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A Nostalgia de um Tempo Bom Que Não Volta Nunca Mais

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Nostalgia! Você já deve ter visto pelas redes sociais esse tipo de publicação que vou mencionar agora.

Se você usa internet há bastante tempo, já deve ter até recebido isso por email (para quem é mais novo: antes de existirem redes sociais, como Orkut e outras, as pessoas mandavam para toda a sua lista de email as coisinhas que hoje em dia publicam em seus murais).

Trata-se do seguinte tipo de post: uma série de imagens e/ou frases do passado, normalmente dos anos 80, ou até início dos 90. Nostalgia

Podem ser filmes, séries, músicas, programas de tv… mas na maioria das vezes são descrições de brincadeiras, ditados da época, frases ditas repetidamente pelos pais… e, no final, vem a frase: “Se você viveu tudo isso (ou lembra disso, etc.), então você teve uma infância feliz (ou uma infância de verdade, ou UMA INFÂNCIA)”. Nostalgia

Fico espantado com a quantidade de posts desse tipo, e como fazem sucesso! São bastante curtidos e compartilhados.

Uma coisa que pode vir à mente para explicar esse fenômeno é a nostalgia que costuma assolar muitas pessoas de vez em quando.

Perceba que não usei o termo “saudade”, que normalmente se aplica a algo ou alguém, do qual sentimos falta; usei o termo “nostalgia”, normalmente utilizado para representar uma “saudade idealizada”, ou seja, uma lembrança “melhorada” de um momento passado, onde só as coisas boas reaparecem (e muitas vezes de forma exagerada).

Nada contra relembrar momentos felizes, pessoas queridas, situações engraçadas, divertidas… claro que não, quem não gosta disso?

O problema é que muitas vezes (e cada vez mais) vejo pessoas por aí, e até em meu círculo de amizades, presas nessa nostalgia. 

Essa mensagem dos posts de “Então você foi feliz”, ou “Então você teve infância” é a nova versão do pensamento que vem desde sempre na sociedade: “antigamente é que era bom”.

E por que tanta gente tem esse sentimento de “antigamente é que era bom”? Nostalgia

Perceba que, na grande maioria dos casos, esse “antigamente” é a infância, ou a adolescência, ou até mesmo a vida adulta em seu início (até os 20, 21 anos). nostalgia

Nostalgia. É para essas etapas da vida que muita gente gostaria de poder voltar. 
Nostalgia. É para essas etapas da vida que muita gente gostaria de poder voltar.

Algumas pessoas dizem: “Quem é obcecado com a própria infância, ou adolescência, é quem não cresceu, continua imaturo, não chegou de verdade na vida adulta”.

Discordo desse pensamento. Não se trata de amadurecimento – estou vendo a coisa pelo lado que considero mais importante, ou seja, a felicidade da pessoa, seu bem-estar, sua qualidade de vida, sua saúde mental. Nostalgia

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E é aí que a coisa se torna um pouco triste: se tanta gente está nessa de enaltecer tanto esse passado, idealizar essa infância, adolescência ou início da vida adulta, é porque a fase atual, sua vida atual, não está tão boa assim.

Talvez não esteja nada boa. Não em termos de realizações e conquistas financeiras, não é disso que estou falando. nostalgia

Muitos que estão nessa “mania de passado” possuem ótimas condições financeiras atualmente, tem uma vida bastante confortável. 

Quando digo que a vida atual deles não está boa, me refiro mesmo ao que comentei acima: a pessoa não está feliz. nostalgia

Por isso, prefere viver numa lembrança, muitas vezes idealizada, romantizada, de uma outra época da vida, onde ela era mais feliz.

E é agora que a situação se torna ainda mais triste: a maioria dessas pessoas acha que é isso mesmo.

Que não há o que fazer. Que de fato, a vida só é boa até os 20 (18, 16, 15) anos, e que depois disso é só sofrimento, chatice, aborrecimentos, com curtíssimos momentos de prazer. nostalgia

Uma vez, um amigo me chamou para participar de um joguinho on-line com ele e um grupo de amigos; eu não quis participar, dizendo que achava chato esses jogos.

Ele me respondeu: “Arthur, depois que a pessoa cresce, casa, e tem filhos, o único pequeno momento de alegria que ela tem na vida é jogando esses jogos patéticos, você não sabia?”

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Uau, esse deve ter sido o parágrafo mais triste e assustador que eu escrevi nos últimos meses. É incrível como muita gente abre mão da felicidade, abre mão de sua vida com uma facilidade assustadora.

Ora, se a vida da pessoa está ruim agora, por que não correr atrás de torná-la boa agora, ao invés de ficar enaltecendo um período que passou há 10, 20, 30 anos?

Se o relacionamento está ruim, a carreira está ruim, tudo em volta o deixa insatisfeito; por que não cuidar disso?

Por que não conversar com o parceiro(a); ou tentar uma nova carreira; enfim, dar uma chacoalhada na vida? nostalgia

Já sei a resposta que vem agora: medo. Sim, sempre ele. Medo de, “se o relacionamento está ruim, e eu termino, posso conseguir só piores ainda, ou ficar sozinho(a)”, ou “odeio minha profissão, mas e se a que eu gosto não der certo?”.

Ou seja, é o pacto de mediocridade. É o famoso “vamos ficar no que está ruim mesmo, para evitar algo ainda pior”. nostalgia

E onde está a confiança, a autoestima? Por que se contentar com o ruim? Vamos mirar no bom, no ótimo, no excelente, no extraordinário.

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Claro que existem riscos, mas eles são parte do gosto bom da vida, também. Eles são a vida, a vida é risco.

Ficar preso, por opção, na zona de conforto, e ainda sofrendo, é o mesmo que, ao invés de viver a vida, apenas assisti-la passar, ficando só na vontade. nostalgia

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ArthurPsicólogo (CRP: 05/32234) e psicanalista, pós-graduado em “Psicanálise e Laço Social”. Atua nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói, além de fazer atendimentos on-line. É também palestrante, supervisor clínico, orientador de grupos de estudo e consultor para jovens psicólogos.

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