redes sociais

Ansiedade vem da expectativa que temos em relação ao outro e às situações de vida, “esperamos que o outro nos compreenda mesmo quando nos expressamos de forma imprecisa. ” Sonhamos com o resultado da loteria, da vitória do nosso time, da proposta de compra que fizemos ao proprietário do apartamento que alugamos, do resultado do concurso que participamos, enfim nossas expectativas vão aos poucos minando nosso poder de julgamento e nos levando a raciocinar apoiados na nossa fantasia sobre a realidade.

Pensemos por exemplo no contexto da educação dos filhos, o que esperamos que nossos filhos sejam quando crescerem? O que esperamos de nossos pais quando cometemos algum deslize? O que esperamos de nossos parceiros em relação à “fidelidade”? O que esperamos do comportamento de nossos amigos, clientes, fornecedores, enfim de todas as nossas relações sociais?  ansiedade e redes socias

Como se pode observar, a expectativa é a base da ansiedade, basta visitar a literatura e observar a publicação das Teorias de Murphy, que tem em seu bojo, toda espécie de pessimismo, característico da ansiedade.

“Donde menos se espera, menos vem.”

“A probabilidade de uma fatia de pão com manteiga cair no chão com a manteiga para baixo, é inversamente proporcional ao custo do carpete. ”

Tudo isso que estou falando está diretamente relacionado às relações interpessoais cara-a-cara, onde muitas variáveis nos ajudam a perceber as “intenções” implícitas no comportamento do outro, o que certamente nos ajuda a lidar melhor com a ocorrência da ansiedade.

São variáveis como por exemplo: O olhar do outro, o gestual, a entonação da voz, o sarcasmo, a ironia, enfim uma série de sinais que nos orientam para que nossas conclusões sejam as mais racionais possíveis e que as relações possam transcorrer com maior transparência e efetividade.

A ansiedade atrapalha por exemplo as apresentações em público, as entrevistas de emprego, a atuação como vendedor de alguma coisa.

O que mais ajuda a controlar essa ansiedade, vem da espontaneidade que nos permite ser como somos sem tentar atender às expectativas que acreditamos que o outro tem sobre nosso comportamento.  ansiedade e redes sociais

Todo esse panorama que desenhei está diretamente ligado às relações ao vivo, e nelas já ocorrem toda sorte de fenômenos geradores de ansiedade, mesmo que contemos com a ajuda da presença física em relação ao outro.

Se pessoalmente já vivenciamos um grau de ansiedade tão significativo, imagine o efeito da ansiedade quando nos relacionamos de forma virtual, com limitados recursos para avaliação precisa da relação, ou seja, só poderemos contar, nas relações virtuais, com duas ou três variáveis para que possamos ter uma avaliação do contexto das expectativas.

E é exatamente por essa limitação que as relações virtuais carecem de transparência e clareza.

Relações que tem sua transparência comprometida, evidentemente produzirão níveis quase insuportáveis de expectativas, ou seja, teremos que deduzir a partir de mínimos elementos, as consequências que essas relações poderão produzir.  ansiedade e redes sociais

Se pensamos em redes sociais, tudo estará comprometido, uma vez que grande parte das comunicações poderão ser compartilhadas com pessoas que não conhecemos e muitas vezes não fazemos a menor ideia de quem seja.

É claro que esse clima de mistério e descoberta é um atrativo importante para nossa curiosidade, mas com certeza é também um elemento complicador dessas mesmas relações.

Redes sociais são uma grande descoberta e um recurso impressionante de proximidade quando pensamos em encontrar alguém que há muito tempo não sabemos o paradeiro, ou informações que por outros caminhos talvez não pudéssemos encontrar, mas essas vantagens, como tudo na vida, têm suas implicações.  ansiedade e redes sociais

Nada do que se faz nas redes sociais fica privado, nossos perfis, nossas conversas, nossas pesquisas enfim tudo pode ser rastreado e nos sentirmos rastreados constantemente, compromete nossa privacidade e muitas vezes nos sentimos invadidos e incompreendidos.

Como as redes sociais são uma descoberta muito recente, precisamos nos adaptar a seus termos, suas regras e suas particularidades, contudo entrar numa rede social é extremamente fácil e parece simples, e frequentemente tudo isso é real, mas a ansiedade decorrente de um “flagrante” sobre nós, uma atribuição da autoria de uma publicação a nós, sem nenhuma consulta prévia é claro que produz um grau de ansiedade muito alto.

Não quero aqui defender a extinção das redes sociais, mesmo porque elas são um avanço nos processos comunicacionais, só que para podermos lidar com elas com o mínimo de ansiedade possível, é necessário que aprendamos esse novo processo comunicacional.

E esse processo envolve além do conhecimento da tecnologia, a nossa capacidade de perceber o efeito que nosso discurso pode provocar no outro.

Assim, para que possamos desfrutar das redes sociais com eficácia e com o mínimo stress, precisamos nos especializar em compreender o efeito que causamos no outro com nossas palavras, imagens, piadas, sarcasmo, críticas.  ansiedade e redes sociais

O esmero em entender as relações interpessoais, virá sem dúvida alguma, do processo de autoconhecimento que pode ser desenvolvido através da Psicoterapia.

Falamos aqui em Psicoterapia, não só para os transtornos graves, mas também para o desenvolvimento de nossa capacidade crítica de avaliação do nosso comportamento e do comportamento do outro.

Sem dúvida esta é uma evolução que exige dos Psicólogos um processo de aprendizagem em cuidar das pessoas como um todo, não só daquelas que sofrem de transtornos graves, mas na ajuda efetiva para que se possa aprender novos padrões relacionais que envolvem as relações virtuais e suas implicações.  ansiedade e redes sociais

Tudo isso é muito novo e exige o empenho de todos no sentido de traduzir efetivamente as consequências envolvidas nesses novos padrões de comunicação.

A Psicologia Positiva tem apresentado diversos estudos que demonstram efetivamente que buscar os talentos e virtudes das pessoas, produz um grau muito maior de felicidade e reduz os níveis de ansiedade em nossa vida.

Não se trata do popular “jogo do contente” quando fantasiamos um resultado positivo mesmo com a catástrofe acontecendo, trata-se simplesmente de reconhecer o que nós realmente podemos fazer de real com nossas potencialidades.  ansiedade e redes sociais

O elogio sincero é a grande mola propulsora da Psicologia Positiva, a crítica verdadeira é a grande ferramenta para o crescimento humano, e o reconhecimento do talento real aplicado a vida, nos dá alento para seguirmos adiante sem receios imobilizantes.

No contexto do Psicodrama, que é uma das teorias de psicoterapias, vamos encontrar as grandes evidências de que a Espontaneidade e a Criatividade se tornam a energia básica para a ação consciente e responsável.

A responsabilidade social, nos permite nos reconhecermos humanos e iguais em todas as diferenças, e a participação social nos permite o reconhecimento que todos esperamos.

Felicidade não é um conceito vago, é um conjunto real de relações que nos faz sentir como parte integrante de algo maior que nós e percebermos o efeito real de nossas ações.

É um caminhar bastante importante num tempo como o nosso em que o individualismo se desponta como o grande objetivo humano.  ansiedade e redes sociais

Contudo, esse individualismo nos induz à solidão que tanto nos assusta e que por vezes nos leva a fazemos concessões que acabam por destruir nossas relações.

O altruísmo e o perdão se tornam fundamentais para que possamos lidar com nossas ansiedades e angústias dentro da realidade das relações, tristeza faz parte das emoções humanas, ninguém fica feliz o tempo todo, sem parecer abobalhado.

Os movimentos sociais que vem surgindo no sentido de proteção aos animais, de proteção ao meio ambiente, de proteção e inclusão dos excluídos tornará nossa sociedade mais plena de realidade e repleta de experiências de êxito relacional, enfim da prática do AMOR.  ansiedade e redes sociais

Amor no seu sentido mais amplo, no sentido do amor fraterno e verdadeiro que permite que a vida se refaça à cada catástrofe que acontece conosco.

A solidariedade sem dúvida nos permite repararmos as injustiças que presenciamos e que por tanto tempo acreditamos que não haveria solução, é o fim do “É assim mesmo”, é comprometimento real com o sentido da vida.

O perdão vem se tornando um grande aliado à redução da ansiedade, ele permite que todos paremos de olhar para trás e nos fixarmos em experiências frustradas para abrirmos horizontes mais plenos e vislumbramos as possibilidades de reconstrução das relações.

As redes sociais podem e estão contribuindo de forma exemplar para esse caminho, contudo precisamos aprender a lidar com elas dentro de seus limites reais, dentro suas perspectivas de crescimento e principalmente dentro dos limites do entendimento humano.  ansiedade e redes sociais

O uso inadequado das redes sociais é um fato, todo tipo de violência pode ocorrer a partir de contatos das redes sociais, mas enfim qual a grande descoberta feita para melhorar a vida que não foi inadequadamente usada para cometer o mal.

O Avião, a energia atômica, alguns medicamentos, enfim milhares de descobertas científicas acabaram por serem usadas a serviço da dominação e as redes sociais não estão imunes a esses fenômenos, cabe a nós fazermos uso delas de forma a valorizar a vida e aumentar o grau de felicidade entre as pessoas.

Rubens de MelloRubens de Mello é Psicólogo (CRP 02/2779) com especialização em Psicodrama e atua na clínica. Consultor em Recursos Humanos há mais de 20 anos em empresas nacionais e multinacionais. Na academia trabalha como professor Supervisor e Terapeuta Didata em Psicodrama.

  • CONTATOS: Rubens de Mello Psicologo – Av. Cons. Aguiar, 1205 Cjto. 102 Boa Viagem – Recife – PE
  • Telefone: (81) 944946311; Email: rubenspsicologo@gmail.com; Fanpage Facebook:http://bit.ly/FortalecendoRelações;
  • Twiter: @RubensdeMello1; Instagram: fortalecendo_relacoes; Youtube: Rubens de Mello

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.