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A Somatização Nossa de Cada Dia

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Você está somatizando? Muitas vezes a palavra somatização é dita como uma forma de descontração frente a algum problema corriqueiro ou até mesmo como um jargão popular… fulano somatizou, ciclano está somatizando. Mas devemos diferenciar esse fenômeno que causa um extremo sofrimento psicológico, desencadeados por inúmeros eventos estressantes da vida, relacionados a fatores psicológicos e psicossociais.

As pessoas reagem aos eventos de forma peculiar, ou seja, cada uma reage de uma maneira diferente, podendo transformá-los em sintomas. O que pode ser estressante para mim, pode não ser para a outra pessoa e vice-versa. O que diferencia como cada pessoa reage é a intensidade e a progressão do sintoma apresentado.

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Ao somatizar a pessoa apresenta uma resposta orgânica muitas vezes sem uma causa aparente. É uma reação frente a algum evento da vida que foi extremamente desgastante, incômodo e traumático. Essas reações aparecem como múltiplas queixas, muitas vezes imprecisas, difusas e extremamente confusas.

Entender a relação entre a vida emocional e a fisiológica, e a história de vida da pessoa é fundamental para compreender a etiologia dessa condição, que pode ser passageira ou não. Se for uma condição passageira vai desaparecer espontaneamente, não repercutindo em outras áreas da vida, contudo se as sensações somáticas anormais persistirem, será necessária uma investigação exaustiva sobre o universo psicossocial da pessoa.

Cabe lembrar que o transtorno de somatização como é descrito pelo CID 10, não é totalmente explicado pelos fatores físicos, por vezes aparecem sintomas sem explicação médica, mas que causam significativo prejuízo social, ocupacional, relacional em várias áreas importantes da vida.

Nas queixas somáticas surgem as náuseas, a dispneia (falta de ar), as dores, vertigem, gastrite, amnésia, etc, que acabam incapacitando a pessoa na resolução de problemas simples do seu dia a dia, concomitantemente aparecem também a tristeza, isolamento, irritação, apatia, tédio, choro frequente e os transtornos mentais comuns como a ansiedade e a depressão, que são menos estruturados e menos graves se comparadas com outros transtornos, mas que causam preocupação e que devem ser diagnosticados e tratados.

Quando um sintoma começa a incomodar é sinal de que algo não está bem, não está funcionando como deveria. É hora de parar para verificar o que está errado em sua vida, afinal, o seu corpo está sinalizando em cores vibrantes que seu psicológico não está nada bem e que precisa de ajuda.

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O trabalho multidisciplinar é fundamental nesses casos, através da anamnese, exames físicos de rotinas e exames complementares. Afinal estamos diante de um ser humano que busca ajuda e não podemos simplesmente rotulá-lo como uma síndrome sem que tenhamos esgotados todos os recursos disponíveis para o diagnóstico. Ao rotular, estamos limitando um sentimento, um comportamento, um sintoma, uma situação.

Além da ajuda profissional, cada pessoa pode fazer muito por si mesma: praticar atividade física, alimentar-se bem, trocar sentimentos negativos pelos positivos, não sofrer antecipadamente, ou seja, viver o hoje, aprender com o passado. As queixas reais devem ser trabalhadas, mas se forem inexistentes, devem ser descartadas imediatamente, estas só criam dificuldades e problemas onde não existem.

Cleuza Pio Braghin

foto CLEUZA PIO BRAGHIN 1

Cleuza Pio Braghin é psicóloga CRP 06/84291, graduada pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, com pós-graduação em Gestão de Pessoas. Escreveu vários artigos com temas do comportamento humano, entre eles: Sistema prisional e Psicologia: inúmeros desafios, Da concepção ao primeiro ano de vida: reflexões sobre o relacionamento mãe-bebê, Projeto IANDÊ: Adolescentes, inclusão e trabalho e Da beleza do corpo à beleza da alma, este último publicado na revista A Terceira Idade do SESC.

Atua na área de psicologia clínica – e-mail de contato: cleuzapio@yahoo.com.br 

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Carlos Costa

Psicólogo (CRP 06/122657), Coach, Empreendedor, Músico e Poeta. Idealizador do projeto O Psicólogo Online que tem por objetivo produzir conteúdo informativo e educativo sobre psicologia, saúde mental e assuntos relacionados, além de prestar serviços de orientação psicológica online.

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