Skip to main content

Encontros e Desencontros Entre a Criatividade e o Prazer

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Criatividade e Prazer. ‘A criação vem do silêncio. Criar o belo e verdadeiro é possível, quando estamos profundamente conectados com as nossas qualidades originais. Cada um de nós é criador do seu mundo interior. Ao descobrirmos nossa própria paz, nosso próprio amor e nossa própria pureza, criamos um mundo onde a beleza se torna o estado natural de tudo e de todos’. 

Assistir filmes, ler livros nos quais nos dá boas sensações. Viajar. Rir. Divertir-se. Vivemos cotidianamente buscando aquilo que denominamos como prazer. Vamos a bares beber e dançar, encontrar com os amigos! Vamos às compras. Se por um lado podemos olhar o prazer como algo que nos é dado como “bom”, esta mesma palavra pode nos causar tremores.

Viver numa constância de prazeres, faz com que tenhamos medo de deixar de lado outras coisas que estão ali todos os dias. Compromissos e obrigatoriedades, em um descontrole no qual não sabemos se haverá volta.

Confundimos então o prazer com o poder. Esquecemos que o prazer está ligado a grande potência da criatividade do dia-a-dia e que sem dúvidas é um comprometimento.

Pois bem, por que digo sobre esse comprometimento? Lowen nos traz em seu livro “Prazer – Uma abordagem criativa da vida” que “um comprometimento total com aquilo que estamos fazendo é uma das condições básicas para o prazer. A pessoa fica dividida e em conflito quando não se envolve totalmente”.

Leia Também: Meditação, Saúde E Qualidade de Vida

Viver algo de forma presente e real, nas quais há o envolvimento de corpo e alma com a atividade nos desencadeia prazer. As sensações internas transformam as situações externas.

“No prazer, a vontade retrocede e o ego se rende, perdendo sua hegemonia sobre o corpo. Como alguém que assiste a um concerto e fecha os olhos deixando-se levar pela música. Ao sentir o prazer permitimos que a sensação domine o nosso ser”

Alexander Lowen

Dessa forma, por que ainda assim nos dias de hoje tem sido tão difícil sentirmos que estamos em uma situação de prazer? Buscamos enquanto adultos a saudade da infância, os desejos do futuro, e pouco nos damos conta que há uma dispensão da realidade do agora para viver situações que são ilusórias, até porque, idealizamos sonhos do antigo, sonhos do futuro. E esquecemos o presente, o momento real.

Onde a criatividade entra como potencializadora do prazer?

criatividade e prazer
A criatividade gera prazer pela alegria em se expressar!

A ideia de criar e construir algo inicia-se com uma motivação, com uma excitação de prazer, no qual diversas possibilidades são construídas em nossa frente a partir de nossas vivências com o ato criativo, produzindo uma alegria de se expressar.

Lowen nos apresenta tal ideia dessa alegria como ato de inspirar-se: “alguma coisa entra na pessoa e toma posse de seu espírito: uma nova visão, uma nova idéia, uma substância excitante ou um espermatozoide que fertiliza o óvulo para iniciar uma nova vida”.

O prazer se torna o próprio processo do criar. Experimentamos algo novo, criamos, recriamos. Se tomarmos a etimologia de cada uma das palavras “prazer” e “criar” temos os seguintes significados:

  • Criar, do latim CREARE, ‘erguer, produzir’, relacionado a CRESCERE ‘aumentar, crescer’;
  • Prazer, do latim PLACERE, ‘se aprovado, aceito, querido’, relacionado a PLACARE ‘aquietar, acalmar’

Dessa forma, encontramos aceitação, aprovação de nós mesmos quando nos conectamos com o prazer daquilo que interiormente nos faz sentido. E, este em conjunto à criação, torna-se produção de algo que nos ‘aumenta’, nos faz crescer interiormente. E isso não vale apenas para as grandes coisas, mas para as pequenas coisas também.

Por exemplo, imagine-se na seguinte situação. Lavo a louça todos os dias, tomo banho todos os dias, escovo os dentes todos os dias. Muitas vezes, nos deparamos com as atividades rotineiras, de forma que são taxadas como chatas, porém necessárias.

Agora, olhe novamente para todas essas situações. A cozinha está limpa, e o ambiente fica agradável. Sinto meu corpo refrescado após um dia intenso de trabalho, ou uma corrida em que fico cheio de suor. Minha boca não tem mais o gosto da comida, e meu hálito está com um ótimo cheiro.

Leia Também: Saúde Mental: 10 Benefícios Psicológicos da Prática de Exercícios Físicos

Cada ato, a depender da forma que olhamos, e da forma que vivenciamos, possibilita expressar-se de forma criativa e encontrando-se com o prazer. A sensibilidade dos atos encontra-se em cada um desses dois aspectos. Produzem positividade, produzem vida.

Viver de encontro com o prazer, é possibilitar que se recrie todos os dias. Que possa imaginar novas respostas às situações vivenciadas e que possa inclusive, vivenciar a dor.

Esses dois polos opostos (prazer e dor), mostram que, vivenciando a dor estamos com um aumento de autoconsciência, e vivenciar o prazer é uma diminuição dessa autoconsciência, onde podemos fluir, deixar acontecer, nos libertarmos.

Se tentamos nos agarrar ao prazer, deixamo-los escapar. Logo, o desencontro com a criatividade também se torna presente. Se por um lado criar pode ser algo inspirador e divertido, ao trazê-lo para o real, tal situação pode se tornar um trabalho, no qual inibe a sensação do prazer.

No entanto, é possível que o trabalho torne-se prazeroso. Dependendo da importância dos resultados nos quais lhe é dado vivenciamos esta realidade de uma determinada forma. Sair do “faz-de-conta” que colocamos suspenso a realidade, e entendermos o que é que queremos para nós, e quem é que somos, potencializa ainda mais o processo criativo junto do prazer.

“O prazer fornece motivação e a energia ao processo criativo que, por sua vez, aumenta o prazer e a alegria de viver.”

Alexander Lowen.

FranFrancielly de Lima Oliveira é Psicóloga (CRP 06/123570), pós-graduanda em Psicoterapia Corporal, Oficineira em Meditação e Corpo e Bambolista pelo projeto Bambolize.

Contatos: Email –  franciellyloliveira@hotmail.com; Facebook: http://www.facebook.com/bambolize  http://wwww.facebook.com/franciellypsicologa

Compartilhe esse artigo!

Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.