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7 Coisas Que a Psicologia Não é!

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

Se eu perguntasse a você, o que faz um psicólogo, qual seria resposta? Acredito que você diria:

“Ah, acho que o psicólogo dá conselhos, diz o que tenho de fazer, para ficar bem, feliz!”

“O psicólogo vai me ouvir, vai dizer o que tenho e dizer o que fazer depois.”

“Psicólogo? Pra que? Isso é coisa pra louco” 

Reparou que eu risquei as repostas acima? Pois bem, é para deixar claro que estas respostas e outras que descobriremos ao longo deste artigo estão erradas ou equivocadas.

Você não precisa ser um expert em Psicologia, ninguém precisa. Claro a exceção aplica-se aos profissionais desta área. Contudo, o que você precisa saber é que existem frequentes associações feitas à Psicologia, mas que, na verdade, pouco se relacionam com ela.

Estas ideias errôneas estão muito propagadas e com certeza você já deve ter escutado alguma, ou mesmo, pode ter dito algumas delas. Para você isso não é um erro grave, porém, como infelizmente muitas vezes acontece estas ideias são propagadas por alguns psicólogos, isto quando não estão presentes nos serviços que estes prestam. E isso sim é um grande, enorme e perigoso erro.

Mas por que saber isto é importante para você que não é um psicólogo? Bem, a Psicologia é um instrumento que se propõe a contribuir para a saúde mental das pessoas.

Logo, se o maior interessado na contratação dos serviços psicológicos é você – cliente – então é necessário que você saiba o que está contratando e o serviço que está recebendo. Afinal, é de sua saúde que estamos falando.

Quais são estas ideias erradas sobre a Psicologia? As 7 principais você confere abaixo!

  1. Psicologia associada a práticas religiosas,
  2. Psicologia associada a concepções esotéricas,
  3. Psicologia associada a noções de regressão (prática do espiritismo),
  4. Psicologia enquanto conselho,
  5. Psicologia enquanto benevolência,
  6. Psicologia igualada a prática do coaching,
  7. Psicologia enquanto adestramento social.

Pode parecer difícil notar o porquê estas coisas são associadas ou igualadas à Psicologia, mas eu vou explicar cada um desses itens a seguir.

#1 – Psicologia não é: Religião

 A Psicologia não é religião
A Psicologia não é religião

Sabe aquela ideia de que seu padre, pastor, reverendo, quem quer que seja o seu representante espiritual, enfim, que este seja o seu psicólogo. Então, se esqueça disto ou melhor, vamos mudar essa ideia.

Afinal, Psicologia é uma coisa e religião outra. Áreas distintas que podem acabar se voltando para o mesmo aspecto da vida humana: o sofrimento. Não é raro pessoas procurarem na prática religiosa ou espiritual maneiras de se livrarem de seus sofrimentos e angústias.

A questão não é se isto é errado ou válido, pelo menos não aqui. Porém quando estas práticas religiosas invadem áreas como a psicologia, medicina, fisioterapia, etc.; ou quando profissionais da saúde se valem de práticas de caráter religioso; isto se configura como um erro grave e colocam em risco a integridade das pessoas que as procuram, sem mencionar o fato de tais pessoas estarem se utilizando de má fé e isto se qualifica como uma contraversão.

#2 – Psicologia não é: Esoterismo

Psicologia não é esoterismo
Psicologia não é esoterismo

Quase que na mesma linha que a ideia de Psicologia associada a práticas religiosas está a ideia de Psicologia associada ao esoterismo, outro grande erro.  

Se você adentrar algum consultório ou qualquer outro local de trabalho de um psicólogo e lá encontrar exposto algum mandala, símbolos de astrologia ou qualquer outro objeto que pertença a alguma concepção de espiritualidade, fique atento!

Se você procurar tantos nas ruas de uma cidade grande,  como São Paulo ou mesmo neste grande universo da internet, então, você encontrará inúmeras formas de serviços que se dizem psicológicos de alguma forma. São diversas as propostas:

  • Psicoterapia com floral de bah,
  • Psicoterapia com base na leitura de mapas astrais,
  • Psicoterapia com cristais,
  • Psicoteologia,
  • Uso de filtro de sonhos.

Inúmeras formas de esoterismo e espiritualidade, que para quem curte é um caminho livre a ser trilhado.

Mas se é um serviço psicológico que você procura seja: para você, seu filho ou mesmo para situações específicas de transtorno, como crise em um relacionamento, na área profissional, então, o que você precisa é de um psicólogo.

E por isso precisa ficar atento aos inúmeros charlatões que podem estar se utilizando de má fé e de uma postura antiética.

#3 – Psicologia não é: Regressão

A psicologia não é regressão
A psicologia não é regressão

A ideia de que sua vida está embaraçada ou de que seu sofrimento se deve a algum trauma que aconteceu em vidas passadas e por isso você precisa fazer regressão é um outro erro, pelo menos no âmbito da Psicologia.

No Brasil, não é incomum pessoas procurarem respostas para seus sofrimentos e transtornos psíquicos e até corporais em práticas de regressão, nas quais ao descobrir acontecimentos da vida passada, a pessoa poderia tentar consertá-los de alguma maneira.

Tal como esclareci nos dois itens anteriores, se esta é uma prática que você gosta, então seja feliz em procurá-la. No entanto, no âmbito das religiões e espiritualidade, ou seja, tais prática em situação alguma podem ser realizadas por um psicólogo.

#4 – Psicologia não é: Conselho 

Psicologia não é conselho!
Psicologia não é conselho!

Deixando agora planos e dimensões místicas e espirituais. Aqui, no dia-a-dia, na correria pelas ruas e avenidas, nas famílias e rodas de conversas, entre os colegas de trabalho, quem nunca deu alguma indicação ou recomendação a ser feita à alguém diante de um sofrimento mental? Coisas do tipo:

  • “Você precisa sair! ”
  • “Você precisa conhecer outra pessoa para esquecer esta! ”
  • “Você tem que fazer exercícios, ir para academia para sair dessa depressão! ”
  • Depressão? Isso é frescura! Daqui a pouco você melhora! ”

São noções e perspectivas que nada tem relação com a Psicologia. E a coisa pode ficar pior quando você tornar a acreditar ou diz a alguém que é isto que o psicólogo faz.

Alguém por aí disse: Psicólogo é como um conselheiro!

Não! Psicólogo não é como um conselheiro. Os cinco anos de graduação mais as especializações posteriores, não nos preparam para dizer que tudo vai ficar bem e vai passar.

Estamos capacitados ou deveríamos para aplicar técnicas e procedimentos embasados em estudos. Uma coisa totalmente diferente é que inúmeras práticas psicológicas se utilizam da verbalização do cliente tanto para compreender uma situação, quanto para práticas terapêuticas, mas ainda assim toda uma técnica está por trás, com objetivos traçados que pressupõe um controle da situação.

Mesmo em serviços psicológicos como orientação e aconselhamento há toda uma técnica e pressuposto que embasam tais práticas.

Um exemplo disto é o aconselhamento genético que implica expor todas as possibilidades e riscos aos pais que possuem certo percentual de probabilidade de que seus filhos venham desenvolver transtornos e síndromes devido a genética (hereditariedade, mutações etc.).

A propostas é realizar um planejamento expondo todas as informações e a decisão final sempre será dos pais.

#5 – Psicologia não é: Benevolência

Psicologia não é benevolência!
Psicologia não é benevolência!

Outra ideia que circula e muito por aí é aquela de que psicólogo deve ser um poço de benevolência, tal como se diante do sofrimento de alguém ele fosse aquele que oferece o ombro amigo. Ou que diante do sofrimento de uma criança ele fosse acalentar os pais reafirmando o quão difícil é a situação. Bem, não é isto que fazemos.

O sofrimento mental, seja ele de ordem intelectual, afetivo, existencial ou de qualquer outra ordem, não altera o objetivo do psicólogo, que pode ser resumido em oferecer suporte a saúde mental promovendo o máximo de qualidade de vida e bem-estar às pessoas.

Muito embora a confusão entre o papel do psicólogo seja feita quando se trata em lidar com os aspectos da afetividade de alguém.

É preciso que se tenha em mente que para as inúmeras formas de sofrimento mental há um tratamento que pode oferecer maior autonomia e bem-estar há quem sofre e, que a privação deste tipo de serviço especializado pode por outro lado complicar ainda mais a situação de quem está sofrendo as expensas de uma síndrome ou transtorno mental.

#6 – Psicologia não é: Coaching

Psicologia não é coaching
Psicologia não é coaching

Este é um tema muito recente e talvez você nem consiga pensar nos motivos, pelos quais ele está aqui, mas eu explico.

Ultimamente uma onda esmagadora está adentrando os consultórios de Psicologia, quando não circulando em organizações e outros espaços através de serviços de Psicologia. Um ponto importante é: não há problema algum na aplicação de coaching, afinal esta prática possui técnicas específicas e para situações específicas.

Agora, o que não pode ser feito é substituir um serviço como a psicoterapia, pelo coaching por conveniência de tempo, valores e espaço. Isto pode acarretar uma série de prejuízos a quem contrata o serviço.

Outro ponto importante é de que a prática do coaching não é exclusiva dos psicólogos e, na verdade, não compõe os serviços psicológicos previstos pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia); qualquer pessoa que realize as formações em coaching podem emprega-las respectivamente.

#7 – Psicologia não é: Adestramento

Psicologia não é adestramento
Psicologia não é adestramento

Não muito raro, na verdade mais frequente do que possa parecer muitas pessoas procuram psicólogos para que estes adestrem outras pessoas que estão sob os seus cuidados.

Geralmente são pais ou familiares que apresentam queixas de alguma problemática do contexto escolar ou de alguma síndrome ou transtorno que compromete o comportamento social daqueles que estão sob sua responsabilidade, tais responsáveis esperam que os psicólogos adequem seus filhos ou quem quer que seja para que não causem mais problemas, para que não perturbem a ordem.

É evidente que em alguns casos isto é relevante, quando bem compreendido. Mas, na maioria dos casos este comportamento que perturba a ordem está associado a questões mais complexas e o trabalho do psicólogo volta-se para tais questões, por meio, de instrumentos como o psicodiagnóstico e a psicoterapia.

Algumas práticas psicológicas focam sim na mudança de comportamento, mas nem de longe assemelham-se a algum adestramento social, muito pelo contrário, afinal toda prática psicológica busca ofertar o máximo de possibilidade de autonomia e bem-estar a quem usufrui dela.

Bem, antes de encerrar este artigo, é preciso realizar um fechamento para unir todos estes itens que foram apresentados. A ideia central é que você tenha em mente que a Psicologia e os serviços que esta oferece estão embasadas em estudos e obedecem ao mínimo de rigor científico, além do mais no Brasil elas são supervisionadas por um conselho profissional, neste caso o CFP (Conselho Federal de Psicologia).

A Psicologia pode oferecer inúmeros benefícios a você e sua família e a quem mais você conhecer. Diante de qualquer sofrimento ou transtorno mental, por menor e simples que possa aparentar, vale sempre consultar um psicólogo – não há do que se envergonhar em estar doente e esta doença ser mental.

Você e ninguém que esteja diante de algum sofrimento mental pode limitar a possibilidade de ter autonomia e bem-estar, de ter autoestima e bons relacionamentos por vergonha ou por desconhecer um autêntico serviço de Psicologia.

E para que saiba reconhecer um autêntico serviço de Psicologia que abordamos os itens anteriores, que infelizmente são associados à psicologia, quando não são empregados pelos próprios psicólogos. E por falar nisto, quando contratar um serviço de Psicologia específico e receber qualquer outra coisa que não equivalha ao que contratou, você pode tomar as seguintes ações:

  • Acionar o CFP (Conselho Federal de Psicologia);
  • Sinalizar ao seu psicólogo e interromper o serviço não condizente;
  • Não indicar o profissional a outras pessoas.

Afinal é de saúde que estamos falando e expô-la a riscos é por sua vida em risco!

Espero que este artigo tenha esclarecido a você um pouco aquilo que a Psicologia não é!

Jorge Lima

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“Jorge Lima. Psicólogo em formação. Pesquisador pelo programa de Iniciação de Científica. Criador do espaço Psicologia Trivial, um projeto que visa aproximar a população da psicologia e informar seus benefícios.”

Contato: E-mail: psicojorgelima@gmail.com

 http://psicologiatrivial.blogspot.com.br/p/o-que-psicologia-nao-e.html

Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/5404001863564323

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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