Adolescentes: descobrindo quem são seus amigos verdadeiros

E é aí que eu te pergunto: Você tem alguém para te dar colo?
Happy friends holding each other

“Quero colo, vou fugir de casa. Posso dormir aqui com você? (…)

Inicio o texto de hoje com esse trecho da música Pais e Filhos da banda Legião Urbana, sei que pode ser que você nem mesmo conheça a banda, pois é da minha época e não da sua.

“Minha época”, como é difícil falar isso, parece que é natural, mas não é bem assim, na realidade eu mesma ainda vivo dividida entre as atribuições da vida adulta e a eterna vontade de receber um colo, um afago, de ser acolhida, a grande diferença é que hoje os colos mudaram, já não tenho meus pais e nem todos os amigos estão disponíveis, então fica a família, o marido e muitas vezes até mesmo o filho que é para quem eu deveria dar colo e não o contrário.

Bem, mas não é bem esse o ponto, a realidade que venho explorar aqui no momento é a da necessidade de termos com quem contar e, melhor ainda, de termos pessoas dispostas a sair do lugar de juiz para assumir o lugar empático de quem tenta compreender nossa dor para então acolher e nos ajudar a sarar.

E é aí que eu te pergunto: Você tem alguém para te dar colo?

Não falo da família, pois com eles você sempre poderá contar, mesmo que as vezes eles te façam acreditar que não.

Falo de amigos, aqueles que você julga que estão sempre com você, o pessoal da balada, dos rolês, das resenhas.

As pessoas que dizem que você precisa se revoltar e mentir para seus pais sobre onde vai.

Aqueles que dizem que vão te fazer companhia sempre. Você tem alguém assim com quem possa realmente contar?

Eu tinha!

E digo mais, dava tudo por eles, seria capaz até mesmo de tirar a roupa do corpo e de enfrentar qualquer desafio que surgisse, pois eles eram meus amigos de verdade, cheguei até mesmo a discutir algumas vezes com a minha mãe por causa deles e batia no peito com firmeza de que era isso que eu queria para mim e que minha mãe ou de nada sabia ou estava com ciúmes, pois eu percebia que ela tinha poucos amigos, o que para mim não era nada normal, já eu tinha dezenas deles, brincávamos todos os dias na infância e conversávamos no portão todos os dias da adolescência.

Nos fins de semana tinha a sagrada balada e era ali que meus olhos se abriam pela primeira vez.

Acontece que para ser a descolada da balada precisava usar roupas desconfortáveis, beber e beijar na boca, se não fosse assim não me encaixava e ganhava, ao menos por uma noite, o rótulo de chata da balada, mas confesso que não ligava porque o que eu gostava de fazer mesmo era dançar e para dançar eu não precisava fingir ser alguém que eu não era, então eu dançava muito nas baladas, do inicio ao fim e, vejam só, todos que se interessavam por mim o faziam justamente porque era eu quem estava mais alheia a toda aquela dinâmica de sensualização.

Entenda, não quero pregar falsos puritanismos, mas sim te alertar que aquele número de amigos ou seguidores nas redes sociais não passam disso, apenas números.

Sabe por que minha mãe não tinha muitos amigos?

Pois ela escolhia manter em sua vida aqueles que realmente se importavam, assim como eu aprendi e como você deveria escolher aprender também. Não quero dizer que seus amigos não sejam verdadeiros, talvez eles até sejam,

mas acho importante que aprenda a diferenciar amigos de colegas, pessoas com quem pode contar sob qualquer circunstância e aquelas que estão apenas para festas e baladas, sempre fugindo na hora da necessidade, pois essa diferença é o que dirá realmente o número de amigos que possui, o número de ombros que tem para chorar e por quem vale realmente brigar.

Cerque- se sempre de pessoas que te amam, pessoas que te querem bem e não apenas as que dizem isso da boca para fora, não aceite ser destratado ou mesmo menosprezado, afinal alguns “amigos” gostam de fazer isso, o que já é um bom sinal para te alertar sobre quem ele é de verdade.

Cerque- se de amor, afaste- se das pessoas falsas.

Grande abraço e até o próximo texto.

Leia também: Você é muito novo pra saber o que quer! Adolescentes e sexualidade

 

Ellen de Oliveira Moraes Senra – CRP 05/42764

Psicóloga especialista em Terapia  Cognitivo Comportamental, autora do livro digital Adolescer sem Vacilo: Compreendendo o Universo Adolescente

Experiência no atendimento clínico a Crianças e Adolescentes individual ou em grupo.

Contatos: Tel/Whatsapp (21)97502-4033

Email: ellenmsenra@gmail.com

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